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“TCHAU, MÃE” A última mensagem da vítima para sua mãe antes de ser brutalmente executada pelo “Tribunal Criminal” na zona rural de Colares, no estado do Pará

“TCHAU, MÃE” A última mensagem da vítima para sua mãe antes de ser brutalmente executada pelo “Tribunal Criminal” na zona rural de Colares, no estado do Pará

A tranquilidade da zona rural de Colares, um município localizado a cerca de 90 quilômetros de Belém, no Pará, foi rompida por um crime que choca pela frieza, pela crueldade e pela sensação de impotência que impõe às famílias brasileiras. Roberto Batista Barata, um jovem de apenas 21 anos, teve a sua trajetória interrompida não por um acidente ou por um conflito pessoal evidente, mas pelas mãos do que o submundo da criminalidade convencionou chamar de “tribunal do crime”. A sua morte, executada com requintes de barbárie, reacende o debate sobre o controle territorial exercido por facções criminosas em regiões onde a presença do Estado parece cada vez mais distante.

A história de Roberto é a de um jovem que buscava o seu lugar no mercado de trabalho. Funcionário em uma balsa, ele levava uma vida que, segundo seus familiares, era pautada pelo esforço e pela honestidade. Não havia, nos relatos de quem convivia com ele, qualquer indício de envolvimento com o tráfico de drogas, roubos ou atividades ilícitas. Pelo contrário, o jovem era descrito como alguém de boa índole, sem inimigos declarados e com uma rotina dedicada ao sustento da sua vida. Foi essa rotina, no entanto, que se transformou em um alvo na mira de indivíduos que, agindo como juízes e carrascos, decidiram o seu destino final.

O momento que antecedeu o assassinato é, talvez, a parte mais dilacerante dessa história. Pouco antes de ser levado para uma área de mata, onde seria espancado e executado com dois tiros, Roberto enviou uma mensagem de voz para a sua mãe. O conteúdo do áudio não deixa dúvidas sobre o que estava prestes a acontecer e revela a consciência da vítima sobre o seu fim iminente. “Já decidiram. Vamos matar agora, só estou à espera que chegue o resto aqui. Tchau, mano, foi bom, adoro-te muito”, disse o jovem. A voz, calma dentro do possível diante de um cenário de terror, não foi suficiente para que a família pudesse intervir. Quando o pedido de ajuda chegou, o tempo já havia se esgotado.

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Para a família, o choque foi absoluto. A mãe de Roberto, ao encontrar o corpo do filho horas depois, descreveu uma dor que não encontra palavras na linguagem cotidiana. O desespero de ver um filho trabalhador, que saiu de casa acreditando que voltaria, retornar em um caixão é uma imagem que nenhuma mãe deveria testemunhar. “O meu filho era uma boa pessoa, não tinha maldade, não tinha certas amizades. Toda a gente gostava dele, nunca fiz mal a ninguém”, desabafou ela, clamando por uma justiça que, para muitos brasileiros em situações semelhantes, parece uma promessa distante e de difícil concretização.

O modus operandi revela a face mais obscura dos tribunais do crime. A vítima é sequestrada, julgada por um júri composto por criminosos e sentenciada à morte por razões que, muitas vezes, nem a própria família consegue compreender. No caso de Roberto, as autoridades policiais agora trabalham com a análise do telemóvel da vítima para tentar desvendar o histórico de ameaças. A grande incógnita que permanece é: desde quando ele estava sob ameaça e por que um jovem trabalhador foi transformado em um alvo? As respostas a essas perguntas são vitais para que a polícia possa identificar os autores materiais do crime e desmantelar a estrutura da facção que opera na região.

A execução de Roberto expõe um problema crônico da segurança pública no Brasil. A existência de um “tribunal paralelo” em áreas rurais ou periféricas significa que o direito básico à vida está sendo usurpado por organizações criminosas. Quando o cidadão não tem a quem recorrer e quando o medo paralisa comunidades inteiras, o Estado falha na sua função precípua de proteger o indivíduo. A impunidade, muitas vezes, é o combustível que alimenta a continuidade dessas práticas. A sensação de que “a justiça não chega” é o que leva os familiares de Roberto a buscarem o apoio da opinião pública e a cobrarem das autoridades um posicionamento enérgico.

O caso ganha contornos ainda mais graves ao considerar a ausência de justificativa aparente para o crime. Se Roberto não era envolvido com o crime, por que ele foi julgado? A hipótese de que ele tenha sido confundido ou que tenha sido vítima de algum desentendimento banal que escalou para uma sentença de morte é uma possibilidade que a polícia não descarta. Seja qual for a motivação, o fato é que uma vida foi ceifada e uma família foi destruída. O sentimento que paira sobre a região de Colares é de medo. Medo de que o próximo alvo possa ser qualquer pessoa que, por azar, esteja no caminho de indivíduos que não possuem qualquer respeito pela lei ou pela dignidade humana.

Além da investigação policial, o caso levanta a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre como o crime organizado tem se infiltrado em áreas de menor densidade demográfica, onde o policiamento ostensivo é mais escasso. O caso de Roberto Batista Barata não pode ser apenas mais uma estatística. Ele precisa ser o estopim para uma resposta coordenada e eficiente dos órgãos de segurança do estado do Pará. A mãe da vítima, em seu depoimento, foi clara no seu pedido: “A única coisa que a gente pede neste momento é justiça. A gente quer que as autoridades busquem justiça, entendam quem fez isto”.

A busca pela verdade é o que move a família agora. O telemóvel apreendido pela polícia é, neste momento, a peça-chave do inquérito. A extração de dados, mensagens trocadas e histórico de chamadas poderá apontar os interlocutores de Roberto nos seus últimos momentos. A expectativa da sociedade é que, após a identificação dos responsáveis, o Poder Judiciário aplique o rigor necessário para que a punição sirva, ao menos, como uma resposta ao clamor por justiça daquela família.

Enquanto as investigações avançam, resta o luto e a indignação. O caso de Roberto Batista Barata é um lembrete cruel de que a violência não escolhe apenas quem está inserido no crime; ela também atinge, de forma injusta e brutal, aqueles que apenas tentavam construir uma vida digna através do trabalho. A esperança é que, através da exposição deste caso e da pressão pública, as autoridades sejam compelidas a agir com a rapidez necessária, evitando que outras famílias passem pela mesma dor indescritível que hoje consome a casa de Roberto. O Brasil que deseja paz e justiça espera que este caso não seja esquecido e que, finalmente, a lei prevaleça sobre a barbárie.