O “Fetiche Fatal”: Como Christi Evans e Kaelil Square Executaram o Pastor David Evans!

Pensa aí que o seu marido, com quem você é casada aí já há três décadas, é o pastor mais querido da igreja, da cidade onde vocês moram ali. E o cara que prega sobre fé, sobre família, sobre amor verdadeiro de domingo a domingo e que volta e meia ainda posta no Facebook cartinhas de amor dirigidas a você, dizendo na frente de todo mundo que você é a melhor pessoa que ele conheceu na vida.
Só que da porta para dentro, esse mesmo homem te pressiona toda semana para fazer sexo com outros homens. E quando você resiste, não quer, ele te chama de frígida, te culpa quando esses encontros sexuais com estranhos não saem do jeito que ele queria e ainda exige que você sente, escreva ali para ele uma declaração detalhada da vida sexual de vocês para ele guardar e ler quando ele quiser.
Totalmente bizarro, não é? Mas tem mais. Toda vez que você fala em separação, esse cara aí encosta o cano de um revólver no próprio queixo só para te fazer medo, né? Vai que você insiste e ele faz o que ele tá ameaçando fazer, não é? Imaginou agora o que que você faria numa situação dessas? Pois é, essa situação é real, aconteceu de verdade.
E numa madrugada de março de 2021, a mulher que viveu isso aí tomou uma decision que virou a vida dela e daquela cidade inteira ao avesso. Mas esse caso é bem mais cheio de detalhes, bem mais complexo do que você pode estar imaginando aí, tá? Eu sou Marcos Campos e essa é a história de uma família que parecia o retrato perfeito até o dia que deixou de ser.
E tem umas coisas aí que a gente precisa investigar mais de perto, tá? Porque são muitas perguntas para a aparente obviedade do caso. Então vamos aos fatos. Bora começar pelo começo, ou pelo menos pelo que parecia ser o começo. O lugar é, que é uma cidadezinha de menos de 20.000 habitantes no estado de Oklahoma, nos Estados Unidos.
típica cidade daquele jeitão que todo mundo se conhece, sabe? E onde a igreja é um point, é mais ou menos o centro da vida social da cidade, sabe? E nessa cidade o pastor mais querido é um homem chamado David Charles Evans, 50 anos de idade, mais ou menos na época, líder titular de uma igreja batista de lá. E ele tinha começado a estudar para virar pastor em 2007, já com meia idade, tinha ali subido todos os degraus até chegar ao posto principal da congregação in 2015.
A própria esposa dele o descrevia como um cara charmoso, suave, carismático. Esse pastor era casado havia 30 anos com a Chris Downell Evens, que tinha também 47 anos na época do crime. E os dois tinham três filhos. a mais velha, a Brittany Long, e dois rapazes, sendo que um deles, eu já vou explicar mais pra frente, tinha um nome curioso até.
Mas para você ter ideia do quanto a imagem pública do casal era sólida, no dia 15 de março de 2021, uma segunda-feira à tarde, o pastor David escreveu uma postagem no Facebook dirigida à esposa dele e era um post longo, sentimental, dizendo que ele tinha conhecido a Christi quando os dois eram muito jovens, que tinha pedido ela em casamento depois de poucos meses de namoro e que três décadas depois ele ainda tentava conquistar ela todo dia como se fosse a primeira vez.
Super romântico, pastor. Numa frase específica desse post aí, ele escreveu e essa é uma parte bem importante para você guardar aí, tá? Que ele não era dono dela, que não a controlava e que ela era sua parceira em pé de igualdade na vida. Os fiéis curtiram isso aí, comentaram, compartilharam, todo mundo feliz.
Era exatamente o tipo de coisa que se esperava, né, de um pastor exemplar da cidade. Três dias depois desse post aí, no dia 18 de março, o David postou outra coisa no Facebook, só que dessa vez era uma selfie tirada num orfanato lá no México, onde ele tinha ido em viagem missionária, ajudando migrantes que eram deixados ali na fronteira pelas patrulhas americanas.
Ele escreveu na legenda desse post aí que ele tava fazendo o melhor para ser as mãos e os pés de Jesus, mostrando o amor de Deus pros outros. Ele tinha até pousado com um menino que vestia uma camiseta do Star Wars. E ele aproveitou para brincar porque David era fã do filme a ponto até de ter dado o nome de Anakim para um dos seus próprios filhos.
Lembra que eu comentei que tinha uma história interessante do filho dele? Pois é, é esse daí. Bom, a viagem missionária ao México durou cerca de uma semana. Na volta, então, foi direto pra igreja fazer ali suas rotinas e durante um sermão, um culto, ele ficou marcado inclusive por causa do que aconteceu poucas horas depois, tá? E por isso eu vou contar tudo isso aí com calma em cada detalhe.
Vejam só, o tema escolhido era guerra espiritual. O David falou paraa congregação dele ali sobre fazer o trabalho de Deus, sobre converter pessoas. E aí ele disse que se você tá fazendo a obra de Deus, é para esperar que o inimigo venha te destruir. E não era para ninguém ficar chocado ou começar a chorar quando o ataque viesse.
Meio que dizendo que para ele, talvez, porque o ataque viria, que se o diabo não tava atacando você tinha um motivo. E que se o diabo tava atacando você também tinha um motivo. Aí ele saiu da igreja naquele domingo lá cumprimentando todos os fiéis, foi pra casa dele com a esposa e algumas horas mais tarde, já passada a meia-noite, ele tava deitado lá na cama dele do quarto do casal, né, dormindo, sem fazer ideia do que estava prestes acontecer.
A ligação pra emergência aconteceu pouco depois da 1 da madrugada do dia 22 de março. Era uma segunda-feira. A voz do outro lado da linha era da Christ Evans, esposa do pastor. E o que ela contou pra atendente foi mais ou menos o seguinte. Ela tinha sido acordada por um barulho alto, um estouro. Ela tinha aberto os olhos, então, e viu o marido dela ali caído na cama, sangrando com som de gargarejo, sabe, saindo da boca dele.
She disse que não tinha visto ninguém, não tinha escutado ninguém, mas que alguém claramente tinha invadido a casa deles e atirado no marido dela. A polícia ladiada chegou na casa em poucos minutos. O que os policiais encontraram lá dentro foi exatamente o que a ligação tinha descrito, né? É o que a esposa tinha falado.
O pastor estava deitado na cama do casal ali, sangrando pelo nariz, pela boca e com um buraco de bala na cabeça. Para médicos confirmaram o óbito ali mesmo. A casa não tinha sinal de arrombamento, não tinha vidro quebrado, nada revirado ali. E a esposa do pastor explicou que a porta dos fundos provavelmente estava destrancada, esqueceu, destrancada.
E que o invasor talvez pudesse ter entrado por lá. A versão da invasão fez sentido pros investigadores naquele momento. A notícia então se espalhou por toda a ada em questão de horas. E a reação foi exatamente o que você pode estar imaginando aí para uma cidade pequena.
A igreja entrou em estado de luto, todo mundo assim completamente abalado. A congregação se reuniu para orar pela família. Uma comunidade, até um comunicado oficial da igreja foi divulgado ali falando de estado de choque, de tristeza profunda e pedindo respeito ao momento da família. A Criste, a viúva, foi acolhida pelos fiéis.
Os filhos estavam destruídos para todos os efeitos. Naquele primeiro momento, era o caso de um homem bom, assassinado a sangue frio dentro da própria casa, por um intruso qualquer, desconhecido. O trabalho da polícia agora era caçar esse intruso e descobrir porque ele fez isso. A polícia lá deada chamou o departamento até estadual para investigação, para ajudarem na investigação o departamento de Oklahoma.
E esses agentes estaduais aí, quando eles começaram a entrevistar os vizinhos do bairro, eles descobriram que nos dias anteriores ao assassinato, eles tinham visto um Mustang branco estacionado em frente à casa dos Ivans. Um carro que não pertencia à família, um carro que aparecia lá na casa da família, justamente nos dias em que o pastor não tava em casa.
Ou seja, durante também aquela viagem missionária ao México que eu acabei de comentar com vocês, dos vizinhos. tinha uma câmera ali de vigilância, aquelas que ficam em campainha, sabe? E ela conseguiu captar alguma coisa ali que confirmava quando os investigadores foram ver o que outros vizinhos já tinham contado.
Aí então os investigadores precisavam eh descobrir de quem era esse Mustang, não é? Eles cruzaram as imagens ali que eles conseguiram de comércios da região e descobriram. O nome apareceu num registro desse veículo aí. E esse homem, suposto dono do carro, era Kalil Da Square, 26 anos. Quando os agentes perguntaram pra Christ quem era esse cara, afinal de contas, estava lá o carro toda hora, né, quando o pastor não tava, ela deu uma hesitada ali por um momento, mas acabou admitindo que o tal Calil Square era namorado dela. Vai
vendo a história simples agora do do intruso desconhecido. Meio que tinha ido pro ralo, não é? Eles tinham agora um suspeito ali de carne e osso, um homem que tinha passado três noites na casa do pastor enquanto ele estava viajando, pregando o evangelho. Os investigadores então começaram a pressionar a Cristina e para mais detalhes.
E foi nesse momento que veio uma das revelações mais inesperadas do caso, porque a Christi começou a contar como ela e o namorado tinham se conhecido e a história não tinha nada a ver com uma traição comum, sabe? Ai, velho, segundo o que ela contou pros agentes, o que mais tarde, inclusive foi confirmado nos documentos oficiais do processo, tá? Ela e o marido David não era um casalzinho convencional de igreja que você pode estar imaginando aí, não, tá? Os dois levavam uma vida sexual secreta, viajavam para cidades vizinhas, ficavam em quartos ali de
hotéis, tal, motéis baratos, né? E marcavam encontros sexuais com outros homens. A Cristi disse que essa rotina aí vinha de anos já e que a primeira vez tinha sido durante uma viagem a um resort no Texas, onde o uso de roupas era opcional, sabe aquele esquema de de ficar pelado aí meio você quer e você não quer? Enfim, ela tinha voltado pro quarto, segundo que ela contou, e encontrou o maridão lá na cama com outro cara.
Então ela disse que naquele momento ela sentiu que não tinha muito o que, como dizer não. Não entendi muita muito bem essa parte aí não, mas tipo assim, não tinha como dizer não. Seja como for, foi esse contexto aí, segundo o que ela mesma contou pros investigadores, né, dentro de tudo isso aí que ela conheceu o tal Kil Square, o namorado, amante, seja lá como você queira chamar, foi num motel em janeiro de 2021, num desses encontros marcados pelo pastor para fazer uma menagem.
Os três se encontraram então naquele motel mais de uma vez ao longo dos meses seguintes. E num dos encontros a Christ discretamente deixou cair no chão ali o número do telefone dela pro cara pegar, para eles começarem a se conversar sem o pastor, né, ficar sabendo. E daí em diante, segundo o que ela admitiu, os dois começaram mesmo a se comunicar por conta própria, sem ali a intermediação do pastor.
Então, quando David viajou para aquela missão lá no México em meados de março, o Square, né, o namorado foi pra casa da amante e foi exatamente nessas três noites aí, ainda segundo o relato dela, tá, da amante, que os dois meio que costuraram juntos aí o plano para matar o pastor. E aqui a gente entra, né, nos porquês, nos meios, motivos e oportunidades.
Então, preciso te passar com bastante detalhes. A Christ disse pros agentes que tinha contado pro namorado dela, o Square, várias coisas sobre o David nas semanas anteriores ao crime. Disse que o marido era controlador, que era abusivo verbalmente, que xingava ela de [ __ ] de gorda, de feia, de [ __ ] Disse pro Square que seria bom ter mais liberdade.
E o Square, segundo o documento do processo, ouviu tudo isso e teria respondido com uma única palavra em tom de quem estava processando a informação. meio que consentiu. Aí o plano combinado entre os dois era o seguinte. A Christ ia deixar a uma pistola do próprio David junto com uma caixa de munição do lado de fora da casa.
Também ia deixar a porta dos fundos destrancada. Fez parte aí do álibe que ela tava montando, né? Então ia combinar com o Square sobre um horário para ele entrar. E foi exatamente isso que aconteceu naquela noite do crime. Por volta da 1 da madrugada do dia 22 de março, o Square chegou lá. O Christian então ouviu ele entrar, foi até a sala de jantar e viu que ele tava lá agachado no chão, meio bundão, meio com medo assim, né, nervoso, dizendo que tava preocupado, né, de fazer barulho demais e acordar o alvo. Foi a Cristian,
inclusive que botou fogo, falou assim: “Não, não, tá de boa, vamos lá, vamos prosseguir”. Foi ela que insistiu para fazer logo aí o Square foi até o quarto do casal, atirou na cabeça do pastor enquanto ele tava dormindo e saiu correndo pela porta dos fundos. A Christ ficou na sala por um momento, depois ela foi até o quarto, sentou ali na cama do lado do marido, provavelmente agonizando ali, morrendo, né? Ligou pra polícia, contou toda a história do invasor, que eu já disse para vocês.
E cara, assim, eu fiquei assim abismado, porque independente dos motivos pra pessoa fazer, né, principalmente esse square aí, o namorado dela chegar e atirar assim como se fosse nada, cara. Muito louco isso, né? Bom, três dias depois do crime, então, em 25 de março, a polícia recebeu uma mensagem de texto da Britney Long, ou seja, a filha mais velha do casal.
A mensagem dizia que a mãe estava indo até a delegacia para se entregar. O que tinha acontecido nas horas anteriores e o que só ia ficar mais claro depois é que a Christin tinha dirigido até a casa dos pais dela na cidade de Rolland e tinha confessado pra filha numa conversa cara a cara lá com ela, né? Ela disse pra Britney que tinha implorado pro Square matar o pai dela e que tinha sido o Square quem puxou o gatilho com a arma do próprio David.
Minutos depois dessa confissão, então a Chris pegou o carro e dirigiu sozinha até a polícia de ADA, onde ela repetiu tudo isso pros agentes estaduais. E assim, fiquei pensando que talvez a filha dela, Britney, soubesse já de alguma coisa para ela ter chegado assim tão abertamente, já falado da coisa assim, né, como se não fosse nada, como se ela já, melhor dizendo, soubesse de alguma coisa, não é? Enfim, se liga só.
quando os agentes estaduais, depois que ela chegou lá para se entregar na delegacia, né, quando os agentes começaram a perguntar para ela por ela tava se entregando depois de ter mentido, né, naquela chamada de emergência, ela disse que precisava se acertar com Deus antes. O Kil Square, o namorado, foi encontrado e preso na mesma noite quando ela confessou tudo em uma cidadezinha próxima ali chamada Niwala.
Os dois foram indiciados por homicídio doloso em primeiro grau. Naquele momento, o caso virou uma manchete nacional. Evidentemente, a narrativa dominante de todos os noticiários americanos seguiu mais ou menos uma linha só. Era a história de um triângulo amoroso que tinha terminado em assassinato uma esposa traíra e um marido assassinado pela Alguém arriscaria um palpite na motivação aí? Ganância dos dois amantes.
Será que é só isso mesmo? Essa versão pareceu fechar quando começaram a vir à tonas detalhes ali. O fato, por exemplo, de que o David tinha um seguro de vida no valor de 250.000 e que, segundo o advogado do Square posteriormente afirmou no julgamento, a Christ teria prometido pro Square 160.000 dessa quantia aí, mais uma caminhonete nova.
E os dois iam viver juntos depois que a poeira baixasse. Meu doideira, né? Então, pintaram a Cristutora calculista que tinha usado o sexo para manipular um rapaz 20 anos mais novo, fazer o serviço sujo, sujar as mãos, não é? A promotora do caso, uma mulher chamada Tara Portilho, ia depois dizer inclusive que a Christ tinha tocado o square como se toca como se fosse um violino, né? que ela foi ali tateando nos pontos certos, que ela tinha usado a destreza sexual dela para fazer o rapaz fazer qualquer coisa que ela pedisse, inclusive matar o marido dela.
Mas sempre tem mais, não é? Algumas semanas depois do começo da cobertura mediática, a filha mais velha da Christ, a Britney, fez uma coisa que mudou completamente o rumo de como o caso estava sendo enxergado, estava sendo entendido. Ela procurou a NBC News, entregou pra equipe da emissora 4 anos de mensagens privadas trocadas entre o pai e a mãe dela pelo Facebook.
Mensagens que iam de 2017 até poucos meses antes do assassinato. E o David, que aparecia nessas mensagens aí, não tinha absolutamente nada a ver com o David da carta de amor pública que ele postava no Facebook também. Para você entender o tamanho da diferença, te dar um exemplo concreto, tá? Numa briga que durou hours em um abril, em algum ano anterior, aí o pastor chamou a esposa de frígida, usou essa palavra aí como xingamento e culpou ela pelo fato de outros casais do meio de swing, né, não terem voltado a marcar encontros com
eles. Disse que esses outros casais não tinham gostado dela, que não queriam uma segunda rodada com ela. Em outras mensagens, o David exigia que a esposa escrevesse declarações detalhadas sobre a vida sexual deles, textos longos com descrições das coisas que ela fazia para ele guardar e ler depois.
Divertidinho o pastor, hein? E quando ela tentava resistir, quando ela falava que não queria mais, ele tinha uma ferramenta de pressão, digamos, tá? Bem particular e eficaz para ele. Ele ameaçava se matar. Numa dessas trocas aí, depois de uma ameaça de suicídio dele, a Christi escreveu uma resposta curta tentando desarmar a situação ali naquele momento.
Ela diz que ia ser submissa, ia ser quieta, que é suave, graciosa, etc. E a resposta dele a esse pedido aí de paz, digamos, dela foi exigir em letras maiúsculas que ela desse algo sexual para ele na hora, algo que ela oferecesse por iniciativa própria, sem que ele precisasse pedir ou forçar. É muita doideira, né? O que essas mensagens revelaram e o que a Britney passou a contar publicamente em entrevistas era um padrão que se chama de controle coercitivo, tá galera? Um conceito aí desenvolvido por um pesquisador sociólogo americano já
falecido chamado Evan Stark, que escreveu inclusive um livro inteiro sobre esse assunto em 2007. Quando a INBC então procurou Stark, a altura dos fatos para comentar o caso, ele disse que aquilo parecia sim um caso clássico de controle corivo, uma situação onde o agressor compara o relacionamento a uma espécie de cárcere, onde ele usa táticas estratégicas e opressivas para controlar o espaço inteiro da vítima.
E o Stark fez uma observação que ajuda a entender porque ninguém na cidade tinha percebido nada. Ele disse que esse tipo de relação envolve violência física frequente, mas de baixa intensidade. E que justamente por isso a vítima não chega, por exemplo, na igreja, né, num domingo qualquer com um olho roxo, por exemplo.
As marcas são internas, são financeiras, emocionais, são pequenos cerceamentos do dia a dia, sabe? por exemplo, controlar o que a pessoa vai vestir, o que ela vai falar, com quem ela pode conversar, quando ela pode dormir e fez até lembrar do a Sarinha se arruma que nós vamos sair. Comenta aqui para mim se você lembrou disso também.
A medida que a filha, né, deles aí começava a falar mais com a imprensa, ela foi enchendo um quadro aí investigativo de detalhes. Ela disse que o pai usava aplicativo de rastreamento para saber onde a família tava o tempo todo. Assim, isso é normal, mas dentro desse contexto aí passa a não ser, não é? Disse que era abusivo, não só com a mãe, mas também com os filhos.
Anos mais tarde, um outro filho do pastor, justamente aquele lá chamado Anaquinas, falou diretamente pras câmeras sobre o que tinha passado dentro daquela casa. Ele disse que o pai tinha um pavio curto e que quando o pavio dele estourava e a mãe dele não estava por perto, era ele que sofria.
Contou que o pai às vezes ficava tão furioso que machucava ele para valer e que ele chegou a ir pra escola com concussão por causa dessas surras. >> [roncando] >> Em algumas das versões contadas pela Britney, o pai também batia a cabeça dos filhos uns nos outros, assim, sabe? E tinha um castigo recorrente de obrigar as crianças a passar a noite inteira limpando a casa.
Meio que assim, quando elas terminavam, ele lá derrubava as coisas de novo para ficar prolongando esse castigo aí, sabe? Só que dentro dos episódios que vieram, né, à tona depois, o que talvez ajude mais a entender o que estava na cabeça da Christian nas semanas finais foi um episódio aí que aconteceu cerca de um mês antes do assassinato.
Dia 14 de fevereiro de 2021, o Valentine’s Day lá, o dia dos namorados americanos, né? O David descobriu que a Christ esta tava trocando ideia, conversando com o Square, o amante, namorado dela e as escondidas. Os dois brigaram naquele dia e foi nessa briga que a Christ disse pela primeira vez que queria se separar, queria o divórcio.
No dia seguinte, foi o próprio David quem mandou mensagem pros filhos avisando que a mãe queria se separar. A Britney, sem entender direito o que estava acontecendo, começou a ligar pra mãe. Ligou várias vezes, ficou hours sem conseguir falar com ela. Quando finalmente conseguiu, ela percebeu que a voz da mãe tava meio diferente, sabe? engessada ali, mecânica, tava respondendo monossilabicamente, tudo breve, robótico, como se ela tivesse cortando as respostas, sabe? A Britner perguntou várias vezes se tava tudo bem e a mãe disse que sim, tava tudo certo, que não
era para ela se preocupar. A ligação caiu, né? terminou, melhor dizendo, e a Britney desligou sem entender o que tava acontecendo de verdade. Só semanas mais tarde é que ela ficou sabendo o que tinha acontecido naquela sala lá enquanto ela tava falando com a mãe dela ao telefone. Naquele momento, o David estava sentado ali na frente da Christ, um revólver encostado no queixo, ameaçando puxar o gatilho, dependendo do que ela falasse pra filha.
Era a forma, como eu contei, né, que ele usava aí para, sei lá, ficar tentando segurar a esposa, né, esse terror psicológico aí. Só que isso aí tava virando a gota d’água para Crist. E foi nessa janela de aproximadamente 30 dias entre essa cena aí do revólver e a viagem do pastor pro México, que a Christ começou a conversar com o Square sobre o que ela chamou nas mensagens dela de ter mais liberdade.
O que eu estranhei, verdade, foi o fato de ela ter seguido as recomendações do pastor, não é? Se lance ele pro chagati, dependendo que você falar, eu vou atirar aqui, hein? Você vai ficar com esse peso na consciência. Mas daí ela conversa com o namorado para matar ele, assim, talvez querendo sujar a mão do cara, não a dela, mas ela incentivou o cara a matar.
Então, se ele tivesse matado sozinho, baçado, né? Aí tá, digamos, um nó nos dessa corrente. E tem mais um detalhe que veio à tona depois que ajuda a dimensionar o tamanho do que tava por trás daquela fachada da igreja, tá? Durante o sentenciamento em testemunho sobre juramento, a Christi estimou que o número de homens com quem o marido tinha coagido ela a fazer sexo ao longo dos 30 anos de casamento ficava entre 50 e 100.
Ela disse que nesses hotéis onde eles ficavam, né, às vezes era um homem atrás do outro na mesma noite. A advogada de defesa dela, uma mulher chamada Joey Miskel, foi direta no jeito de descrever essa dinâmica aí diante do juiz no julgamento. Ela diz que essencialmente o marido estava prostituindo a esposa e assistindo.
Diz que o David exigia sexo todo dia, às vezes várias vezes por dia, e que se a Crist tentasse recusar, ela era estuprada. A defesa também disse que esse tipo de comportamento tinha começado cedo no casamento e tinha escalado especialmente nos últimos 5 anos. Mas é aqui que essa história que já é bem complicada, né, difícil de digerir, ficou ainda mais cinzenta, porque a acusação não estava convencida da versão da defesa.
E a promotora, a Tara Portilho, que eu comentei com vocês, levou pro tribunal um material que ela usou para tentar mostrar uma outra Christ. Enquanto Christ estava presa ali esperando o julgamento, ela escreveu cartas. Algumas dessas cartas eram pro Calil Square, namorado, e outras eram para um outro detento que ela tinha conhecido na prisão.
As cartas eram explicitamente sexuais. Uma delas, ela escreveu que podia acabar com qualquer homem na cama, que qualquer homem teria feito aquilo por ela depois que ela passasse por ele. É que vocês me entendem, não é? Em uma outra carta, ela escreveu uma frase que pegou particularmente mal no tribunal. Ela disse que talvez ela devesse ter prestado mais atenção nos episódios do programa, sugerindo que se tivesse prestado atenção não teria sido pega.
Ou seja, sugerindo aí que tivesse assistido mais programas de true crime, talvez não tivesse sido, né, feito aí o que ela fez. Também foi apresentado aí nesse julgamento cartas que foram usadas aí como uma espécie de prova de que a Christ não tinha remorço do que ela fez e que ela continuava sendo a mesma manipuladora que tinha articulado o crime.
A defesa rebateu dizendo que essas cartas eram resultados direto de décadas de condicionamento sexual feitos pelo marido, que a Christ tinha aprendido ao longo de toda a vida adulta dela que sexo era o jeito de receber validação e que esse padrão não desapareceria da noite pro dia. O julgamento dela aconteceu em duas etapas.
Em abril de 2022, a Christi se declarou culpada de homicídio doloso, sem nenhum tipo de acordo com a promotoria. Significa que ela realmente aceitou a culpa. mas deixou o tamanho da pena na mão do juiz. A defesa pediu uma sentença leve, 4 anos de prisão e o resto em liberdade vigiada. Ou seja, ela tava confiante de que todo esse histórico aí, né, de coersão, enfim, e abuso, violência mental, né, psicológica, emocional, ia sensibilizar, né, ali o julgamento.
Mas a acusação deu a pena máxima, tá? Ou seja, prisão perpétua, sem direito de condicional. E o sentenciamento em si aconteceu em agosto de 2022, durou dois dias e foi conduzido por um juiz chamado Steven Kessinger. A Britney, a filha depois também em defesa da mãe, contou que o pai abusava dela e dos dois irmãos emocional e fisicamente e diz pro juiz que a mãe dela, na avaliação dela, já tinha cumprido sentença suficiente, 30 anos casada com aquele homem, a mãe do David, uma senhora chamada Jean Richardson na época com 80 anos. Depois
do outro lado e fez uma afirmação que repercutiu bastante, tá? Ela diz que não sabia desse alegado abuso mostrado nas mensagens e que mesmo se fosse verdade a Christio, tinha emprego próprio, grana, cartão de crédito. Ela podia simplesmente ter ido embora para outra cidade. Podia ter procurado um abrigo para mulheres agredidas e a escolha de matar o marido era injustificável.
O pai da Christ, um senhor chamado Eddie Armer, na época com 78 anos, falou em sentido oposto, tá? E descreveu o que a filha dele tinha feito como uma fuga do inferno pessoal dela. O juiz, no final das contas, né, não comprou muito essa história aí dos 4 anos que a defesa tava pedindo, mas também não comprou a ideia da perpétua incondicional.
Ele bateu martelo numa pena intermediária, mas pesada, tá? Prisão perpétua com direito a condicional. Na justificativa, o juiz disse que considerava o crime de sangue frio e que, apesar de reconhecer o quadro de abuso, ele entendia que o remorço da Christ era recente, que ela só tinha começado a demonstrar arrependimento nos meses recentes ali perto do julgamento.
Pelos cálculos da defesa, então, com base na legislação de Oklahoma, a Christi só vai ser elegível para pedir a condicional em 2060, depois de cumprir a maior parte de uma pena de 45 anos. Ela tinha 49 anos quando foi sentenciada, ou seja, vai ter 87 quando puder fazer o primeiro pedido.
Em entrevistas que deu antes do sentenciamento, a Britney, a filha contou que a mãe, no dia em que confessou na casa dos avós, antes de ir até a delegacia para se entregar, é falado uma coisa para ela que ficou marcada na mente dela. Disse que mesmo passando o resto da vida atrás das grades, ela ia ser mais livre do que tinha sido casada com o pai dela.
Já o Cali Square, né, que puxou o gatilho, teve julgamento separado, tá, em setembro de 2022, cerca de um mês depois da sentença da Christ. Ele também se declarou culpado sem fazer acordo em com a promotoria. A defesa dele conduzida por um advogado chamado Tony Colliman, tentou uma estratégia diferente. Argumentou que o Square tinha sido coagido pela Christ, que ele tinha entrado na casa naquela noite, tinha congelado de medo, tinha ficado agachado lá na sala.
Lembra que eu contei? Pois é. e que a Christ apareceu lá e falou: “Não, vamos, meu filho, vamos, vamos, vamos terminar isso aí.” Ainda segundo essa defesa, o Square achava que estava num relacionamento amoroso verdadeiro com a Christi e que tinha sido manipulado pelas promessas, né, de dinheiro, um seguro de uma vida a dois ali junto com ela.
O juiz não comprou a tese de coação e sentenciou o rapaz à prisão perpétua. E a igreja lá, né, onde esse casal frequentava, onde o pastor era um líder carismático, depois de toda a poeira baixar, soltou comunicados públicos, reconhecendo que até pastores são humanos e cometem erros. Pediu privacidade pra congregação processar, né, o que tinha acontecido e continuou funcionando.
E a casa lá onde o David Evans foi morto, própria cama foi colocada à venda e os três filhos do casal ficaram com uma vida meio que dividida, né, repartida. Aí, um defendendo publicamente a mãe e a memória do que tinha vivido ali dentro daquela casa, outro confirmando publicamente que o pai era abusivo. E o terceiro que era o Baranquim, ficando mais no meio, dizendo que nas entrevistas que ele deu aí, né, que apoiava a decisão do juiz, mas que ainda amava os pais e que o pai dele, apesar de tudo, não era assim o tempo todo. E a NBC News, galera, publicou uma
longa investigação que tinha começado com as mensagens do Facebook entregues pela Britney. E a própria Britney, anos depois, chegou a abrir uma petição pública pedindo ao governador de Oklahoma que comutasse a pena da mãe dela, sustentando que a mãe já tinha cumprido três décadas de sentença ao lado do pai, como eu disse.
E vocês lembram daquela pergunta que eu fiz no começo do vídeo? O que que você faria, né, se você tivesse nessa situação aí? Então você seguiu até aqui, prestou atenção em tudo, talvez você esteja aí com uma resposta na ponta da língua, não é? Mas a verdade desse caso é que a história dela não cabe nas duas caixas que o público gosta de usar aqui.
Ela não é só uma vítima, ela não é só uma vilã. Essa mulher respondeu a essa pergunta aí como uma mulher de 47 anos que tinha entrado naquele casamento com 18, menos de uma semana depois de fazer essa idade e que tinha passado três décadas aprendendo no método mais cruel possível que ela não tinha valor próprio fora do que o marido decidisse que ela tinha.
Ela podia ter ido embora? A mãe do David disse que sim. A defesa dela disse que não, porque o cárcere coercitivo a tinha convencido que não era possível. O juiz disse que talvez ela pudesse e que por isso ela ia ficar presa pelo resto da vida útil dela, digamos, né? E o pastor David já não tá mais aqui para dizer nada, a não ser as coisas que ele já tinha dito nessas mensagens que foram divulgadas, não é? E eu fiquei pensando naquele post público que ele fez na declaração de amor, tal, dizendo que assim, eu não sou dono dela, a gente vive aí em pé de igualdade, tudo
mais, sei lá, me me soou, né, baseado em tudo que é divulgado aí publicamente, me soou meio que um ato falho, né? O que que vocês acham? Mas é isso, abduzidos. Para mais histórias reais como essas, cheias de detalhes, se inscreve aqui no canal, porque toda semana tem pelo menos três episódios.