O CRIME PERFEITO? Como dinheiro, fama e influência tentaram enterrar a morte de Lizeth Marzano.

Lizette Marzano era uma profissional em ascensão e uma atleta de alto nível que fazia parte da seleção peruana de mergulho livre. A vida dela era atípica e duplamente bem-sucedida. Aqueles que a conheciam a descreveram como acessível, disciplinada e dedicada. Mas em fevereiro de 2026, enquanto praticava corrida, essa jovem talentosa foi atropelada por um veículo.
O impacto foi registrado em vídeo e o motorista fugiu do local. O caso chocou o país, expôs supostas irregularidades na atuação das autoridades e foi marcado por revelações de grande repercussão da mídia, mas é uma história que ainda está se desenrolando. Convido você a assistir até o final para não perderem nenhum detalhe.
Meu nome é Lilian e este é o canal Casos Criminais. Sejam todos muito bem-vindos. Lizette Caerine Marzano Nogueira nasceu no Peru no início da década de 1990 e cresceu com seus pais e seu único irmão Gino em um ambiente tranquilo, com relações próximas e rotinas previsíveis. Segundo sua mãe, Rosa Nogueira, Lisette sempre demonstrou uma personalidade focada.
Com o tempo, essa personalidade naturalmente se traduziu para os esportes e particularmente para o mergulho livre, uma disciplina exigente, onde cada segundo debaixo d’água conta e a resistência física, por si só não basta. Calma, precisão e controle mental absoluto são essenciais. À medida que Lisette progredia em seus estudos, ela também avançava em seu desenvolvimento atlético.
Assim, através de anos de treinamento, ela gradualmente conquistou reconhecimento na área, alcançando um marco significativo, ingressar na seleção nacional de mergulho livre de seu país. Simultaneamente, após se formar em design industrial, começou a colaborar com empresas em diversos países em projetos inovadores. Nessa época, a vida de Lisette demonstrava um equilíbrio raro.
Ela competiu nacional e internacionalmente, conquistando medalhas em uma disciplina exigente, porém muitas vezes negligenciada, enquanto sua carreira continuava a prosperar. Lisette foi descrita como uma pessoa apaixonada, com interesses que iam da corrida e música à pesca submarina e um laço muito forte com seus sobrinhos.
Ela também trabalhou como instrutora, compartilhando o seu conhecimento com a mesma dedicação que demonstrava em todos os aspectos de sua vida. Junto com seu irmão, ela era a única provedora para seus pais aposentados. Assim, em 2026, Lisette não era apenas uma atleta de alto nível e uma profissional em ascensão, mas também a personificação de uma vida construída sobre disciplina, perseverança e comprometimento.
Ela encarava tudo que se propunha fazer com seriedade e dedicação, não deixando nada ao acaso. Na noite de terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, Lisette chegou em casa cansada do trabalho, mas sendo uma mulher disciplinada, calçou os tênis e saiu para correr nas proximidades de um bairro residencial exclusivo, um lugar onde tudo parecia seguro, onde qualquer pessoa esperaria poder circular tranquilamente.
Infelizmente, por volta das 23:30, ela foi atropelada por um veículo em alta velocidade. Vizinhos e pessoas que passavam pelo local correram imediatamente para ajudá-la e chamaram serviços de emergência. Apesar da gravidade do impacto, Lisette respirava, mas com dificuldade. No entanto, o socorro demorou a chegar e a situação se tornava cada vez mais crítica.
Quanto ao motorista, ao invés de parar para ajudar, ele desapareceu na escuridão. Quando a ambulância finalmente chegou, a equipe médica tentou reanimar Lisette. No entanto, a gravidade do impacto foi extrema. A mulher, acostumada a ultrapassar os limites do esporte, com pura perseverança e disciplina, lutou pela vida até o fim, mas desta vez, apesar dos esforços da equipe médica, não resistiu.
A autópsia confirmou que, além dos múltiplos ferimentos sofridos no acidente, a jovem faleceu devido a um traumatismo craniano grave. Ao chegar ao local, seu irmão Gino procurou os vizinhos que haviam testemunhado o ocorrido, deixou seu número de contato e perguntou se eles poderiam acessar as imagens das câmeras de segurança.
Com o surgimento do vídeo mostrando o momento exato do impacto, o que inicialmente poderia ser interpretado como um acidente de trânsito começou a ser entendido de outra forma. Não se tratava de uma simples colisão, mas de um atropelamento com fuga, o que implica um crime muito mais grave. O vídeo mostra o veículo em alta velocidade e mudando de faixa abruptamente em questão de segundos.
Nesse mesmo trecho, bem próximo à calçada, Lisette corria alheia o que estava prestes a acontecer, como demonstra a completa falta de reação. O impacto foi repentino e violento. Após a forte colisão, o veículo não parou e continuou se afastando do local. Nas horas seguintes, a investigação começou a avançar em várias frentes, embora nem todas no mesmo ritmo ou com o mesmo nível de clareza.
No local, as primeiras evidências foram coletadas, incluindo fragmentos do veículo espalhados. Utilizando esses fragmentos e com o auxílio de tecnologia, foi possível identificar o modelo do carro envolvido como um Chevrolet Cruise. A polícia iniciou a reconstituição dos fatos, analisando diversas gravações de câmeras de segurança.
Ao cruzar essas informações e rastrear a placa do veículo nos registros, obteve-se um dado importante. O carro em questão estava registrado em nome de Marizel Linares, uma jornalista conhecida, uma figura consagrada na televisão e no rádio peruanos. E embora seu nome tenha sido registrado no caso e ressurgido posteriormente, é importante ressaltar que já havia sido descartado naquela época que ela fosse a motorista do veículo.
A investigação então se concentrou em determinar quem estava ao volante no momento do incidente. Segundo imagens divulgadas posteriormente pela imprensa, por volta das 5:30 da manhã, de quarta-feira, 18 de fevereiro, câmeras de segurança registraram a chegada de policiais ao prédio onde um possível suspeito estava. Os policiais permaneceram no local por vários minutos, mas acabaram indo embora sem efetuar nenhuma prisão.
Enquanto isso, as informações oficiais pareciam escassas. A família Marzano começou sua própria busca por respostas, reunindo informações, contatando fontes e seguindo qualquer pista que pudesse ajudar a identificar o responsável pelo que aconteceu com Lisette naqueles primeiros dias. Eles também denunciaram publicamente a demora na resposta da polícia, bem como a falta de progresso na localização do agressor.
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Assim, de acordo com esses relatos, o suposto motorista do veículo envolvido foi identificado. Tratava-se de Adrian Alonso Vilar, de 21 anos. A partir desse momento, não apenas o seu nome, mas também o das pessoas ao seu redor começaram a ganhar importância. Filho de Marcela Quirinos e Ruben Vilar, seus pais se separaram quando ele ainda era pequeno.
Algum tempo depois, Ruben, que na época trabalhava como cinegrafista para canais de televisão renomados, iniciou um relacionamento com Marizel. Com o passar do tempo, Marizel, que acompanhou o crescimento de Adrian, desenvolveu um forte laço familiar com ele. Na época dos fatos, Adrian tinha um relacionamento com a influenciadora de moda, Francesca Montenegro.
De fato, segundo o depoimento que ele daria posteriormente ao seu advogado, na noite dos fatos, enquanto Lisette saía de casa, Adrian estava saindo de um jantar com sua namorada. Após deixá-la em casa, ele voltou para a sua. A partir desse momento, novas e chocantes evidências começaram a circular na mídia. Entre elas, estava um vídeo de uma câmera de segurança mostrando uma sequência de eventos que ocorreram por volta das 3 horas da manhã do dia 18 de fevereiro, ou seja, horas depois do incidente.
As imagens mostravam Adrian em um parque no centro da cidade com seu pai e Marizel. O trio então se encontrou com que pareciam ser advogados em uma cena que durou vários minutos, na qual eles pareciam nervosos. Essa situação inevitavelmente levantou questionamentos. Seria um momento de contenção emocional por parte do jovem ou uma espécie de estratégia para coordenar um possível acobertamento? Seja qual for a resposta, o fato é que a cena foi interpretada como uma possível coordenação de ações após o incidente,
uma reunião na qual o grupo buscava definir uma versão comum dos fatos e decidir os próximos passos. Essa interpretação, por sua vez, foi divulgada pela mídia. Posteriormente, ainda segundo esses relatos, Adrian foi para o apartamento da namorada, onde permaneceu escondido com familiares, sem se entregar às autoridades.
Esse intervalo impediu a realização de exames toxicológicos e fez com que o prazo legal para ser preso em flagrante expirasse. Além disso, diversos relatos indicaram que na manhã de quarta-feira, 18 de fevereiro, Adrian já estava procurando o advogado. Enquanto isso, naquele mesmo dia, Marizel decidiu se pronunciar publicamente nas redes sociais, reconhecendo que o carro envolvido era de fato dela, mas alegou que não estava em sua posse desde setembro de 2025 e que uma terceira pessoa, cujo nome ela não revelou, era
responsável. Tanto ela quanto Adrian foram intimados pela polícia, mas nenhum dos dois compareceu à delegacia. Diante disso, o caso deixou de se concentrar apenas no atropelamento com fuga e passou a abranger também o que aconteceu nas horas seguintes. Para a família da vítima, esses elementos apenas reforçaram suas suspeitas da possibilidade de um acobertamento.
A isso se somou uma acusação ainda mais grave. Pessoas próximas a Adrian teriam tentado oferecer dinheiro para evitar consequências legais. Gino foi enfático ao rejeitar qualquer acordo e deixou claro que a vida de sua irmã Lisette não tinha preço. Em suas próprias palavras, tudo que buscavam era justiça, especialmente porque estavam convencidos de que se ela tivesse recebido socorro imediatamente, teria tido uma chance maior de sobreviver.
Adrian e Marizel foram novamente intimados para depor, mas ambos não compareceram. O advogado de Adrian disse à imprensa que ele já havia prestado depoimento e estava em casa e que ele não estava embriagado no momento do acidente. Segundo a defesa, após o atropelamento, Adrian entrou em estado de choque e foi internado em uma clínica particular, onde recebeu tratamento e fez o teste do bafômetro.
No entanto, seu representante legal não divulgou o nome da clínica, nem o resultado do teste. Dias depois, Adrian finalmente se apresentou às autoridades, alegando um ataque de pânico para justificar sua fuga. Embora sua família tenha afirmado que ele cooperou entregando os passaportes, a promotora enfatizou que o comportamento inicial do jovem demonstrava uma clara intenção de fugir da justiça.
O jovem foi liberado, o que intensificou a indignação pública, os protestos e as exigências por justiça. A acusação somada à pressão pública pareceu precipitar a ação das autoridades. E finalmente, nas primeiras horas de 26 de fevereiro, após ser localizado em um apartamento em um bairro nobre de Lima, Adrian foi finalmente detido.
Entretanto, com o passar dos dias e graças à análise do seu celular, uma prova veio à tona, as comunicações que o jovem teve nas horas após o incidente. O primeiro contato registrado ocorreu à meia 48, poucos minutos depois da morte de Lisette ter sido confirmada. Foi uma chamada de 22 minutos para o seu pai. Após essa conversa, começaram as trocas de mensagens de texto.
A 1:15 da manhã, Adrian mandou uma mensagem para o pai perguntando se ele tinha notícias da mãe. A troca de mensagens sugere que já havia ocorrido contato entre diferentes membros da família. Minutos depois, o jovem conseguiu falar com a mãe. Nessa conversa, ela disse que, embora a situação fosse confusa, ele deveria encará-la com a verdade e não tentar esconder nada.
Adrian então mencionou a possibilidade de pedir ajuda ao sogro. Sua mãe chegou a sugerir que ele poderia ter contatos úteis para lidar com a situação. Às 2:47 da manhã, as mensagens ainda estavam sendo trocadas e continuaram mesmo depois do encontro no parque, quando Adrian mandou outra mensagem para o pai, alertando de que havia câmeras ao longo de todo o trajeto do local do acidente até o apartamento onde ele estava hospedado.
Ruben respondeu que sabia disso e estava pensando em como proceder. Pouco depois, Adrian enviou à mãe uma captura de tela de uma conversa com a namorada, na qual a jovem dizia que ele poderia obter ajuda por meio de sua rede de contatos e mencionou a possibilidade de contatar figuras influentes.
Essa declaração, que mais tarde foi amplamente divulgada pela mídia, levantou suspeitas. Enquanto a defesa sustentava que ela se referia a advogados de alto escalão, outros questionavam se ela estava buscando influência ou apoio fora dos canais formais. Além disso, conforme a investigação avançava, o Ministério Público ampliou o inquérito para incluir Marizel por suposta obstrução da justiça.
A essa altura, a investigação abrangia não apenas o papel dela nos dias que se seguiram ao incidente, mas também inconsistências no status do veículo. A defesa de Marizel alegou que o carro havia sido transferido para Adrian por meio de um documento autenticado em cartório, embora tenha reconhecido que a transação carecia de legalidade.
O cartório, por sua vez, indicou que não havia registro oficial da transação. Francesca, namorada de Adrian, também passou a ser investigada e, após a suposta utilização de sua casa como refúgio para o namorado, foi intimada a depor. A promotoria solicitou que a prisão preventiva de Adrian fosse prorrogada por 9 meses. O pedido baseava-se nas acusações contra ele, homicídio culposo, omissão de socorro e fuga do local do acidente.
A solicitação foi aceita e o prazo se estenderá até 25 de novembro de 2026. Assim, enquanto a família e os amigos de Lisete Marzano ainda tentam lidar com o vazio deixado por sua ausência, o caso continua tramitando nos tribunais, marcado por dúvidas, decisões controversas e crescente pressão pública. Mas, sem dúvida, independentemente do que os tribunais decidirem, o ocorrido reabriu um debate incômodo sobre responsabilidade, privilégio e os limites da lei.
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