Velocidade e Perigo: Quando Usain Bolt se Envolveu com a Ex-Namorada de um Chefe Sanguinário do CV no Rio
O Rio de Janeiro, em agosto de 2016, era o epicentro do mundo. Durante os Jogos Olímpicos de Verão, a cidade tornou-se uma vitrine de esperança, esporte e, inevitavelmente, excessos. Entre tantos nomes de peso que desfilaram pela cidade maravilhosa, um brilhou acima de todos: Usain Bolt. O jamaicano, já consagrado como o Pelé do atletismo e o homem mais rápido da história, chegava ao Brasil cercado de expectativas. Ele não apenas superou as lesões que ameaçavam sua participação, mas varreu a concorrência, levando o ouro nos 100m, 200m e no revezamento 4x100m. Com o dever cumprido, Bolt entrou no modo festa. O que ele não imaginava é que uma de suas noites cariocas o colocaria, sem saber, em uma rota de colisão indireta com o submundo mais violento do Rio de Janeiro.

O Encontro na Cidade do Pecado
Após o fechamento das cortinas das competições, com as medalhas já guardadas na bagagem, Bolt aproveitou a liberdade. Em uma noite de festividades regadas a bebidas e a aura de celebridade global, ele conheceu Jady Duarte em uma casa noturna. Para Jady, o encontro parecia algo saído de um conto de fadas moderno: o homem mais famoso do planeta a convidando para um camarote. Fotos da noite, íntimas e reveladoras, vazaram rapidamente, tornando-se o assunto mais comentado nas redes sociais globais. O que as manchetes internacionais não contaram, no entanto, foi o passado de Jady Duarte, que trazia uma sombra pesada em sua trajetória pessoal.
O Fantasma de Dina Terror
Jady Duarte era a ex-namorada de Douglas Donato Pereira, mais conhecido no mundo do crime como Dina Terror ou Cu na Cara. Para quem viveu o cotidiano do Rio de Janeiro naquela época, o nome de Dina Terror não trazia boas lembranças. Ele era um dos chefes do Comando Vermelho que operava no morro Vai Quem Quer, um criminoso cuja reputação de crueldade ultrapassava os limites da normalidade. Tão violento era seu modus operandi que ele chegou a ser, segundo relatos da época, afastado das funções pelo Tribunal do Crime de sua própria facção por excesso de brutalidade.
Dina Terror era um homem cujos atos incluíam violações e execuções brutais, gravadas e expostas como forma de intimidação. Sua história, contudo, teve um fim abrupto em março de 2016, meses antes das Olimpíadas, após uma operação da CORE (Coordenadoria de Recursos Especiais), a tropa de elite da Polícia Civil do Rio. Em uma troca de tiros intensa, Dina Terror foi alvejado e morto. Quando Jady Duarte se encontrou com Usain Bolt, ela vivia o luto de uma relação que, embora rompida antes da morte do criminoso, era carregada de uma intensidade que ainda despertava curiosidade e medo nas comunidades cariocas.

A “Sorte” do Relâmpago
O fato de Bolt ter se envolvido com a ex de um criminoso do porte de Dina Terror gerou um choque silencioso entre aqueles que conheciam o histórico do falecido. Em qualquer outra situação, um civil comum que se envolvesse com uma mulher ligada a uma figura como Dina Terror poderia ter sérios problemas com os parceiros que ainda sobravam da facção. No entanto, Bolt possuía uma espécie de “imunidade mágica”. Primeiro, pelo seu status inalcançável de celebridade mundial; segundo, pela própria rapidez que o definia. Como brincou um comentarista da época: “Como você vai matar um cara que corre mais rápido que a bala?”.
Brincadeiras à parte, a realidade é que o mundo do crime, por mais violento que seja, muitas vezes respeita as hierarquias da fama. Tocar em um ícone global como Usain Bolt traria uma visibilidade negativa e uma repressão policial que nenhum traficante, por mais poderoso que fosse, desejaria atrair para sua área. Dina Terror estava morto, e seus antigos comparsas tinham preocupações muito maiores do que vigiar os passos de uma ex-namorada em uma festa olímpica. O episódio serviu apenas como um adendo curioso à biografia de um dos homens mais rápidos da história, um lembrete de que, no Rio de Janeiro, a fronteira entre o brilho das medalhas e a escuridão do crime é muito mais tênue do que os turistas costumam perceber.
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Uma Lição de Vida
Histórias como a de Bolt e Jady Duarte permanecem vivas na memória de quem acompanhou a era dourada do atletismo no Brasil. Ela serve tanto como uma curiosidade pop quanto como um alerta. O Rio de Janeiro é uma cidade de contrastes brutais, onde a glória olímpica e a tragédia cotidiana caminham lado a lado. Usain Bolt saiu do Brasil com suas medalhas e com uma história que, hoje, ele pode contar com um sorriso no rosto, mas que, sob outra perspectiva, revela a perigosa teia social que ainda cerca a vida das pessoas que habitam as comunidades cariocas.
A trajetória de Jady Duarte, por sua vez, mudou drasticamente após aquele encontro. De uma jovem desconhecida a uma figura que, por alguns meses, viu seu nome estampado em jornais britânicos e americanos, ela personifica a efemeridade da fama instantânea. O legado de Dina Terror, felizmente, foi enterrado pela força policial, mas o episódio Bolt-Duarte serve para nos lembrar que, por vezes, a realidade do submundo cruza o caminho do estrelato de formas que nenhum roteirista de Hollywood seria capaz de prever. O “Raio” jamaicano sobreviveu ao perigo, deixando para trás um capítulo que mistura o glamour das Olimpíadas com a aspereza do asfalto carioca, provando que nem tudo o que acontece no Rio fica guardado apenas na lembrança.