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Terrorismo em Visconde do Rio Branco: Minas Gerais banhada em sangue por um ataque psicótico que ceifou quatro vidas em apenas uma hora

Terrorismo em Visconde do Rio Branco: Minas Gerais banhada em sangue por um ataque psicótico que ceifou quatro vidas em apenas uma hora

A pacata rotina da cidade de Visconde do Rio Branco, no interior de Minas Gerais, foi brutalmente interrompida na tarde do dia 23 de junho. Em um espaço de tempo inferior a uma hora, o município viveu momentos de puro terror, quando um homem desencadeou uma sequência de ataques que resultou na morte de quatro pessoas. O episódio, classificado pelas autoridades como um surto psicótico violento ou resultante de uso severo de substâncias entorpecentes, deixou a comunidade em estado de choque, luto e profunda perplexidade.

O responsável pela tragédia foi identificado como Igor Moreira, de 31 anos. A sua ficha criminal era extensa e preocupante, acumulando registos de ameaça, furto, agressões físicas e até um histórico de homicídio qualificado. Após ter cumprido pena em anos anteriores, Igor estava em liberdade, uma circunstância que hoje levanta intensos debates sobre a segurança pública e a reincidência criminal na região.

A Cronologia do Horror

Tudo teve início por volta das 14h40, na Avenida Presidente Artur da Silva Bernardes. Igor vivia no local com a sua companheira, Thaís Ramos Gonçalves, de 31 anos. Num gesto que, em retrospectiva, pareceu um prelúdio da tragédia, Igor retirou as crianças que estavam no imóvel — a sua própria filha e a enteada — colocando-as fora do alcance do perigo antes de trancar a residência. Armado com uma faca, atacou Thaís, uma professora muito querida pela comunidade escolar e pela vizinhança. Ela não resistiu aos ferimentos e faleceu no local.

A fúria de Igor não cessou. Ensanguentado, ele invadiu a casa vizinha e atacou Wagner Batista António Ferreira, de 34 anos. Wagner, num reflexo desesperado de sobrevivência, entrou em luta corporal com o agressor e, apesar de gravemente ferido, conseguiu escapar, tornando-se um dos poucos a sobreviver ao encontro direto com Igor. O criminoso, então, roubou a motocicleta de Wagner e partiu pelas ruas da cidade, iniciando um rasto de destruição.

Durante a fuga, Igor não demonstrou qualquer critério. Armado e sem capacete, assaltou um supermercado e um posto de combustíveis, ameaçando funcionários antes de seguir para novas vítimas. O próximo alvo foi Sidney de Jesus Silva, de 31 anos. Sidney, que trabalhava com serviços gerais, foi surpreendido em sua casa. Apesar das tentativas desesperadas de familiares para trancar o acesso, Igor invadiu o imóvel e tirou a vida de Sidney perante os olhos dos seus entes queridos.

O terceiro homicídio ocorreu logo em seguida, em uma obra próxima, onde o pintor Alexandre José Ribeiro, de 46 anos, foi atacado sem qualquer aviso. O trabalhador não tinha qualquer ligação com o agressor e foi atingido fatalmente enquanto exercia o seu ofício. A notícia dos ataques já circulava freneticamente por grupos de WhatsApp, com moradores a alertar uns aos outros para que se mantivessem dentro de casa.

Visconde do Rio Branco | Cidade | G1

O Desfecho e o Luto

O último alvo de Igor foi Sérgio Adriane dos Santos, conhecido na cidade como “Grilo”. Sérgio, um lavador de automóveis, foi abordado por Igor enquanto o criminoso conduzia a moto roubada. Após uma breve interação motivada pela forma perigosa como Igor conduzia, o agressor desferiu um golpe fatal no peito de Sérgio antes de prosseguir.

A perseguição policial terminou no bairro Santa Clara. Encurralado, Igor recusou-se a entregar a arma branca e investiu contra os agentes militares. Para conter a ameaça iminente, os polícias foram obrigados a disparar. Igor foi atingido e, apesar de socorrido e encaminhado ao hospital, não sobreviveu aos ferimentos.

A morte do agressor encerrou o ciclo de violência, mas deu início a um período de luto profundo. A Câmara Municipal de Visconde do Rio Branco decretou luto oficial, enquanto velórios sob forte comoção popular reuniram centenas de pessoas. O caso, embora encerrado do ponto de vista operacional, continua sob investigação pela Polícia Civil, que trabalha agora na análise de relatórios toxicológicos e na reconstrução detalhada dos passos do criminoso.

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Este trágico evento deixa um rasto de questões sobre a saúde mental e o sistema de justiça brasileiro. Para a população de Visconde do Rio Branco, resta a memória das vítimas — pessoas comuns, professoras, trabalhadores e pais — que tiveram as suas vidas interrompidas de forma brutal e sem sentido. A cidade tenta agora reencontrar o caminho da normalidade, enquanto a investigação busca compreender as raízes de uma loucura que, por pouco, não causou ainda mais destruição.

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