Posted in

O Vexame no G7: A Diplomacia do Desespero e o Isolamento do Brasil no Cenário Global

O Vexame no G7: A Diplomacia do Desespero e o Isolamento do Brasil no Cenário Global

Em uma trama que parece ter saído diretamente dos roteiros mais ácidos de Hollywood, a atual diplomacia brasileira vive um episódio que mistura o trágico ao cômico. O palco desta vez é a cúpula do G7, realizada na França, um ambiente onde se decide o destino da economia mundial e onde o Brasil, apesar de todos os esforços e da insistência do atual governo, luta para encontrar um lugar ao sol — ou, no caso, uma foto estratégica que sirva de bálsamo para sua militância interna.A situação assemelha-se, em muitos aspectos, à obsessão do personagem Rupert Pupkin no clássico “O Rei da Comédia”, de Martin Scorsese. Assim como o protagonista, que persegue desesperadamente a atenção de um ídolo distante, a diplomacia brasileira parece ter desenvolvido uma fixação quase patológica por uma aproximação com Donald Trump. A tentativa de forçar um encontro, mesmo após sinalizações claras de distanciamento, revela o tamanho da fragilidade e da falta de relevância que o país enfrenta hoje no tabuleiro da geopolítica internacional.O G7, vale lembrar, não é um evento aberto a todos. É o clube dos países ultra-ricos, uma elite que discute o futuro do planeta em ambientes restritos. A presença brasileira ali, embora permitida por convites pontuais, é vista por analistas como a de um convidado que tenta, a todo custo, ser protagonista em uma festa onde mal lhe foi dada uma cadeira. O que se viu nos bastidores do evento foi um contraste brutal: enquanto assessores tentavam vender a imagem de uma possível “conversa informal”, a realidade era a de um “vácuo” diplomático sem precedentes.A humilhação, como costumam dizer os críticos, não foi apenas institucional, foi pública. O próprio governo, por meio de seus representantes, viu-se forçado a admitir que um encontro formal entre o presidente brasileiro e o líder americano era, na melhor das hipóteses, “pouco provável”. A tradução desse diplomatês é simples: as portas foram fechadas, e a tentativa de “dar um jeitinho” nos corredores — como se abordasse alguém no saguão de um hotel — soou como uma admissão de derrota para quem tenta vender uma imagem de potência global.O contraste torna-se ainda mais doloroso quando observamos a movimentação de outras figuras políticas brasileiras. Enquanto o atual mandatário busca, sem sucesso, uma selfie de três segundos para as redes sociais, houve relatos de lideranças da oposição sendo recebidas com as honras de um encontro oficial e documentado no salão oval, com direito a pautas estratégicas e conversas de alto nível. Esse cenário escancara um Brasil partido e desmoralizado, onde a política externa parece ser ditada pelo desespero de um grupo que perdeu o compasso da realidade.O foco dessa obsessão não é por acaso. O medo de medidas econômicas mais rígidas, como tarifas de importação que podem impactar diretamente a indústria nacional, impulsiona o governo a essa busca frenética por qualquer canal de comunicação. É a diplomacia do desespero, onde o objetivo não é mais a construção de laços sólidos ou o fortalecimento de parcerias estratégicas, mas sim a tentativa, quase infantil, de evitar uma punição que parece cada vez mais iminente.O que se vê nas redes sociais e nos discursos inflamados é uma coisa; o que ocorre nos corredores de Evang é outra, totalmente distinta. A esquizofrenia política do governo é, talvez, seu maior trunfo para o descrédito internacional. De manhã, no palanque, o discurso é contra o “imperialismo” e a defesa de uma soberania que, na prática, parece não ter peso algum na hora da negociação real. À tarde, a postura é de quem implora por atenção, em uma inversão de papéis que confunde até mesmo os observadores mais experientes.A tentativa de “armar uma tocaia” para um encontro casual nos corredores, um movimento que seria risível se não fosse trágico, diz muito sobre o estado atual do governo. A imagem que se projeta não é a de um estadista que negocia de igual para igual, mas a de alguém que zanza pelo ambiente na esperança de um clique que possa ser distorcido para consumo interno. A necessidade de alimentar a bolha ideológica com narrativas de “convergência de ideias” supera a necessidade de resultados concretos.Ao final desta cúpula, o que restará? Provavelmente, não as medidas econômicas que o país tanto precisa, mas apenas mais uma tentativa frustrada de vender uma vitória onde houve apenas silêncio. A comparação com o filme de Scorsese é, portanto, precisa: assim como Pupkin, o governo brasileiro corre o risco de voltar para casa apenas com a sensação de ter buscado o impossível, enquanto o mundo — e os verdadeiros protagonistas dessa história — seguem seus caminhos sem nem sequer notar a presença do coadjuvante que tentou, a qualquer custo, roubar a cena.Este episódio serve como um espelho para a atual situação nacional. Um governo que aposta na narrativa em vez da eficácia, na forma em vez do conteúdo, está fadado a repetir esses erros onde a realidade é medida por resultados, e não por likes ou engajamento em redes sociais. A pergunta que fica para o cidadão brasileiro, que observa tudo isso de longe e arca com os custos dessa desorientação, é: até quando o país continuará a protagonizar esse papel de figurante em um cenário onde, no passado, já teve voz ativa e respeitada?A diplomacia, diferentemente de um post nas redes sociais, exige seriedade, preparo e, acima de tudo, o reconhecimento do próprio lugar no tabuleiro. O vexame no G7, mais do que uma falha de comunicação, foi um sintoma de algo muito mais profundo: o esvaziamento de uma estratégia de país. Enquanto o Brasil não reencontrar seu papel no mundo, continuará a ser, infelizmente, o personagem de uma comédia pastelão que ninguém — nem os espectadores, nem os atores principais — leva realmente a sério.