STELA DALVA E LETICIA GARCIA: PRIMAS DESAPARECIDAS! ENTREVISTA COM IRMÃ DE TRAZ DETALHES FORTES!

O relógio marca mais de duas semanas desde que o silêncio se instalou na casa de Dona Ana, no município de Jussara. Vinte e um dias, para ser exato. Esse é o tempo que separa uma mãe da última vez em que viu o sorriso de sua filha, Estela Dalva, de apenas 18 anos. Ao lado de sua sobrinha, Letícia Garcia, a jovem desapareceu após uma saída que deveria ser apenas mais um momento de lazer entre jovens, mas que se transformou em um autêntico enredo de terror e angústia que hoje choca todo o estado do Paraná.
Em uma entrevista marcada pela emoção crua, pela dor e pelo cansaço físico e psicológico, Dona Ana e sua filha mais nova, Leuane, abriram o coração para trazer a público os detalhes de uma investigação que corre contra o tempo. O principal alvo das buscas é Cleiton Antônio da Silva Cruz, um homem que, por trás de uma aparência que muitos julgavam comum, escondia um passado perigoso, uma vasta ficha criminal e uma teia de mentiras que capturou o destino de duas jovens inocentes.
A Noite do Desaparecimento: O Último Registro
Era uma segunda-feira à tarde quando Estela estava em casa, descansando. Segundo os relatos de sua irmã Leuane, a jovem não havia planejado uma grande viagem. Deixou o celular carregando, desligado por algumas horas, e saiu sem dar grandes explicações. No entanto, o comportamento que se seguiu quebrou completamente a rotina da família. Estela era conhecida por sempre dar sinal de vida. “Ela sempre mandava um ‘oi’, um boa noite, gravava um vídeo mostrando onde estava”, relembrou a irmã com a voz embargada. Naquela noite, contudo, o contato cessou abruptamente.
As últimas pistas deixadas pela jovem foram postagens em suas redes sociais. A imagem final de Estela, registrada por volta das 11h53 daquela noite, mostra a jovem em frente ao espelho de um posto de combustíveis, momentos antes de seguir para um evento musical que contaria com a apresentação do DJ Guga, na região de Paranavaí. Câmeras de segurança registraram que Estela esteve em sua residência entre as 10h55 e as 11h15 daquela mesma noite, tempo suficiente para se arrumar e pegar algumas peças de roupa — um detalhe que, mais tarde, ganharia grande peso nas investigações.
Estela e Letícia mantinham uma relação de extrema proximidade. Onde uma ia, a outra acompanhava. Foi através dessa ligação que Estela acabou cruzando o caminho de Cleiton. Enquanto Estela havia visto o homem apenas uma ou duas vezes em saídas anteriores, Letícia já possuía uma convivência mais antiga com ele.
O Perfil do Suspeito e as Rotas do Medo
À medida que os dias avançavam sem nenhuma notícia das primas, o véu de mistério que cobria o caso começou a cair, revelando uma realidade assustadora. A descoberta de que o homem que acompanhava as jovens utilizava nomes falsos e possuía diversas identidades chocou a família. Cleiton Antônio da Silva Cruz é apontado pelas investigações como um indivíduo de alta periculosidade, com forte atuação no submundo do crime em Cianorte, cidade de onde ele e Letícia são nativos.
“Foi uma notícia muito chocante que abalou bastante a gente aqui em casa. Veio vários pensamentos negativos”, desabafou Leuane ao descrever o momento em que souberam do histórico do suspeito. Segundo as apurações, Cleiton utilizava recursos financeiros de atividades ilícitas para atrair o público jovem, pagando bebidas e bancando festas para se aproximar e criar laços de dependência. Pessoas próximas indicam que ele nutria um interesse específico por Letícia, tendo inclusive viajado com ela em ocasiões anteriores para a região do Porto São José.
As investigações apontam que, após a saída do evento em Paranavaí, as jovens entraram em uma caminhonete Hilux na companhia de Cleiton e de um segundo homem, cuja identidade ainda está sob averiguação. Testemunhas relatam que o veículo chegou a parar brevemente ao lado de um carro sedan prateado antes de seguir viagem.
O rumo tomado pela caminhonete não foi o de retorno para casa. O sinal do celular de Estela emitiu seu último pulso nas proximidades de Guairaçá. No entanto, as informações mais recentes traçam uma linha direta em direção ao Porto São José. Este trajeto é descrito como uma rota complexa: uma estrada cercada por vastos canaviais, sem iluminação pública, praticamente desprovida de câmeras de segurança e conhecida pela vulnerabilidade ao trânsito de produtos ilícitos. Um cenário ermo que dificulta o trabalho das autoridades e amplia o desespero dos familiares.
O Sexto Sentido de Mãe e a Falta de Apoio
Durante a entrevista, um detalhe doloroso veio à tona. A mãe de Letícia, Dona Maria, já havia manifestado um forte incômodo com a presença de Cleiton. Ela não permitia que o homem estacionasse o veículo em frente à sua residência, uma reação que hoje é interpretada pela família como um pressentimento ou um instinto de proteção materno. “Ela não gostava que ficasse parando gente lá na frente da casa dela para depois ficar saindo converseiro”, explicou Leuane.
A dor da perda é agravada pela sensação de isolamento. Embora o caso tenha gerado comoção, a família nota um silêncio desconfortável por parte de muitos jovens que conviviam com as vítimas. Há uma suspeita velada de que o medo e o receio de represálias estejam impedindo que amigos virtuais e conhecidos compartilhem pedidos de ajuda ou colaborem com informações. Nas redes sociais, as postagens de cobrança por justiça partem, em sua esmagadora maioria, de familiares consanguíneos.
Além disso, a burocracia e o sigilo das investigações policiais têm sido um fardo pesado para Dona Ana. Em visitas recentes à delegacia, a mãe não conseguiu obter as respostas que tanto buscava para acalmar seu coração. Diante do impasse e da necessidade de um direcionamento técnico, a família buscou o auxílio jurídico da Dra. Josiane, profissional descrita como uma defensora incansável que agora centraliza as informações sensíveis para poupar a mãe de novos traumas emocionais.
A Pior Hipótese e o Apelo por Dignidade
Após 21 dias de buscas infrutíferas, as autoridades policiais trabalham fortemente com uma tese dolorosa: a de que as jovens possam ter sido vítimas de um crime violento e definitivo. A ausência de contato e a periculosidade dos envolvidos reduzem as chances de um desfecho favorável, embora a família ainda se apegue à fé em uma providência divina.
O sofrimento de Dona Ana é visível e dilacerante. Uma mulher que já havia enfrentado o luto pela perda do marido, agora se vê consumida pela culpa invisível e devastadora que assombra mães em situações semelhantes. Perguntas sem respostas como “e se eu não tivesse deixado?” ou “por que ele fez isso com ela se nem a conhecia?” ecoam constantemente nas madrugadas sem sono da matriarca.
Em um dos momentos mais marcantes da entrevista, Leuane fez um apelo direto e dramático ao suspeito, que permanece foragido da justiça. Em suas palavras, não há espaço para vingança, apenas o desejo profundo de encerrar um ciclo de incertezas que destrói a saúde de sua mãe dia após dia.
“A gente não quer nada contra ele. Ele sabe o que fez, sabe a dor que está causando. A gente só quer as meninas de volta, independente da situação. Acaba sendo frágil falar isso, mas a gente quer pelo menos o corpo delas, se isso aconteceu. A gente só quer a informação de onde ele as colocou, para termos o direito de nos despedir.”
Dona Ana, com a voz enfraquecida pelas lágrimas, ecoou o sentimento da filha: “Está sendo difícil todos os dias. A gente deita e a cabeça não deixa descansar. Mas a justiça de Deus não falha. Ele pode se esconder onde for, nós vamos achar.”
O Próximo Passo
O caso segue sob segredo de justiça em várias de suas vertentes, mas a comoção popular cresce à medida que as fotos de Cleiton Antônio da Silva Cruz são divulgadas com possíveis alterações em sua aparência — como a ausência de barba. A polícia civil e os advogados da família solicitam que qualquer informação sobre o paradeiro do suspeito ou sobre a movimentação da caminhonete Hilux e do veículo sedan prateado na noite do crime seja reportada imediatamente de forma anônima às autoridades.
Enquanto a justiça dos homens não alcança os responsáveis, o suporte psicológico comunitário foi acionado para amparar Dona Ana e Leuane, que tentam encontrar forças uma na outra para continuar exigindo o direito mais básico que o ser humano possui: o direito à verdade e a uma despedida digna.