A Queda de Ratomen: O Alvo Número 1 que Desafiou a Polícia e Virou “Peneira” na Cidade de Deus

O submundo do crime no Rio de Janeiro é um cenário onde a fama é rápida, mas a queda é, quase sempre, definitiva. Entre as vielas da Cidade de Deus (CDD), na Zona Oeste, um nome ecoou com força entre 2025 e 2026: Gabriel Gomes Faria, o “Ratomen”. De soldado raso a gerente do temido Bairro 13, sua trajetória foi marcada por sangue, ostentação digital e um erro fatal que selou seu destino: tirar a vida de um agente da elite policial fluminense.
A Ascensão: De São Gonçalo ao Trono do Bairro 13
Nascido em São Gonçalo, Gabriel não era um veterano da CDD, mas conquistou seu espaço no Comando Vermelho (CV) com uma agressividade que assustava até os rivais. No Bairro 13, ele não apenas gerenciava pontos de venda de drogas; ele instaurou uma ditadura do medo. Sob seu comando, o tráfico diversificou os lucros: extorsão de comerciantes, controle da venda de gás e o monopólio da internet pirata.
Ratomen transformou a localidade em uma fortaleza. Barricadas pesadas e “ceteiras” (fendas estratégicas em muros de concreto) foram espalhadas por cada canto, preparando o terreno para uma guerra constante contra o Estado.
O Marketing do Crime: O Perfil “Ratomen CDD 13”
Diferente da velha guarda do tráfico, que preferia a sombra, Gabriel amava os holofotes. No Instagram e no TikTok, o perfil Ratomen CDD 13 era um catálogo de crimes: fotos com correntes de ouro maciço, motos de alta cilindrada e fuzis personalizados.
Ele não apenas exibia riqueza; ele debochava. Em vídeos de “rondas” pela comunidade, Ratomen mandava recados diretos às autoridades, afirmando que o Bairro 13 era solo sagrado onde a polícia não punha os pés. Essa audácia atraía jovens recrutas e elevava sua moral dentro da cúpula do Comando Vermelho, tornando-o um “puxador de guerra” em invasões no Morro dos Macacos e outras regiões.
O Erro Fatal: O Gelo Contaminado e a Morte na CORE
O declínio começou em maio de 2025, por um motivo inusitado: gelo. Uma investigação da Polícia Civil descobriu que fábricas clandestinas na CDD produziam gelo com água contaminada para venda na orla da Barra da Tijuca. Ratomen cobrava taxas de proteção dessas fábricas.
Em 16 de maio, a Delegacia do Consumidor e a CORE (Coordenadoria de Recursos Especiais) entraram na comunidade. O que deveria ser uma operação administrativa virou uma praça de guerra. Ratomen, junto com seus comparsas Matuê e Mangabinha, organizou a resistência. Das ceteiras, o grupo abriu fogo. Foi nesse momento que o policial civil José Antônio Lourenço Júnior foi atingido. Sua morte transformou Ratomen no “inimigo público número um” do Rio.
A Caçada Humana e o Cerco Final
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A partir de 3 de junho de 2025, com um mandado de homicídio expedido, a vida de Gabriel virou um inferno. A inteligência da polícia descobriu uma fraqueza: um acidente de moto anterior deixara Ratomen com dores crônicas e dificuldade de locomoção. Ele não era mais o guerreiro ágil das redes sociais; era um homem acuado, escondendo-se em rodízios entre casas seguras.
Na noite de 18 de agosto de 2025, a casa caiu. Sem sirenes, em um silêncio mortal, a CORE cercou seu esconderijo. Ao perceber a invasão, Ratomen escolheu o confronto em vez da rendição. No corredor estreito, a troca de tiros foi fatal. O “bandidão” das redes sociais acabou virando “peneira” diante do poder de fogo da elite policial.
O Efeito Dominó: O Fim do Império
A morte de Ratomen foi o primeiro dominó a cair. O celular apreendido em seu corpo foi uma “mina de ouro” para os investigadores, revelando listas de nomes, planos de ataques e esquemas de lavagem de dinheiro. Logo em seguida, Matuê foi localizado e morto em confronto. Mangabinha, o suposto autor do disparo contra o policial Lourenço, tentou fugir, mas ao retornar à CDD para retomar o controle, também foi neutralizado.
O ciclo se fechou. A ostentação no Instagram deu lugar ao silêncio do saco preto. A história de Ratomen fica como um lembrete brutal de que, no tabuleiro do crime carioca, o xeque-mate da polícia pode demorar, mas é implacável.