Eunápolis: O Epicentro dos Tribunais do Crime Mais Macabros da Bahia e a Sombra da Corrupção

A Costa do Descobrimento, no extremo sul da Bahia, é mundialmente famosa por suas praias paradisíacas, festas vibrantes e um turismo que atrai milhares de jovens todos os anos. No entanto, por trás dos cartões-postais de locais como Porto Seguro e Trancoso, esconde-se uma realidade sombria e sangrenta. A cidade de Eunápolis, vizinha desse polo turístico, transformou-se no cenário de uma guerra territorial implacável entre facções criminosas rivais. O avanço da violência na região é tão alarmante que especialistas e moradores começam a falar em uma “mexicanização” do crime local, onde os assassinatos já não bastam: a decapitação, a mutilação e a espetacularização do terror tornaram-se a regra de um submundo governado por “Tribunais do Crime” extremamente cruéis.
Hoje, Eunápolis figura tristemente no ranking das 100 cidades mais perigosas do Brasil. Para conter o avanço dessas organizações, o governo estadual precisou intensificar a atuação da Rondesp (Rondas Especiais da Polícia Militar), uma tropa de elite destacada para combater o tráfico de drogas que explodiu nos bairros periféricos. A violência que assola o município atinge desde jovens integrados ao crime até trabalhadores inocentes, enquanto os bastidores do poder revelam escândalos de corrupção que misturam autoridades públicas e lideranças das facções.
O “Beco da Morte” e as Operações no Bairro Juca Rosa
O bairro Juca Rosa tornou-se um dos pontos mais críticos do mapa da violência em Eunápolis. Dentro dele, uma localidade específica ganhou um nome puramente revelador: o Beco da Morte. Esse ponto geográfico tem sido o palco de registros bizarros e intervenções policiais violentas.
Em uma quarta-feira, 17 de junho de 2026, o Beco da Morte foi o cenário de mais um confronto fatal. Uma operação da Rondesp entrou no bairro e foi recebida a tiros por criminosos armados. No tiroteio, Grazielle de Assis Santos, de 21 anos, foi atingida. Apesar de ter sido socorrida e levada para o Hospital Regional, ela não resistiu aos ferimentos e teve o óbito confirmado. Com ela, os policiais apreenderam um revólver calibre .38 com a numeração raspada, porções de entorpecentes e uma motocicleta, gerando prejuízo para a facção local.
A morte de Grazielle, no entanto, expôs a forte ligação de jovens com a criminalidade na internet. Após o seu falecimento, fotos da jovem começaram a circular nas redes sociais. Em uma delas, ao tirar o zoom da imagem, revelava-se que ela posava segurando armas e fazendo o famoso sinal de “Tudo Dois” — símbolo de uma das facções atuantes. Além disso, Grazielle ostentava em sua camiseta a foto e o nome de Igor França de Jesus, conhecido na quebrada como “Good”.
Igor “Good”, de 25 anos, também era um velho conhecido da polícia local e possuía uma acusação por homicídio em suas costas. Ele morreu em outra operação anterior da Rondesp. De acordo com os relatos, os policiais realizavam uma ação cujo alvo principal nem sequer era ele, mas, ao avistarem a figura carimbada de “Good”, o confronto foi inevitável. Ele chegou a ser socorrido, mas faleceu no hospital.
O Desaparecimento das Quatro Meninas na Rota do Descobrimento
Um dos primeiros casos de grande repercussão a expor a brutalidade da guerra de facções na região foi o sequestro e desaparecimento de quatro jovens mulheres, moradoras de Eunápolis e Itabela. A tragédia começou a desenhar-se durante uma festa em uma embarcação no distrito de Trancoso, em Porto Seguro.
As jovens envolvidas eram:
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Maria Eduarda Oliveira da Rocha, 15 anos;
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Sibele Rocha Melo, 17 anos (irmã de Maria Eduarda);
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Katherine Ferreira Fortunato, 17 anos;
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Jennifer Amor, 18 anos.
Durante o evento náutico, as adolescentes foram filmadas dançando ao som de música eletrônica e interagindo com homens identificados como membros do Mercado do Povo Atitude (MPA), facção criminosa baseada em Porto Seguro e responsável pela organização do evento. Em um dos vídeos gravados pelos próprios faccionados, uma das jovens faz um gesto de mão alusivo ao MPA. No clipe, a irmã Sibele percebe a gravidade da situação e a repreende imediatamente para não repetir o sinal. No entanto, as imagens circularam amplamente em grupos de WhatsApp.
A rivalidade na região é severa. Enquanto o MPA domina Porto Seguro, o comércio ilegal em Eunápolis, onde as irmãs residiam, era controlado pelo Primeiro Comando de Eunápolis (PCE). Na segunda-feira seguinte à festa, as quatro jovens retornaram para Eunápolis e reuniram-se na casa de Sibele, no bairro Juca Rosa. À tarde, homens armados pertencentes ao PCE invadiram o local em motocicletas e levaram as quatro garotas à força. A principal hipótese investigativa da polícia aponta que o sequestro foi uma vingança cruel do PCE contra as jovens por terem confraternizado com os rivais do MPA.
A polícia de Eunápolis iniciou buscas imediatas, realizando inclusive uma grande varredura em uma área de mata fechada no bairro Juca Rosa, conhecido como um ponto de execução e “Tribunal do Crime”. Nada foi encontrado, e as quatro meninas desapareceram para sempre. Meses depois, em setembro de 2020, uma operação conjunta das polícias Civil e Militar prendeu três homens ligados a tiroteios motivados por essa disputa, apreendendo coletes balísticos, veículos e munições. Dois deles foram apontados como suspeitos diretos do sequestro das jovens, mas acabaram recebendo liberdade provisória da Justiça tempos depois.
A Guerra das Facções: MPA, PCE, CV e BDM
Para compreender a escalada de barbárie em Eunápolis, é necessário entender o xadrez do crime organizado no extremo sul baiano. A região vive sob constante disputa territorial entre quatro grupos principais:
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Mercado do Povo Atitude (MPA): Nascido e desenvolvido em bairros populares de Porto Seguro, tem seu foco no comércio ilegal varejista de entorpecentes e tenta expandir seus domínios. Já teve como líder André Márcio de Jesus, o “Buiu”, que figurou como um dos criminosos mais procurados da segurança pública da Bahia.
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Primeiro Comando de Eunápolis (PCE): Grupo rival do MPA que domina o comércio criminoso dentro de Eunápolis. Seu líder mais conhecido é Edinaldo Pereira Souza, o “Dadá”, detentor de uma extensa ficha criminal que inclui acusações de execução, assaltos e organização criminosa.
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Comando Vermelho (CV) e Bonde do Maluco (BDM): Organizações que travam batalhas sangrentas em várias cidades do estado, cujos reflexos geram alianças temporárias e execuções brutais em Eunápolis.
Cenas Macabras: Corações Arrancados e Vinganças Gravadas em Vídeo
A crueldade nos Tribunais do Crime de Eunápolis atingiu níveis chocantes com o caso de Ruan Diari Costa Pinto, de 23 anos. Em 17 de agosto de 2025, Ruan foi sequestrado em plena luz do dia na Praça Moisés Reis por quatro homens armados. Ele foi levado à força para o bairro Arnaldão, onde passou por um processo de tortura e execução medieval.
Ruan não foi baleado. Seus algozes utilizaram golpes de faca para assassiná-lo e, em um ato extremo de intimidação e demonstração de poder, arrancaram o seu coração do corpo. Toda a ação foi registrada em vídeo e compartilhada em grupos de mensagens para espalhar o terror na cidade. A Polícia Militar, acionada pela Central Fênix, chegou ao local no exato momento em que os criminosos tentavam ocultar o cadáver em uma cova, impedindo a ocultação do corpo, mas os autores conseguiram fugir para a mata.
As investigações apontaram que a morte de Ruan foi uma retaliação direta a uma chacina ocorrida dias antes. Ruan havia aliado-se recentemente a Pedro Brito de Jesus, o “PBL”, de 25 anos. PBL integrava o temido “Baralho do Crime” da Secretaria de Segurança Pública da Bahia e era apontado como um dos principais executores do Bonde do Maluco. Ele era o principal suspeito da Chacina do Bairro Pequi, ocorrida na noite de 9 de agosto de 2025, na rua Santa Terezinha.
Naquela ocasião, dois homens em uma motocicleta Honda Bros 160 realizaram uma emboscada sem chance de defesa contra quatro pessoas. Três homens morreram:
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Ricardo Dias Oliveira, 23 anos;
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Alisson Wagner Bispo, 20 anos;
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Leandro Oliveira, 23 anos (que faleceu no hospital após cirurgia).
Uma quarta vítima, Lucas Souza Andrade, de 27 anos, sobreviveu aos ferimentos. O volume de disparos chocou a vizinhança, que ao sair de casa deparou-se com poças de sangue e corpos estendidos no chão. A execução de Ruan, com a retirada de seu coração, foi a resposta imediata da facção rival a esse ataque de PBL.
A Traição de Ana Luísa e o Tribunal do Crime na Mata
Outro episódio marcante de extrema frieza envolveu a jovem Ana Luísa Lima Brito, de 21 anos. Mãe de três crianças, Ana Luísa era ativa no submundo do crime e utilizava as suas próprias redes sociais para divulgar e comercializar entorpecentes, atuando como uma espécie de “narco-influencer”.
A mãe de Ana Luísa, conhecida como “Li Lima”, era muito próxima da filha e sabia de suas atividades, tendo tentado por diversas vezes arrumar empregos honestos para tirá-la daquela vida — tentativas que foram categoricamente rejeitadas pela jovem. Ana Luísa mantinha um relacionamento afetivo com Mateus Rodrigues de Souza, de 24 anos, que havia acabado de sair da cadeia. Ambos faziam parte do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE).
No entanto, em uma reviravolta de bastidores, Ana Luísa decidiu “rasgar a camisa” do PCE para aliar-se à facção rival, o BDM. Para provar sua lealdade ao novo grupo, ela aceitou armar uma “casinha” (emboscada) para o próprio namorado.
Em 23 de novembro de 2025, imagens de câmeras de segurança de um estabelecimento comercial no bairro Guzmão registraram o momento em que Mateus e Ana Luísa faziam compras. Enquanto Mateus escolhia produtos nas prateleiras, Ana Luísa permanecia imóvel, com os olhos fixos no celular, supostamente enviando a localização exata do namorado para os executores do BDM.
Repentinamente, um homem de capacete entrou na loja e efetuou diversos disparos contra Mateus. Todos os clientes e funcionários correram em pânico — menos Ana Luísa, que permaneceu fria, segurando o celular. Após o atirador sair, ela aproximou-se do corpo de Mateus e gravou um vídeo desesperado, encenando gritos de horror: “Meu Deus do céu, eles mataram meu namorado!”. Segundos depois, o executor voltou ao estabelecimento, esbarrou em Ana Luísa e disparou ainda mais vezes contra o corpo caído de Mateus para garantir a execução.
A farsa de Ana Luísa, contudo, durou pouco. Os integrantes do PCE desconfiaram da história e descobriram a traição. No dia seguinte, 24 de novembro, Ana Luísa foi sequestrada e submetida ao Tribunal do Crime de sua antiga facção. Ela foi levada para uma área de mata fechada durante a noite. Os criminosos filmaram o seu interrogatório final, onde o seu corpo já exibia severos hematomas e cortes decorrentes de sessões de tortura, antes de ser brutalmente executada.
Inocentes na Linha de Frente: O Caso do Motorista de Aplicativo
A paranoia das facções em Eunápolis não poupa quem está fora do crime organizado. O caso de Everton Antônio dos Santos ilustra o ápice da injustiça provocada pelo tráfico. Everton era um cidadão comum, trabalhador e motorista de aplicativo que residia no centro de Eunápolis.
Sua rotina mudou quando começou a namorar uma moradora do bairro Alecrim, uma área periférica sob rígido controle do Comando Vermelho. Everton frequentava a localidade com regularidade para visitá-la. Devido à sua profissão de motorista, Everton tinha uma ampla lista de contatos em seu aparelho celular, incluindo os números de alguns policiais militares que conhecia socialmente.
Para a lógica distorcida e paranoica dos traficantes do Alecrim, possuir contatos de PMs no celular era a prova definitiva de que ele atuava como um informante (um “X9”). Em 13 de maio de 2025, logo após buscar o seu enteado na escola, Everton desapareceu. Ele foi capturado por traficantes do CV, levado para um cativeiro e submetido a um interrogatório violento. Seu celular foi vasculhado e os números dos policiais selaram o seu destino.
Everton foi torturado e esquartejado. Seus assassinos filmaram toda a decapitação do trabalhador inocente. O trauma da família foi imensurável: os criminosos enviaram o vídeo da cabeça de Everton sendo arrancada do corpo diretamente para o celular da própria mãe do motorista. Não satisfeitos, os traficantes também enviaram as imagens para um dos policiais da lista de contatos, acompanhadas da mensagem de deboche: “Toma aí seu X9”, numa tentativa cruel de intimidação contra as forças de segurança.
O Bilhete ao Lado do Corpo de Eduarda
Outro crime assustador com características de aviso público foi o de Eduarda Rodrigues dos Santos, de 22 anos. No dia 2 de setembro de 2025, o corpo da jovem foi encontrado decapitado na rua São Lourenço, no bairro Santa Lúcia.
Eduarda havia sido sequestrada horas antes junto com outras duas mulheres por supostos membros do Comando Vermelho. O motivo do sequestro seriam alegações de que ela estaria associada ao grupo rival, o Bonde do Maluco (chamados de “alemães” no jargão do crime). Ao lado da cabeça degolada de Eduarda, a polícia encontrou um bilhete manuscrito deixado pelos executores como uma clara advertência para o restante da população:
“Eu, Duda, fui para uma alaranjada de abraçar a ideia dos alemãos contra o CV. Por isso eu digo a todos para não fazer o que eu fiz, pois o destino é cruel, o comando não aceita traição.”
Corrupção Institucional: A Diretora do Presídio e o Prefeito
A violência bárbara nas ruas de Eunápolis encontra eco em esquemas de corrupção que corroem as instituições públicas da cidade, provando que o crime organizado conseguiu penetrar nas esferas de fiscalização e poder.
O Caso Jonelma Silva Neres
Jonelma Silva Neres fez história ao tornar-se a primeira mulher a chefear um presídio no estado da Bahia, assumindo a direção do Conjunto Penal de Eunápolis em 14 de março de 2024. Era uma posição de enorme destaque, fruto de muito esforço em uma carreira de segurança pública. No entanto, as investigações revelaram que Jonelma optou por desonrar o seu juramento.
Ao assumir o cargo, Jonelma aproximou-se de Edinaldo Pereira Souza, o “Dadá”, líder máximo do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) que cumpria pena na unidade. Inicialmente motivada por vantagens financeiras, Jonelma acabou envolvendo-se afetivamente com o traficante. A relação amorosa transformou o presídio em uma extensão das operações da facção. sob a gestão de Jonelma, os detentos do PCE desfrutavam de regalias inimagináveis para um sistema prisional, transformando o cumprimento de pena em uma espécie de “férias”:
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Acesso a frigobares nas celas;
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Alimentação diferenciada, incluindo moquecas e pratos de primeira linha;
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Facilitação do contato direto dos presos com comparsas do lado de fora.
O relacionamento íntimo entre a diretora e o detento ocorria dentro do próprio presídio e tornou-se de conhecimento geral entre funcionários e detentos. Para manter o controle absoluto do esquema, Jonelma passou a direcionar as contratações e demissões de servidores da unidade. Qualquer funcionário que se recusasse a fazer vista grossa ou tentasse denunciar os abusos era sumariamente demitido e substituído por pessoas alinhadas ao esquema.
As investigações também apontaram ramificações políticas no presídio. O ex-deputado federal Odorico Júnior, que planejava concorrer à prefeitura de Teixeira de Freitas, aliou-se a Jonelma e Dadá em um esquema de compra de votos. A estratégia consistia em usar os detentos do PCE para influenciarem seus familiares e amigos do lado de fora a votarem no político, em troca de pagamentos de R$ 100. Em sua defesa, o político alegou que esteve no presídio apenas para tratar de assuntos ligados aos direitos humanos.
Além disso, o nome de Jonelma esteve associado a crimes de sangue. Ela foi apontada como o pivô da fuga em massa de 16 detentos do complexo prisional de Eunápolis. Supostamente, também ordenou a execução de um jovem de 22 anos, proprietário de uma página de fofocas local, que havia publicado uma postagem chamando-a de “miliciana”. Jonelma acabou sendo presa pela polícia e, na ocasião de sua detenção, estava grávida de um bebê prematuro.
O Escândalo Político do Prefeito Robério
A crise estrutural de Eunápolis estende-se ao Poder Executivo municipal. A cidade é governada por Robério, um político que faz parte da chamada “elite regional” do sul da Bahia. Sua família possui forte influência política na região, controlando historicamente as prefeituras de Eunápolis e Porto Seguro.
A ficha corrida do prefeito acumula denúncias e escândalos desde o ano de 2010. Em 2012, a Justiça da Bahia o condenou a 3 anos e 3 meses de reclusão pelo uso indevido de recursos públicos voltados para a autopromoção e publicidade governamental ilegal. No ano de 2021, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Fraternos, prendendo ex-prefeitos e colocando Robério novamente no centro de acusações graves de corrupção, fraudes em licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O prefeito é acusado de desviar milhões de reais dos cofres públicos que deveriam ser destinados ao asfaltamento das ruas da cidade. Ao navegar pelo Google Maps nas periferias e bairros de Eunápolis, nota-se que o asfalto é de péssima qualidade ou simplesmente inexistente, deixando a infraestrutura urbana em completo caos. Para piorar a indignação popular, um vídeo vazado na internet mostrou o prefeito e a sua esposa debochando publicamente das denúncias de desvio de dinheiro.
Apesar de todas as investigações e de ter sido preso pela PF — sendo solto apenas dois dias depois por decisões judiciais —, Robério conseguiu retornar ao cargo de prefeito após vencer uma eleição extremamente acirrada. Sua permanência no poder é garantida através de manobras políticas e da distribuição de benesses à população mais humilde nas vésperas do pleito. Relatórios jornalísticos de 2025 indicaram que a sua situação jurídica permanece delicada, mas ele segue no comando da máquina pública.
Conclusão: Uma Cidade em Estado de Sítio
Eunápolis resume o drama da segurança pública no interior do Nordeste brasileiro. Uma cidade de porte médio, estrategicamente posicionada ao lado de paraísos turísticos, que acabou sendo engolida pela barbárie das facções criminosas. Os requintes de crueldade praticados em Juca Rosa, Alecrim e Arnaldão — com corações arrancados, decapitações enviadas às mães e traições filmadas em alta definição — demonstram que o crime organizado local opera sem qualquer temor perante as leis do Estado.
Quando a própria direção do presídio se alia ao líder do tráfico para obter vantagens amorosas e financeiras, e o gestor municipal é acusado de desviar verbas essenciais enquanto debocha da população, fica evidente que a violência das ruas é alimentada pela degradação das instituições. Eunápolis vive a rotina tensa de uma capital em guerra, onde o próximo Tribunal do Crime pode ditar o destino de qualquer um.
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