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O CASO DAS PRIMAS DESAPARECIDAS: Nome Falso, Caminhonete Clonada e o Último Registro em Boate que Chocou a Polícia

O Enigma das Primas de Cianorte: Entre Nomes Falsos, Caminhonetes Clonadas e um Destino Sombrio

O desaparecimento das primas Letícia Garcia Mendes e Stela Dalva Melegari e Almeida, ambas de apenas 18 anos, transformou-se em um dos quebra-cabeças mais perturbadores da crônica policial recente do Paraná. O que começou como um convite para uma noite de diversão em abril de 2024, evoluiu para uma trama densa que envolve identidades falsas, um fugitivo com múltiplos rostos e um silêncio digital que assombra as famílias das jovens até hoje.

O Início: Um Convite e uma Mudança de Planos

Tudo começou na noite de 20 de abril. As primas, residentes na região de Cianorte, noroeste do estado, planejavam ir a um evento. Inicialmente, o destino seria Porto Rico ou Maringá. Três amigas foram convidadas, mas uma desistiu no último minuto — um detalhe que, hoje, soa como um golpe de sorte do destino para aquela que ficou.

Letícia e Stela aceitaram a carona de um homem que Letícia acreditava chamar-se Davi. Contudo, a investigação da Polícia Civil revelou uma face muito mais sinistra: o motorista era, na verdade, Cleiton Antônio da Silva Cruz, de 39 anos, conhecido no submundo pelos apelidos de “Dog Dog” ou “Sagazz”. Cleiton não era apenas um conhecido; ele era um homem que vivia sob sombras. Em Cianorte, ele alugou uma chácara usando o nome de “Vitor”; na academia, apresentava-se de outra forma. Ele era um camaleão, operando com pelo menos quatro nomes diferentes.

A Cronologia do Desaparecimento

A cronologia dos fatos, capturada por câmeras de segurança e registros de redes sociais, monta um cenário de crescente tensão:

  1. 20 de Abril, 22:39: As jovens são vistas saindo de Cianorte em uma caminhonete Hilux preta conduzida por Cleiton.

  2. 22:54: O veículo entra em Jussara. Stela desce rapidamente em sua casa para pegar uma mochila. Este detalhe é crucial: por que levar uma mochila para uma saída que deveria ser rápida? Relatos indicam que algumas roupas das jovens também sumiram.

  3. 23:55: Stela faz uma postagem enigmática no Instagram. Uma garrafa de uísque, música alta no carro e a pergunta que hoje ecoa como uma premonição: “Qual será o nosso destino? kk”.

  4. 21 de Abril, 01:10: Ao contrário do plano original, o trio chega a uma casa noturna em Paranavaí. Imagens exclusivas mostram as primas entrando na boate de mãos dadas ao lado de Cleiton. Esta é a última imagem delas com vida.

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O Suspeito e o Veículo “Fantasma”

Cleiton Antônio da Silva Cruz não era um cidadão comum. Além do uso de nomes falsos, a caminhonete Hilux que ele dirigia era clonada. A polícia destaca que o veículo não foi destruído ou queimado, pois possuía alto valor para as atividades ilícitas do suspeito.

O comportamento de Cleiton após a noite da festa é o que mais intriga as autoridades. Ele retornou sozinho para Cianorte entre os dias 22 e 23 de abril. Mas ele já não estava com a Hilux. Em vez disso, ele deixou a cidade em uma motocicleta, sem levar celular, e desapareceu completamente. No dia 29 de abril, sua prisão temporária foi decretada. Descobriu-se, então, que ele já era foragido por um roubo ocorrido em 2023 na cidade de Apucarana.

As Linhas de Investigação: Homicídio ou Tráfico Humano?

A Polícia Civil trabalha com duas frentes principais, ambas sombrias:

  • Duplo Homicídio: O tempo decorrido, a falta de contato e o perfil do suspeito levam o delegado a considerar esta como a hipótese mais forte. Buscas foram realizadas em áreas de mata em Paranavaí, onde o sinal da ERB (Estação Rádio Base) do celular de Cleiton indicou atividade após a saída da boate.

  • Tráfico Humano ou Saída Voluntária: O fato de terem levado roupas e uma mochila levanta a suspeita de aliciamento ou falsas promessas de trabalho. A polícia não descarta que as jovens possam ter sido levadas para fora do estado ou até para fora do Brasil, embora não haja evidências concretas de travessia de fronteira até o momento.

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O Silêncio Digital e a Angústia Familiar

O que mais fere os familiares é o silêncio repentino. Stela era ativa nas redes sociais e mantinha contato constante com a mãe. O fato de o sinal de celular de Letícia e Stela ter desaparecido logo após a saída da boate, enquanto o de Cleiton continuou ativo por mais tempo, sugere que algo drástico aconteceu naquela madrugada.

A demora de dois dias para a notificação oficial do desaparecimento à polícia é vista como um obstáculo, pois as primeiras 48 horas são fundamentais em casos de sumiço.

Conclusão: Um Quebra-cabeça sem Peças

O caso das primas de Cianorte é um lembrete brutal sobre os perigos que podem se esconder atrás de um “rosto conhecido” e de uma carona aparentemente inofensiva. Letícia e Stela desapareceram no vácuo de uma vida dupla vivida por Cleiton.

Até que ele seja capturado ou que vestígios conclusivos sejam encontrados nas áreas de mata ou através da perícia digital, a pergunta continua sem resposta: Onde estão as primas? O mistério permanece, e a cada dia que passa, o cenário torna-se mais denso e as esperanças, embora resistentes, enfrentam a frieza dos fatos.