O Rosto de Anjo que Escondia uma Psicopata: A Chocante História de Sararat, a Maior Assassina em Série da Tailândia

Por trás de um sorriso caloroso e de uma fisionomia pacífica, pode se esconder o mais puro sadismo. Na Tailândia, um país conhecido por suas paisagens paradisíacas e pela profunda espiritualidade de seu povo, a máscara de uma mulher pacata caiu da forma mais dramática possível. O que começou com um colapso súbito às margens de um rio sagrado revelou uma teia macabra de ganância, traição e sangue. Esta é a história de Sararat Rangsiwuthaporn, a mulher que transformou a confiança de seus amigos mais íntimos em uma sentença de morte silenciosa, usando uma das substâncias mais letais conhecidas pela humanidade: o cianeto.
O Ritual da Morte no Rio Mae Klong
A manhã de 14 de abril de 2023 parecia perfeita na província de Ratchaburi, ao oeste de Bangkok. Siriporn Khanwong, carinhosamente chamada de “Koi” por aqueles que a amavam, era uma mulher de 32 anos bem-sucedida no setor financeiro e de investimentos. Movida por sua fé budista, ela foi até as margens do rio Mae Klong para realizar o Fang Shen, um ritual tradicional que consiste na soltura de peixes de volta à natureza. O ato, que visa gerar bom karma e celebrar a compaixão por todos os seres vivos, transformou-se, de maneira cruel e irônica, no cenário de sua execução.
Poucos minutos após chegar ao local, Koi desabou. Seu corpo entrou em um colapso violento e repentino. Testemunhas chocadas chamaram os serviços de emergência, mas o socorro foi inútil: a jovem e saudável financista foi declarada morta ainda no local. A princípio, o caso parecia uma trágica fatalidade médica, talvez um ataque cardíaco fulminante. No entanto, a ausência total de seus pertences pessoais — como sua bolsa, carteira com cerca de R$ 6.000 em espécie e, principalmente, seu telefone celular — acendeu um alerta vermelho para a polícia local.
O verdadeiro horror começou a ser desenhado pelas câmeras de vigilância da região. As imagens registraram que Koi não havia chegado sozinha ao rio. Ela estava acompanhada por uma amiga de longa data, Sararat, de 36 anos. O comportamento de Sararat no vídeo foi o que arrepiou a espinha dos investigadores: enquanto Koi caminhava em direção à morte, Sararat andava sem rumo, hesitava, olhava para trás e, após o colapso da amiga, não correu para pedir ajuda, não gritou e não esboçou qualquer reação de desespero. Com uma frieza cirúrgica, ela caminhou calmamente de volta ao carro, levando consigo todos os pertences de Koi, e desapareceu na estrada.
A Substância Sombria: O Laudo que Mudou Tudo
A insistência da mãe de Koi, Thongpin, de que sua filha jamais sumiria sem deixar rastros e que gozava de excelente saúde, forçou as autoridades a realizarem uma autópsia detalhada. O exame toxicológico trouxe à tona uma verdade aterradora: os vasos sanguíneos de Koi continham vestígios de cianeto.
O cianeto é um composto químico altamente restrito e ilegal na maior parte do mundo devido à sua extrema letalidade. Ele age bloqueando a capacidade das células de absorver oxigênio, matando a vítima por asfixia celular interna em questão de minutos. Os sintomas incluem tontura extrema, convulsões, taquicardia e colapso respiratório. Diante da descoberta, a polícia percebeu que não estava investigando uma morte natural, mas sim um assassinato premeditado e executado a sangue frio.
O Efeito Dominó: O Despertar de um Monstro
A prisão de Sararat pelo homicídio de Koi foi apenas a ponta de um iceberg monumental. Assim que o caso e a foto da suspeita ganharam as manchetes dos principais jornais da Tailândia, o telefone da polícia não parou mais de tocar. Famílias de diferentes províncias do país começaram a relatar histórias assustadoramente idênticas: parentes e amigos que conheciam Sararat, que haviam emprestado dinheiro a ela e que, logo em seguida, haviam morrido de forma “súbita” e misteriosa, diagnosticados erroneamente com ataques cardíacos.
À medida que os investigadores cruzavam os dados, um padrão sinistro e sistemático emergiu. Sararat estava em atividade há pelo menos oito anos, desde 2015, espalhando o terror por pelo menos oito províncias tailandesas — o equivalente a quase 10% do território nacional. Ao todo, as autoridades conseguiram ligar Sararat a pelo menos 15 envenenamentos por cianeto. Dessas 15 vítimas, apenas uma conseguiu sobreviver para contar a história.
Kantima Phanthavong, de 36 anos, foi a única milagrosa sobrevivente. Ela havia emprestado cerca de R$ 36.700 para Sararat. Logo após um jantar com a criminosa, Kantima começou a vomitar violentamente e desmaiou. Graças ao socorro médico imediato e a uma dose massiva de sorte, ela sobreviveu ao que os médicos chamaram de um verdadeiro milagre, tornando-se uma peça-chave para desmascarar o modus operandi da assassina.
Motivação Fútil: O Vício que Alimentava a Morte
Como uma mulher grávida e mãe de dois filhos conseguiu se transformar em uma das maiores predadoras da história moderna da Ásia? A resposta reside em um vício destrutivo: os jogos de azar online.
Sararat vivia uma vida dupla e caótica. Embora fosse casada com um oficial de polícia de alta patente, ela estava afundada em dívidas astronômicas causadas por cassinos virtuais. Relatórios da investigação apontaram que ela chegava a perder a impressionante quantia de R$ 156.000 em um único dia de apostas. Para sustentar esse vício avassalador, ela criou um mecanismo macabro: aproximava-se de pessoas bem-sucedidas financeiramente, conquistava sua total confiança, pedia grandes somas de dinheiro emprestado e, quando chegava o momento de pagar ou quando percebia a oportunidade de roubar mais, ela eliminava os credores.
As investigações provaram que Sararat era extremamente criativa na administração do veneno. Ela misturava o cianeto em alimentos, cápsulas de remédios para emagrecer, xaropes para tosse, café ou chás de ervas oferecidos casualmente às vítimas como gestos de “carinho”. Entre os mortos estavam amigos íntimos, colegas de trabalho de seu marido e até mesmo seu próprio namorado na época, de quem ela estava grávida de três meses. Ninguém estava seguro perto dela.
Nota da Investigação: A negligência inicial e a falta de recursos forenses avançados em áreas rurais da Tailândia permitiram que Sararat agisse impunemente por quase uma década. Como o cianeto desaparece rapidamente do organismo se não for buscado especificamente em exames de sangue logo após o óbito, as mortes eram rotuladas como causas naturais pela polícia local.
Cumplicidade na Sombra da Lei
O escândalo tomou proporções ainda maiores quando o ex-marido de Sararat, Vitun, um tenente-coronel da polícia tailandesa, foi arrastado para o centro das investigações. A polícia descobriu que, apesar de estarem divorciados no papel, eles ainda dividiam a mesma residência oficial e mantinham uma parceria criminosa.
Vitun não era apenas um espectador complacente; ele ajudou ativamente Sararat a ocultar evidências cruciais do assassinato de Koi e a extorquir dinheiro das famílias de outras vítimas após as mortes. A queda de um oficial de alto escalão expôs as feridas da corrupção institucional no país e gerou uma onda de indignação pública generalizada.
A montanha de provas físicas recolhidas na residência do casal foi avassaladora:
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Um frasco de cianeto puro escondido em meio ao lixo doméstico;
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Histórico de pesquisas detalhadas na internet sobre como comprar e usar cianeto;
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Pertences e joias de Koi encontrados em uma loja de penhores local sob o nome de Sararat;
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Vestígios microscópicos de cianeto encontrados nos assentos do carro utilizado no dia do crime na margem do rio.
O Julgamento e o Fim da Linha
Apesar de enfrentar uma enxurrada de evidências incontestáveis, Sararat manteve uma postura de negação absoluta, recusando-se a responder às perguntas dos interrogadores com um silêncio cínico. No entanto, o sistema judiciário tailandês agiu com rigor diante da monstruosidade dos atos. A megafrente de investigação envolveu o depoimento de mais de 900 testemunhas e a análise minuciosa de mais de 26.000 documentos.
Em 20 de novembro de 2024, o Tribunal Criminal de Bangkok proferiu a primeira sentença histórica: Sararat foi considerada culpada pelo homicídio premeditado de Siriporn “Koi” Khanwong e condenada à pena de morte. Seu ex-marido, Vitun, recebeu uma sentença de 1 ano e 4 meses de prisão por seu papel na ocultação de provas. Pouco tempo depois, em um segundo julgamento referente à morte de outra vítima (o Major Nep Sanhan), Sararat recebeu sua segunda condenação à pena de morte.
Com outros 13 julgamentos de homicídio ainda agendados em seu calendário judicial, estima-se que Sararat possa acumular até 15 sentenças de morte consecutivas. Embora a pena capital seja extremamente rara e raramente executada na Tailândia moderna — com apenas dois registros oficiais desde o ano de 2009 —, juristas e a opinião pública concordam que a gravidade sem precedentes dos crimes de Sararat forçará o Estado a abrir uma exceção definitiva.
O caso de Sararat serve como um lembrete sombrio de que os piores monstros não usam garras ou presas; eles usam rostos familiares, palavras doces e promessas de amizade. A tecnologia moderna, as câmeras de monitoramento e a persistência de famílias enlutadas finalmente colocaram um fim ao reinado de terror da “Envenenadora da Tailândia”, garantindo que seu rosto angelical seja lembrado para sempre como o símbolo da mais pura psicopatia.