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NENHUMA PRISÃO CONSEGUIU DETÊ-LO! A ALUCINANTE E SANGRENTA SAGA DE FILIPIM BRANCO, O REI DAS FUGAS

NENHUMA PRISÃO CONSEGUIU DETÊ-LO! A ALUCINANTE E SANGRENTA SAGA DE FILIPIM BRANCO, O REI DAS FUGAS

O submundo do crime no Brasil é repleto de personagens cujas histórias parecem saídas diretamente de um roteiro de ação de Hollywood. No entanto, poucas trajetórias são tão audaciosas, violentas e ultrajantes para as forças de segurança pública quanto a de Felipe Moreira Quirino, mundialmente conhecido nos relatórios policiais e nas páginas de jornais como “Filipim Branco” (ou Felipinho Branco). Atuando com mão de ferro na região do Vale do Aço e no Leste de Minas Gerais, este homem desafiou o Estado, liderou quadrilhas ultra-armadas e transformou presídios de segurança máxima em meras salas de espera para suas próximas e mirabolantes fugas. Até hoje, o seu rastro é sinônimo de terror, e a pergunta que ecoa nos quartéis permanece sem resposta: como um único homem conseguiu ridicularizar o sistema tantas vezes?

O Nascimento de um Especialista em Terror

Nascido por volta de 1991 na cidade de Caratinga, Felipe Moreira Quirino não demorou a escolher o caminho da criminalidade. Embora sua família tivesse raízes profundas naquela região, foi no dinâmico e industrial Vale do Aço que o jovem “Filipim Branco” cresceu e começou a desenhar uma das fichas criminais mais extensas e temidas do estado de Minas Gerais. O crime corria em suas veias desde a adolescência.

Com apenas 19 anos, em 2010, Filipim já era alvo de prisões na cidade de Betim. Naquela época, ele já não andava com amadores; foi capturado ao lado de Lucas Diego, um impiedoso matador de aluguel acusado de executar friamente pelo menos oito pessoas na cidade de Contagem. Naquela altura, a polícia de Ipatinga já acumulava registros de Filipim por roubo à mão armada e formação de quadrilha. Rumores locais apontavam inclusive sua participação no violento incêndio de um ônibus coletivo na região. Mas o jovem criminoso queria mais. Ele não queria ser apenas mais um assaltante de esquina; ele buscava o poder real e o dinheiro grosso. E ele encontrou a sua verdadeira vocação na fumaça e no estilhaço das explosões de caixas eletrônicos.

A Conexão Nelson Hungria: A Aliança com o Império de “Pelé”

A virada de chave na carreira de Filipim Branco aconteceu atrás das grades, mais especificamente no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem — uma das prisões que, teoricamente, deveria abrigar os criminosos mais perigosos do Estado sob vigilância severa. Foi ali que Filipim tornou-se vizinho de cela de Jander Carlos Jerônimo, o temido “Pelé”.

Pelé não era um bandido comum. Ele liderava uma organização criminosa gigantesca, estruturada com a precisão e a hierarquia de uma multinacional do crime. Mesmo trancado na Nelson Hungria, Pelé controlava o tráfico internacional de drogas e ordenava ataques a bancos por todo o estado. Ao notar a audácia e a frieza de Filipim Branco, Pelé o transformou em seu principal operador nas ruas.

A rede de Pelé trazia mensalmente cerca de meia tonelada de maconha diretamente do Mato Grosso e do Paraguai para abastecer cidades como João Monlevade, Coronel Fabriciano, Ipatinga e Caratinga. A estrutura contava com gerentes de fuga, lavadores de dinheiro e uma rede logística impecável que convertia o dinheiro roubado dos bancos em armas pesadas e mais drogas. Quando o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) desmantelou parte do bando em 2018, Pelé conseguiu fugir de forma espetacular. Ele passou a ostentar uma vida de luxo com documentos falsos em Cabo Frio e Balneário Camboriú, sendo capturado tempos depois pela polícia catarinense enquanto se divertia no parque de diversões Beto Carrero World. Após escapar novamente e fugir para os Estados Unidos, Pelé foi finalmente caçado e preso pelo ICE (a polícia de imigração americana) na Filadélfia, em 2023. Mas, enquanto o império do mestre desmoronava, o pupilo Filipim Branco elevava o caos a um nível completamente novo.

Execuções Cruéis e Fugas Sobre Duas Rodas

Filipim Branco não era apenas o cérebro das explosões; ele era um homem de gatilho fácil. Em fevereiro de 2012, no bairro Veneza 2, em Ipatinga, ele demonstrou sua faceta mais cruel. Por causa de uma disputa passional envolvendo uma mulher, Filipim interceptou Jamerson Andrade dos Santos Oliveira, de 30 anos, na frente de uma pizzaria e o executou sem piedade com 15 tiros à queima-roupa. O crime chocou a comunidade pela brutalidade e pela certeza de impunidade que o criminoso exibia.

Nas ruas, Filipim tornou-se uma lenda urbana devido à sua habilidade extraordinária de fuga. Enquanto seus comparsas costumavam ser encurralados e capturados em carros pesados, Filipim utilizava motocicletas de alta cilindrada. Ele dominava técnicas de pilotagem que permitiam cortar terrenos acidentados, matagais, vielas e lamas onde nenhuma viatura de quatro rodas ousava entrar. Ele repetidamente deixava seus parceiros de crime para trás para serem presos, sabendo que, assim que estivesse livre, recrutaria facilmente uma nova leva de jovens fascinados pelo dinheiro fácil para compor suas próximas frentes de ataque.

O Terror das Cidades Sitiadas

Bị bắt vì cho nổ máy ATM ở Vale do Aço, Filipim Branco trốn khỏi nhà tù | Portal Diário do Aço

A assinatura de Filipim Branco era o terror estrito. Vilas pacatas do interior de Minas Gerais eram transformadas em zonas de guerra da noite para o dia. Em janeiro de 2018, a pequena e pacata cidade de Dom Cavati — um município de apenas seis mil habitantes — viveu o seu pior pesadelo. Uma quadrilha comandada por Filipim invadiu o local a bordo de duas caminhonetes L200. Os criminosos fecharam os acessos, cercaram o perímetro e começaram a disparar rajadas de fuzil para o alto, aterrorizando os moradores. Enquanto as paredes das casas tremiam com os tiros, o bando detonou simultaneamente as agências do Sicoob e do Itaú, reduzindo os locais a escombros antes de desaparecerem na noite. O nível de audácia era tamanho que, durante o tiroteio, imagens gravadas mostraram animais de carga andando assustados pelas ruas paralelas sob o som de balas de grosso calibre.

Após uma tentativa frustrada de explosão em Dores do Turvo, onde um vigilante heróico trocou tiros com o bando, as forças policiais conseguiram fechar o cerco. Seis integrantes foram capturados e um deles morreu em um confronto violento em Belo Horizonte. Filipim Branco foi novamente enviado para o sistema prisional, passando pela temida penitenciária de Francisco Sá. Mas o sistema parecia incapaz de segurar o “Rei das Fugas”.

O Último Desafio: A Humilhação do Sistema em Formiga

Se o sistema prisional mineiro acreditava que havia domado Felipe Moreira Quirino, o dia 6 de dezembro de 2023 provou o contrário de forma humilhante. Filipim estava custodiado na Penitenciária Regional de Formiga, no Centro-Oeste do estado. Sabendo que o local possuía forte esquema de vigilância, ele arquitetou um plano milimetricamente coordenado com os outros detentos.

Sob o pretexto de receber um atendimento jurídico, Filipim foi retirado de sua cela. No meio do caminho, ele solicitou permissão para usar o banheiro. Naquele exato segundo, em uma ação perfeitamente ensaiada, um segundo preso na área da lavanderia rendeu violentamente o policial penal que o escoltava. O alarme ecoou e a guarda correu em massa para conter a crise e salvar o colega rendido. Era a distração perfeita. Sozinho no banheiro, Filipim Branco arrancou a grade da janela, saltou para o pátio externo, pulou os muros da prisão e correu em direção à liberdade, desaparecendo nas matas dos bairros Santana e Santana I.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejuspe) mobilizou contingentes massivos, cães de faro e barreiras rodoviárias, mas o esforço foi inútil. Filipim Branco sumiu sem deixar rastros.

Com uma ficha que ostenta execuções, tentativas de homicídio, tráfico internacional, explosões de bancos e roubo majorado, Filipim Branco permanece solto, desafiando abertamente as autoridades brasileiras. Ele provou que, para um especialista em fugas, as grades são apenas uma sugestão. A caçada continua, mas a lenda de que “nenhuma prisão conseguiu detê-lo” segue mais viva do que nunca.