O ano é 43. de. Crist. As ruas de Roma estão em silêncio, [música] enquanto várias legiões armadas se posicionam nos arredores da cidade. E o Senado, [música] a instituição mais poderosa do mundo antigo, está trancado em sessão de emergência. Do lado de fora, montado a cavalo, na frente de um exército que ele pagou do próprio bolso, está um garoto de 19 anos, magro, fraco e sem nenhuma batalha importante [música] no currículo.
Ele não está pedindo para ser recebido, não. Está exigindo ser nomeado cósul, o cargo político mais alto da República Romana. [música] E se você quer saber como um adolescente franzino e sem [música] experiência militar conseguiu um exército inteiro para estacionar na porta do Senado? >> [música] >> é que pelas regras não escritas da política romana, lealdade sempre teve um preço.
[música] O que convenhamos acontece até hoje. [música] Meses antes, o tio avô dele, o famoso Júlio César, [música] tinha sido apunhalado 23 vezes no chão do Senado por homens que achavam que assassinato era sinônimo de democracia. [música] O testamento deixado para aquele moleque, a maior fortuna de Roma. [música] dinheiro, nome e a lealdade de milhares de veteranos de [música] guerra que ainda chamavam Júlio César de comandante.
O garoto pegou o dinheiro, comprou duas legiões do principal rival, recrutou milhares de soldados pela Itália e marchou sobre a capital antes que alguém tivesse tempo de perguntar: “Espera, quantos anos ele tem?” Naquela tarde seria inaugurada uma carreira política que iria, nos 40 anos seguintes, [música] destruir a República, fundar o Império Romano e transformar uma civilização inteira pelos próximos 500 anos.
O nome dele era Caio Otaviano, mais conhecido por outro que ele mesmo inventou décadas depois, quando já tinha o mundo nas mãos, César Augusto. Mas antes de começar, quero agradecer pela sua companhia e se quiser receber a notificação, sempre que novos vídeos forem publicados, considere se inscrever no canal.

Agora relaxe, curta o vídeo e vamos juntos falar do garoto órfã que ninguém levava a sério e acabou se tornando o arquiteto do maior império da antiguidade. O homem que a história imortalizou como César Augusto, primeiro imperador de Roma e inventor do marketing imperial, nasceu no dia 23 de setembro do ano 63.
- Crist. O endereço era o Monte Palatino, um dos lugares mais caros da [música] República, basicamente Ipanema de Roma, só que com togas e sem protetor solar. Naquela época em Roma, as pessoas colecionavam nomes como quem coleciona medalhas. Cada conquista, cada adoção, cada reviravolta política rendia um nome novo.
Então, César Augusto é, na verdade, um nome de marca registrada, um pseudônimo construído anos depois, para vender uma imagem de divindade e [música] autoridade. O menino que um dia carregaria o império nas costas, no entanto, nasceu com um nome muito mais modesto, Caio [música] Otávio, ou Caio Otaviano, e é assim que a gente vai chamar ele na primeira parte desta biografia.
O pai, também chamado Caio Otávio, era um membro do clã Otávio da classe Equestre, porque aparentemente criatividade onomástica não era o forte deles. Os otávios não eram exatamente o topo da cadeia alimentar de Roma. Não faziam parte da aristocracia senatorial, aquele clubinho fechado de famílias que se orgulhavam de descender de lobos, deuses e [música] fundadores míticos.
Eles estavam mais para a nova classe média alta. Gente [música] que subiu na vida à base de serviço militar e político e que os patrícios tradicionais [música] olhavam com aquele sorriso condescendente de quem olha para emergentes [música] sociais. Por isso, o pai de Otaviano era classificado como novo Zomo, literalmente homem novo.
Era um termo meio elogioso, meio desdém. Reconhecia que o cara tinha subido sozinho, mas lembrava gentilmente [música] que ele não tinha pedigri. Em tradução livre, algo como você conseguiu. Parabéns, mas a gente sabe de onde você veio. Já do lado da mãe, a história era bem mais interessante. Acia Balba era filha de Marcos Balbo, um político que seria eleito pretor de Roma, um dos cargos mais importantes da [música] República, justamente no ano seguinte ao nascimento de Otaviano.
A avó materna era Júlia Menor e irmã de um sujeito que naquele momento ainda era apenas um político ambicioso em ascensão. O nome dele era Caio Júlio César [música] e guarda isso. Vai ser importante daqui a pouco. Na verdade vai ser importante pros próximos 2000 anos de história ocidental. A infância de Otaviano começou do jeito menos glamuroso possível, despachado para fora de Roma.
A cidade estava super lotada, fedida [música] e insalubre. Então, quem tinha grana fugia pro campo. A família Otávio tinha uma vila em Veletre, uns 40 km ao sul de Roma. Foi lá que o menino passou os primeiros anos, [música] longe da política, longe dos generais, longe de tudo que importava. E aí o destino deu o primeiro soco.
Com quase 4 anos, Otaviano perdeu o pai, sem aviso e sem herdeiro mais velho para assumir o papel. O novo Zomo, que tinha subido tão bonito na hierarquia romana. saiu de cena deixando um menino pequeno e uma viúva com futuro incerto. A mãe fez o que viúvas romanas nobres faziam na época. Casou de novo, rápido. O novo marido foi Lúcio Mário Felipo, um membro da aristocracia romana de verdade, dessa vez com pedigri.
O problema? Felipo não queria saber do enteado. Otaviano virou na prática um móvel na casa do padrasto. Mas criança percebe essas coisas, mesmo que a gente não dê importância. Não precisamos ser psicanalistas para entender [música] que essa rejeição silenciosa contribuiu para formar o adulto frio, calculista e emocionalmente impenetrável que Otaviano se tornaria.
Sem pai biológico e com o padrasto ocupado em ignorá-lo, quem assumiu a criação de Otaviano foi a avó materna Júlia, a tal irmã de Júlio César. E aqui a história começa a ficar interessante. Foi ali no colo da avó, enquanto o tio avô estava ocupado massacrando celtas na galha que Otaviano começou a prestar atenção no mundo.
Quando a avó morreu, Otaviano tinha 12 anos e foi ele quem fez o discurso fúnebre. 12 anos, subiu na tribuna, encarou a elite romana e entregou [música] um discurso sobre a vida da avó como um político experiente. Os adultos presentes devem ter se entreolhado, tipo: “E esse menino, hein?” Era o primeiro sinal de que aquela criança tinha alguma coisa diferente.
Mas para entender o que vinha por aí, precisamos dar um passo atrás e olhar o contexto em que Otaviano estava crescendo. Roma estava com um problema existencial. No papel era a potência máxima do mundo conhecido. Nos séculos anteriores tinha engolido [música] Cartago em duas guerras gigantescas e sangrentas, dominado a Itália inteira, anexado à Espanha, o sul da Gália e a Grécia.
Mas quem ganhava as guerras não era Roma, eram os generais. E generais vitorios voltavam para casa com ouro, terras e detalhe essencial, soldados pessoalmente leais a eles, não à república. É o equivalente a dar ao CEO de uma empresa um exército particular e pedir educadamente para ele continuar sendo funcionário humilde, nunca ia funcionar e não funcionou.
Duas décadas antes de Otaviano nascer, a pressão estourou. Dois generais Caio Mário e Lúcio Cornélio Sil entraram em guerra civil. Sila venceu, virou ditador de Roma e, para crédito dele, fez a única coisa que nenhum tirano posterior da história mundial [música] teve coragem de imitar. Renunciou ao cargo voluntariamente, mas o recado estava dado.
A República Romana era um castelo de cartas. [música] Qualquer general com exército podia derrubá-la numa tarde de terça-feira. A pergunta na Roma da infância de Otaviano [música] era uma só: quem seria o próximo? A resposta parecia estar entre três homens muito específicos. Tr anos depois que Otaviano nasceu, esses três formaram uma aliança que ficou conhecida como o primeiro triunvirato.
Era menos um governo de coalisão e mais um pacto de não agressão entre predadores [música] famintos. O primeiro e mais famoso dos três era Pompeu Magno. E Magno [música] quer dizer o grande apelido que ele cunhou para si mesmo. Ninguém discutiu porque o currículo militar dele fazia qualquer um engolir em seco.
[música] Ele tinha liderado os exércitos romanos a vitórias importantes pelo Mediterrâneo, conquistado esmagado piratas e vários outros territórios pelo oriente. Quando um cara volta com essa ficha, você sorri, concorda e troca de assunto. O segundo era Marco Licínio Crasso, currículo militar mediano, mas um detalhe compensava.
Era o homem mais rico de Roma e ficou rico com um dos esquemas mais elegantemente horríveis da antiguidade. Tinha [música] um corpo de bombeiros particular. Ele chegava no local do incêndio, olhava a casa ardendo, oferecia comprar por uma ninharia. Se o dono aceitasse, apagavam o fogo. Se recusasse, a casa virava cinza. Extorção com recibo.
Crasso também foi o cara que esmagou a rebelião de Espártaco, no sul da Itália, e crucificou 6.000 sobreviventes ao longo da Via Ápia. Gentileza a gente vê por aqui. O terceiro membro do triunfirato era [música] o único que tecnicamente tinha estado do lado perdedor da guerra civil. Apesar disso, conseguiu se reinventar, acumular [música] cargos, conquistar parte da Espânia e voltar a ser uma presença política de respeito.
O nome dele era Caio Júlio César. E como a gente já mencionou que ia ficar importante, ele era tio avô do pequeno Otaviano. Durante toda a infância de Otaviano, esses três faziam uma dança das cadeiras pelo controle de Roma. Cada um queria ser o próximo Sila, mas sem a parte de abrir mão do poder depois. Crasso foi o primeiro a cair na tentativa de igualar a glória militar dos outros dois, porque aparentemente dinheiro não bastava.
Ele liderou um exército contra o império parta, no que hoje é o Iraque, e foi dizimado na batalha de Carras. Morreu em combate em uma das piores derrotas da história militar romana. E segundo a lenda, os partas despejaram ouro derretido goela abaixo como comentário irônico sobre a avareza. Pontos pela criatividade. Com Craço fora do mapa, o triunfirato virou um duelo e os dois homens que restavam, César e Pompeu, começaram a olhar um pro outro com cada vez menos amizade.
César estava ocupado realizando sua obra prima militar, A conquista da Gália, que hoje chamamos de França. Em poucos anos empurrou as fronteiras romanas dos Alpes até o Canal da Mancha, derrotou tribos celtas e se transformou no general mais popular de Roma. Ele era famoso por mandar relatórios semanais para casa, que na verdade era a propaganda autobiográfica disfarçada de jornalismo de guerra.
Basicamente um influencer 2000 anos antes do Instagram. Pompeu, parado em Roma, assistia tudo de longe com a expressão azeda de quem está sendo >> [música] >> ultrapassado e fez o que políticos em declínio sempre fazem. Buscou aliados institucionais. O Senado, que via César como ameaça à República, abriu os braços para ele.
De repente, os dois antigos parceiros do triunfirato estavam em lados opostos. Roma sentiu. [música] A guerra civil ia explodir de novo. No final da década de 50 anes de. Cristo, [música] o Senado tentou o golpe legal, proibir César de concorrer à cósul [música] e tirar dele o comando militar. Se funcionasse, César voltaria a Roma como cidadão comum.
E cidadão comum [música] podia ser processado, exilado ou executado. Mas a resposta dele foi a mesma que todo general com exército fiel sempre deu na história. Não foi então que em 10 de janeiro do ano 49 antes de Crist, César parou com suas legiões na beira de um rio aparentemente insignificante no nordeste da Itália, [música] o Rubicão.
Modesto geograficamente, mas gigantesco juridicamente, ele marcava a fronteira, além da qual nenhum general romano podia trazer suas tropas. Cruzar aquele rio com soldados era tecnicamente um ato de traição. César atravessou e, segundo a lenda, soltou a famosa frase: “Alcta, [música] a sorte está lançada”.
Era o início da Segunda Guerra Civil Romana em uma mesma geração. Pompeu e os senadores evacuaram a Itália imediatamente porque às vezes a melhor estratégia é correr. Foram paraa Grécia tentar reorganizar forças no Mediterrâneo Oriental. César os perseguiu perdendo a primeira batalha de Diráquio, mas poucas semanas depois aniquilou o exército de Pompeu na batalha de Farsalos no ano 48. de.
Cristo. [música] Pompeu fugiu pro Egito esperando refúgio. O regime ptolomaico, hábil em ler as pistas políticas, [música] executou ele e mandou a cabeça embrulhada de presente para César, uma forma eficiente de pedir amizade. Pausa aqui porque Hollywood fez uma bagunça nesse ponto.
Existe um erro popular de que César, nesse momento, virou o primeiro imperador de Roma. Não virou. >> [música] >> Ele nunca foi imperador. O que ele virou foi ditador. Mas cuidado com a palavra. Ditador na Roma antiga não significava o que significa hoje. Não era um tirano maluco com poder infinito. Era um cargo constitucional formal, [música] concedido pelo Senado em períodos de crise, com poderes extensos, mas em teoria temporários.
Outros romanos, como quinto Fábio Máximo e o próprio Sila, já tinham exercido o cargo antes, cumprido a missão e devolvido [música] tudo direitinho. Mas o problema com César não era ter sido ditador. Era que conforme os meses passavam, ficava cada vez mais claro que ele não planejava devolver nada, mas imperador nunca foi. Essa invenção constitucional viria 20 anos depois e viria pelas mãos daquele sobrinho neto franzino, que ainda era um pré-adolescente.
Otaviano, por sinal, estava prestando muita atenção a tudo. [música] Depois da morte da avó, voltou a morar com a mãe e o padrasto, tão desinteressados nele quanto sempre. Mas Otaviano tinha agora uma obsessão, construir uma carreira. Aos 15 anos, ele foi eleito para o colégio de pontífices, que era uma casta influente de sacerdotes romanos.
Porque enquanto outros adolescentes estavam preocupados com casamentos arranjados, Otaviano já estava acumulando cargos. No ano seguinte aos 16, ajudou a organizar os grandes jogos públicos de Roma, tarefa que combinava logística, política e relações públicas numa escala razoável para um adulto, quanto mais para um moleque.
Mas o que ele realmente queria era outra coisa. >> [música] >> Queria guerra, queria provar a si mesmo no campo de batalha, ao lado do tio avô, que agora era o homem mais poderoso do mundo conhecido. Ele implorou a mãe desde o começo da guerra civil para se juntar às campanhas. Ia, como toda mãe com dois neurônios funcionando, disse [música] não.
O filho era frágil, adoecia com frequência e guerra civil é o último lugar para um adolescente de família nobre. Mas Otaviano insistiu [música] e insistiu e insistiu. No fim da guerra, quando o conflito já estava basicamente decidido, ela cedeu. [música] Otaviano viu suas primeiras ações militares na Espanha no ano 46 antes de Crist, durante a limpeza final contra os últimos pompeianos remanescentes.
Não foi glória, foi lama, poeira e operações menores. Mas foi a primeira vez que o tio avô olhou para ele com atenção real. A primeira vez que César [música] viu no sobrinho neto franzino e doentio alguma coisa que valia a pena cultivar. E esse olhar silencioso, esse reconhecimento entre o homem mais poderoso de Roma e o adolescente magrinho da família ia mudar o mundo.
Otaviano, evidentemente, causou uma boa impressão em César na campanha da Espânia, tão boa que em algum momento, no final do ano 46 antes de Crist ou começo do 45, o ditador de Roma alterou em silêncio [música] o próprio testamento. duas decisões grandes. Adotou Otaviano formalmente como filho e o nomeou herdeiro principal de toda a fortuna.
Adoções desse tipo eram rotina entre a nobreza romana, [música] o equivalente antigo, a um plano sucessório empresarial. E o caminho estava relativamente livre, [música] porque César não tinha herdeiro legítimo próprio. Bem, tecnicamente ele tinha um filho pequeno chamado Cesarião, fruto de um caso bastante famoso com ninguém menos do que Cleópatra.
Mas bastardo egípcio não entra em testamento romano. Regras são [música] regras, pelo menos quando convinham. E aqui cabe uma observação que só fica óbvia em retrospecto. O testamento que César assinou naquela tarde, [música] provavelmente parecia um detalhe administrativo menor, um ajuste burocrático, algo para resolver depois.
Ninguém sabia, nem César, que depois estava prestes a chegar muito mais rápido [música] do que qualquer um imaginava. Porque enquanto os meses passavam e César continuava sem dar o menor sinal de que pretendia devolver seus poderes ditatoriais, [música] uma conspiração estava crescendo em silêncio dentro do Senado.
Não era uma conspiração de [música] plebeus revoltados, era uma conspiração da elite política romana, homens que, em tese, eram aliados dele. [música] A notícia do complô até vazou pouco antes do golpe final. O homem que descobriu era um dos comandantes mais leais de César desde os dias da Gália, Marco Antônio.
Esse nome vai aparecer muito nesta história, então guarda ele. Só que Marco Antônio foi impedido de avisar, barrado na porta, distraído numa conversa, segurado por um dos próprios conspiradores, dependendo de qual fonte antiga você acredita. [música] O fato é, César entrou no Senado no dia 15 de
março do ano 44. de. Cristo, sem a menor ideia do que o esperava. [música] 15 de março, idos de março, um dos dias festivos mais importantes do calendário romano. E nos minutos seguintes, um grupo de senadores cercou César e começou a esfaqueá-lo furiosamente. Foi caótico, rápido, desesperado. [música] Relatos contam 23 punhaladas.
Alguns dos conspiradores se feriram nas próprias facadas de tanta pressa em acertar. A maioria das fontes quase contemporâneas concorda que César morreu em silêncio, que a famosa frase et tu brut em português até tu brutos, dirigida ao ex-protegido Marcos Bruto, [música] foi invenção literária de William Shakespeare 16 anos depois.
Bom pro teatro, ruim [música] pra história, mas não tira a ironia do fato. Um dos punhais que matou César realmente foi segurado por um homem que ele tinha tratado como filho. [música] Otaviano não estava em Roma quando isso aconteceu. Estava fazendo treinamento militar na Ilíria, a região que hoje corresponde à Croácia e à Albânia, do outro lado do Mar Adriático.
tinha 18 anos, estava longe da cidade e provavelmente passou dias sem saber que o mundo tinha virado de cabeça para baixo. Quando a notícia finalmente chegou, Suetônio, biógrafo romano posterior, também conhecido como o cara que adorava uma fofoca imperial, conta que Otaviano teria considerado reunir um exército entre as legiões locais e marchar sobre Roma imediatamente para reivindicar o poder. Improvável.
O moleque tinha 18 anos, zero currículo militar de peso e praticamente nenhum exército próprio. Até ele devia saber disso. O que ele fez foi mais inteligente, [música] foi para Roma sozinho, devagar. E foi só ao chegar na Itália que descobriu duas coisas que mudariam sua vida. Primeiro, ele era o herdeiro principal de uma fortuna colossal.
Segundo, e muito mais importante do que o dinheiro, César [música] tinha adotado ele formalmente, o que significava que, aos olhos dos incontáveis seguidores de César, espalhados pelo exército e pela sociedade romana, Otaviano não era mais o sobrinho neto magrinho do ditador. Ele era o filho. E o filho tradicionalmente herda mais do que propriedades.
[música] Erda a rede política, herda a lealdade dos veteranos, herda o nome. Então, Otaviano fez exatamente o que se esperava de um romano astuto. Adotou o nome César, passou a se apresentar como Caio Júlio César Otaviano. Porque se você ia reivindicar um legado político gigantesco, era melhor começar carregando o sobrenome certo logo na fachada.
[música] era Branding antes de ter o produto, um instinto que nunca mais ia abandoná-lo. Enquanto isso, em Roma, o plano dos conspiradores estava desmoronando espetacularmente. [música] A camarilha de senadores que matou César tinha uma fantasia: matar o tirano, restaurar a república gloriosa, ser aclamada pelo povo como libertadora. Pizza, [música] vinho e democracia para todos.
A realidade foi outra. Marco Antônio, o tal cônsul que tinha sido impedido de avisar César, subiu para fazer o discurso fúnebre e transformou aquilo numa aula magna de manipulação política. Ele mostrou o corpo ensanguentado, leu o testamento em voz alta, inflamou o povo até um ponto em que a turba começou a caçar os assassinos pelas ruas de Roma.
Em questão de semanas, Bruto e companhia tiveram que fugir da cidade para não serem linchados. Pouco depois, foram oficialmente condenados como traidores da República. [música] Matar um tirano é uma coisa, controlar o que acontece depois é outra completamente diferente. Os conspiradores entenderam isso tarde demais.
Descobriram que, na verdade, a parte mais difícil de apunhalar um ditador começa quando o corpo esfria. Com os assassinos fora do caminho, Roma mergulhou exatamente no cenário que os conspiradores tinham querido evitar, uma nova corrida entre generais para ver quem seria o próximo ditador. [música] O favorito era Marco Antônio, cônsul em exercício, veterano das campanhas gálicas, arquiteto da virada política pós-assinato.
O cara tinha tudo: experiência, [música] tropas, carisma e, principalmente, idade suficiente para ser [música] levado a sério. Mas Antônio tinha um problema de imagem. Muita gente olhava para ele e via com razão mais um general ambicioso, prestes a repetir o ciclo Sila [música] César.
E no Senado existia uma facção cansada de generais ditadores. Essa facção começou a procurar candidatos alternativos. Um dos alternativos [música] era Marco Emílio Lépido, outro veterano das campanhas de César, confiável, competente e, principalmente, não tão assustador quanto Antônio. O outro alternativo era aquele moleque de 18 anos que tinha acabado de chegar na Itália carregando um testamento e um novo sobrenome.
E aqui começa a metamorfose, [música] porque Otaviano não era apenas jovem, era politicamente inexperiente, fisicamente frágil e parecia um alvo fácil para qualquer veterano. Todo mundo em Roma, incluindo Marco Antônio, olhou para ele e o subestimou. Todos erraram. >> [música] >> Nos meses seguintes ao assassinato, Otaviano fez aquilo que alguns políticos levam décadas para aprender.
[música] Transformou dinheiro em poder e ele tinha dinheiro, muito dinheiro. Parte da fortuna herdada do pai adotivo incluía um fundo de guerra gigantesco. 700 milhões de cestércios [música] acumulados no sul da Itália para financiar uma campanha militar massiva [música] que César planejava contra o império parta.
Uma guerra que agora não ia acontecer, mas um dinheiro que já estava [música] lá. Otaviano se apropriou sem autorização formal, sem pedir licença. Depois completou o caixa de um jeito ainda mais ousado. Quando o tributo anual dos Estados [música] Mediterrâneo Oriental chegou a Roma, ele simplesmente desviou uma fatia considerável para si mesmo.
Resumindo, o moleque de 18 anos acabava de fazer o maior desvio de dinheiro público da história recente de Roma e ninguém tinha coragem de pará-lo. Porque quando você compra a lealdade das legiões, você tem o exército nas próprias mãos, inclusive das legiões de Marco Antônio. Isso mesmo.
Otaviano pegou o dinheiro que deveria pagar a guerra do [música] pai adotivo e usou para subornar soldados do principal rival político dele. Duas legiões inteiras de Antônio [música] trocaram de lado. Milhares de ex-veteranos de César, espalhados pela Itália, vieram correndo quando o filho convocou. [música] Para consolidar a manobra, Otaviano fez algo que beirava a piada institucional, se fez senador e não só isso, conseguiu autorização especial para votar em assuntos normalmente reservados a senadores que já tinham sido cônsules, porque afinal
nada como um estagiário entrar na reunião da diretoria e receber votos no conselho. Sim, parece piada. E não, [música] não foi piada. Aí, em meados do ano 43, veio o golpe final. [música] Os dois cônsules eleitos do ano tinham morrido em campanhas militares, deixando os dois cargos mais poderosos da República [música] vagos.
Otaviano marchou sobre Roma com várias legiões e, basicamente, exigiu ser nomeado cósul. Não encontrou praticamente nenhuma resistência. Com 19 anos, Otaviano virou cônsul único de Roma. 19 anos. Cônsul de Roma, o cargo mais alto da República. A coisa é tão absurda que precisa ser dita de novo. 19 anos. 19.
A idade em que a maioria dos romanos aristocratas estava começando a carreira militar como soldado raso. Otaviano já estava governando. O mundo tinha acabado de descobrir que o moleque franzino não era uma promessa, [música] era uma ameaça. E moleque franzino no topo gera inevitavelmente rivalidade com quem também quer estar lá. Marco Antônio, Otaviano e Lépido agora eram três figuras políticas grandes demais para coexistirem sem algum tipo de acordo. A solução foi copiar o passado.
No dia 27 de novembro do ano 43, o Senado aprovou Alex Titia, uma lei que dividia formalmente o poder da república entre os três. Ficou conhecido como o segundo triunfirato, mas esse segundo era bem diferente do primeiro. primeiro com César, Pompeu e Crasso tinha sido basicamente um acordo informal de cavalheiros, uma aliança privada entre três caras ricos.
O segundo era formalizado com chancela do Senado e dividia a República geograficamente em três esferas de influência bem demarcadas. Otaviano ficou com a Tunísia, a Líbia e as ilhas da Sardenha e Córcega. [música] Lépido ficou com a Espânia e o sul da Gália. Marco Antônio ficou com a região Alpina e a maior parte da Gália.
E a Itália, com a própria Roma, ficou teoricamente sob controle do Senado. Teoricamente, mas a região mais importante do tabuleiro não pertencia a nenhum dos três triúniros. O Mediterrâneo Oriental, a parte mais rica da República, [música] onde circulavam ouro, grãos e comércio, estava nas mãos dos homens que tinham matado César.
Bruto, Csio e companhia tinham fugido para lá, reagrupado forças e montado exércitos consideráveis. Qualquer triunfiro que conseguisse tomar o Oriente saía automaticamente na frente dos outros dois, na corrida pelo poder total. E fazer isso significava acabar de uma vez por todas [música] com os assassinos de César, o que para Otaviano era conveniente, porque vingar o pai adotivo era simultaneamente um dever moral público [música] e uma excelente jogada política.
Dois coelhos, uma cajadada. Primeiro, os triúniros fortaleceram a posição interna com um mecanismo legal brutal chamado proscrição. Proscrever alguém significava declarar essa pessoa fora da lei. Propriedades confiscadas, vida protegida zero. Qualquer cidadão podia matar o proscrito e receber recompensa. Centenas de romanos ricos entraram nas listas dos triúniros.
A lógica era simples e cínica. >> [música] >> Cada proscrito era uma fortuna confiscada e cada fortuna confiscada era mais dinheiro para pagar soldados. Entre os nomes das listas estavam vários opositores políticos dos três, incluindo notadamente o orador Cícero, que tinha passado meses criticando Marco Antônio publicamente.
Cícero foi caçado e decapitado [música] e suas mãos foram pregadas no fórum romano como aviso. Bem-vindos ao segundo triunfirato. Com o dinheiro dos proscritos no Caixa, Otaviano e Marco Antônio marcharam juntos sobre a Grécia, 28 legiões atravessando o Adriático. Lá, em Filipos, na Macedônia, encontraram o exército de Bruto e Cássio.
Mais de 200.000 homens se enfrentaram em duas batalhas sucessivas. E aqui a história entrega uma das reviravoltas mais bizarras da antiguidade. As baixas das batalhas em si não foram catastróficas. Nenhum dos lados teve uma vitória militar esmagadora, mas no meio da confusão, CIO recebeu uma informação falsa.
Disseram [música] a ele que o exército de Bruto tinha sido completamente derrotado. Acreditando na notícia e considerando a causa perdida, Csio se matou na hora. Só que não era verdade. Bruto estava bem. Quando ficou sabendo do suicídio precipitado do aliado e das reais dificuldades de continuar sem ele, Bruto também se matou.
Dois dos maiores generais do lado antitriunvirato se eliminaram sozinhos por um mal entendido. As forças deles se renderam em seguida. Foi uma vitória grotesca causada por fake news, tipo as que a gente recebe nos grupos de WhatsApp. Otaviano e Marco Antônio saíram de Filipos como os homens mais poderosos da República.
E Lépido ficou onde sempre esteve, parado em terceiro lugar, acumulando tristeza e esperança. Após Filipos, o tabuleiro mudou rápido. [música] Lépido, que já era o triúniro mais fraco desde o começo, foi marginalizado de vez. Otaviano e Marco Antônio inventaram uma história convenientemente vaga de que ele estaria conspirando em segredo com o sexto Pompeu, um filho de Pompeu Magno, [música] que tinha tomado o controle da Sicília.
A acusação era fraca, mas quando dois dos três triúniros resolvem dispensar o terceiro, prova é um detalhe administrativo. Lépido foi empurrado para escanteio, mantendo títulos nominais, mas perdendo qualquer poder real, efetivamente aposentado antes do tempo. Com isso, a República virou oficialmente um negócio de dois sócios.
Otaviano ficou com o Oc, a Itália, [música] a Gália, a Espanha, o norte da África. Marco Antônio ficou com o Oriente, a Grécia, a Síria e, principalmente, a influência sobre os ricos reinos clientes, [música] como o Egito Ptolomaico. Para selar o acordo, fizeram o que romanos sempre faziam para selar acordos, casamento familiar.
Em outubro do ano 40, Marco Antônio se casou com Otávia, irmã mais velha de Otaviano. Um casamento político clássico, sem amor, sem química, [música] só interesse de estado com vestido branco por cima. Aliança entre os dois se sustentou por quase uma década, desconfiada e cheia de atritos silenciosos.
Mas Marco Antônio tinha ido pro oriente [música] e no oriente havia uma rainha esperando que em breve ia mudar tudo. Resolvida a confusão de Filipos [música] e descartado o lépido para segundo plano, Otaviano tinha agora um problema muito concreto [música] para lidar no Mediterrâneo Ocidental. O nome do problema era Sexto Pompeu, filho daquele Pompeu magno que César tinha derrotado em farçá-los.
e, portanto, um homem com uma excelente razão pessoal para odiar qualquer coisa associada ao nome César. Sexto tinha tomado o controle da Sicília após o assassinato de César. Depois expandiu o domínio para Sardenha e Córcega e com muita paciência construiu uma marinha gigantesca. A ilha era estrategicamente perfeita.
ficava sentada em cima das principais rotas de navegação entre os dois lados do Mediterrâneo. E sexto, começou a usar essa posição exatamente como um filho amargurado faria. Pirataria de estado. Ele atacava navios mercantes que iam e vinham de Roma, especialmente os que carregavam grãos do Egito.
[música] Pode parecer detalhe comercial, mas não era. Roma dependia dessas remessas de grãos para alimentar a população inchada e bancar a famosa distribuição gratuita de pão aos cidadãos, aquela política que mantinha a pleb minimamente calma e o Senado minimamente vivo. Resumindo, [música] se sexto cortava as remessas, Roma passava fome.
Se Roma passava fome, havia revolta. Se havia revolta, Otaviano perdia o chão politicamente. [música] O problema era existencial e tinha endereço. Sicília. A primeira tentativa foi diplomática. No ano 39, assinaram o Pacto de Mizeno, um acordo pelo qual sexto podia ficar com as ilhas desde que parasse de roubar os navios romanos.
[música] Foi assinado, selado, comemorado com banquete. Durou alguns meses porque sexto Pompeu não era o tipo de homem que entendia muito bem de acordos escritos. A pilhagem recomeçou [música] assim que ele sentiu que podia recomeçar. E paciência não era o forte de Otaviano [música] quando o assunto envolvia receita pública.
Ele enviou o homem que ia aparecer muito daqui paraa frente, Marco Agripa, seu comandante militar mais confiável e, provavelmente o melhor estrategista que Roma produziu naquela geração. A gripa era o oposto de Otaviano fisicamente, forte, sólido, feito pra guerra. [música] Era o braço que executava o que a cabeça de Otaviano planejava.
Basicamente, o Pink [música] e o cérebro do mundo antigo. Essa divisão de trabalho ia definir todos os grandes sucessos militares do futuro imperador, porque Otaviano era um péssimo comandante em campo. Sabia disso, aceitava isso e delegava isso com a humildade que não se costuma ver em um ditador. A gripa esmagou sexto Pompeu no ano 36, numa campanha naval brilhante.
Sexto fugiu pro oriente, foi capturado na ilha grega de Mileto e executado no ano seguinte. Era o fim da linha pompeiana. [música] Aquela família que tinha dominado metade do primeiro século antes de Cristo acabava num fundo de quintal qualquer da Grécia. E a queda de sexto desencadeou a queda definitiva [música] de Lépido.
Lépido, lembra dele? O triún viro da tristeza e esperança. Cometeu o erro tático da [música] vida. tentou aproveitar o vácuo deixado por cesto para tomar a Sicília para ele. Parecia uma ideia inteligente reafirmar a própria relevância, não foi? As legiões de Lépido, quando viram as legiões de Otaviano chegarem, fizeram uma escolha bem mais pragmática do que a lealdade.
Otaviano aplicou o método que já tinha dado certo [música] antes. Deixou claro que qualquer soldado que desertasse pro lado dele receberia pagamentos generosos. E funcionou. Os legionários de Lépido trocaram de patrão em questão de dias, porque afinal ouro sempre foi o argumento mais persuasivo da história. Lépido ficou ali no meio do acampamento, sem exército, sem poder e sem plano B.
Otaviano, numa jogada [música] teatral permitiu que ele se aposentasse no cabo circeu com o título de pontífice máximo, sumo sacerdote de Roma, intacto. Ou seja, podia continuar usando a toga bonita, presidir alguns rituais religiosos e viver entristecido a muitos quilômetros de qualquer decisão importante. Lépido aceitou.
Viveu mais 25 anos. Morreu sem incomodar ninguém. Uma aposentadoria digna para um político que entendeu a tempo que discutir daria ruim pro lado dele. E agora o tabuleiro estava como deveria estar desde o começo. Dois homens, a república esticada entre eles, uma guerra civil esperando um pretexto. E o pretexto, como quase sempre na história, [música] tinha nome de mulher.
Enquanto Otaviano limpava o ocidente, Marco Antônio fazia uma coisa muito diferente no Oriente. Estava se apaixonando. O relacionamento com Cleópatra, a rainha do Egito Ptolomaico, tinha começado no final da década de 40. [música] Não era a primeira vez que um romano importante se envolvia com ela. Cleópatra já tinha sido amante de Júlio César e havia dado a ele aquele [música] filho bastardo, cesarião, que mencionamos antes.
A mulher sabia escolher seus amantes, ou melhor, [música] sabia escolher amantes que convinham politicamente a um Egito cercado por interesses romanos. digamos que pragmatismo monárquico fosse um ponto forte dela. Antônio instalou-se no Egito no começo da década de 30, fez de Alexandria sua base, começou a viver como um rei oriental, não como um magistrado republicano romano.
[música] E isso, paraa narrativa que Otaviano precisava construir em Roma, era perfeito. Mas Antônio não era só amor e vinho egípcio. Ele tinha ambições estratégicas [música] legítimas. Queria retomar os planos de César de fazer guerra ao império Parta, que já tinha humilhado Roma quando Crasso [música] foi despejado de ouro derretido goela abaixo.
Vingar Crasso e engolir a Ptia seriam feitos que transformariam Antônio no general romano da geração. Seria a cartada [música] definitiva contra Otaviano. Então ele fez a invasão com uma força massiva no ano 36. [música] de. Cristo, milhares de soldados, equipamentos pesados, máquinas de cerco, [música] tudo preparado. E foi um desastre quase imediato.
A logística colapsou. A força principal de Antônio [música] se separou das caravanas de suprimentos e das máquinas de cerco. A cavalaria parta, que era mais ágil, interceptou e destruiu a retaguarda. Sem suprimentos e sem máquinas para atacar [música] cidades fortificadas, Antônio teve que bater em retirada pela Síria.
E a retirada foi um massacre lento. [música] Os partas hostilizaram as legiões em fuga durante semanas, cortando destacamentos isolados, [música] envenenando fontes de água. Antônio perdeu cerca de 1/3 do exército no caminho de volta. A campanha que deveria ser a coroação dele virou a vergonha militar da [música] década.
Ele tentou remediar no ano 34, conquistando o pequeno reino da Armênia [música] e instalando como rei Alexandre Hélio, o próprio filho com Cleópatra. uma vitória [música] simbólica que quase não ajudava. Enquanto isso, Otaviano estava em Roma rindo de tudo, porque cada erro de Antônio no Oriente era mais munição para campanha narrativa [música] que ele vinha construindo há anos.
Era uma campanha simples e funcionava porque tinha um fundo de verdade. Marco Antônio estava se orientalizando, [música] estava virando um rei estrangeiro, estava abandonando Roma por Alexandria, [música] estava escolhendo uma rainha egípcia no lugar da própria esposa romana, que tecnicamente [música] ainda existia.
E como você lembra, era Otávia, a irmã de Otaviano. Antônio nunca tinha formalizado o divórcio. Continuava casado enquanto exibia Cleópatra pela corte [música] egípcia, como se fosse a rainha oficial dele. Humilhação pública de uma esposa aristocrática romana já era uma ofensa grave. Humilhação pública da irmã do outro triún era uma declaração política.
E Otaviano usou isso muito bem como combustível. emocional para inflamar a opinião pública em Roma. Otávia, vale dizer, merece uma nota de respeito histórico aqui. Ela cuidava das filhas que teve com Antônio e dos filhos que Antônio tinha tido em outros casamentos. Tudo isso enquanto o marido desfilava por Alexandria com a amante.
Quando Antônio finalmente se divorciou em [música] público, anos depois, Roma inteira se solidarizou com ela. Mas Otaviano não se contentou, precisava de provas e fez algo que, mesmo pelos padrões da política romana, era um movimento ousado. No ano 32 a de. Cristo, ele entrou no templo das virgens vestais em Roma, um lugar sagrado da cidade onde eram guardados os documentos mais importantes da elite romana, e tirou de lá o testamento de Marco Antônio.
Violar o templo das vestais era ofensa religiosa gravíssima, mas aparentemente quando você é otaviano e quer provas contra o cunhado que traiu sua irmã, aí tá tudo bem. E o que ele encontrou no documento foi perfeito para propaganda. O testamento revela duas coisas. Um, ele planejava dividir os territórios da República [música] entre os filhos que teve com Cleópatra.
Dois, ele queria ser enterrado em Alexandria, ao lado da rainha, um general romano querendo ser sepultado no Egito. Para romanos tradicionais, era o equivalente a dizer que ele tinha escolhido ser egípcio. Traição [música] cultural, patrimonial e religiosa, tudo de uma vez só. Otaviano leu o testamento em voz alta no Senado, cuidadosamente editado, provavelmente, combinado com o fato de Antônio ter celebrado sua conquista da Armênia, [música] realizando um triunfo em Alexandria, em vez de em Roma. O estrago estava feito.
Marco Antônio, anunciou Otaviano ao Senado, não era mais um triunfiro romano, [música] era um déspota oriental. E Roma estava prestes a perder os territórios orientais [música] se ninguém agisse. No final do ano 32, o Senado aceitou a narrativa, revogou os poderes formais de Antônio e declarou guerra não só a ele, mas a todo o Egito pitolomaico de Cleópatra, o que me parece brilhante e estúpido ao mesmo tempo.
Vamos ser claros, Roma não estava entrando em guerra civil contra um concidadão. Estava oficialmente entrando em guerra externa contra uma rainha. estrangeira, especialista em relações públicas. >> [música] >> E ainda havia um detalhe inconveniente. Otaviano não tinha apoio unânime. Cerca de 40% do Senado votou contra a guerra e muitos desses foram imediatamente pro Oriente para se juntar a Antônio.
Isso mostra que nem todo mundo em Roma estava convencido de que o vilão era Marco Antônio. Boa parte da elite via Otaviano como o verdadeiro ambicioso da história. Mas quando a guerra bate na porta, dúvidas políticas são silenciadas. Os números da mobilização militar que se seguiu são difíceis de processar. Otaviano reuniu aproximadamente 200.
000 homens. Antônio igualou esse número. Ambos montaram frotas navais gigantescas, somando centenas de galés entre os dois lados. Para colocar em perspectiva, na batalha de Farçalos, onde César decidiu a guerra contra Pompeu, comandava cerca de 25.000 homens, oito vezes menos. Era a maior mobilização militar da história romana até então. No verão do ano 31. de.
Cristo, os dois lados canalizaram suas forças paraa Grécia, o mesmo palco de Farsalos e Filipos, porque a Grécia, aparentemente era [música] o cemitério preferencial das guerras civis romanas. O confronto final aconteceu no mar, perto de uma colônia romana chamada Ácio, no noroeste do país. Na voz do Golfo de Ambrácia, cerca de 50 km ao sul da ilha [música] de Corfu, Antônio chegou primeiro.
Ele tinha planejado usar aquela posição como base para atacar o [música] continente italiano e levar a guerra para dentro do território de Otaviano. A estratégia fazia sentido no papel. Otaviano respondeu rápido, moveu suas forças pro continente grego, se posicionou em frente a Corfu e começou a fechar o cerco. Com o passar dos dias, o que era para ser base de ataque de Antônio, foi virando armadilha.
A gripa, aquele comandante que era o pink da relação, controlava o mar. E o mar era o que mais importava naquele confronto. No fim do verão, a situação dentro do acampamento de Antônio estava crítica. Deserção em massa, [música] doenças se espalhando pelas tropas, suprimentos cortados pela frota de Otaviano, bloqueando os portos. Antônio estava sendo estrangulado lentamente antes mesmo de qualquer batalha começar.
No dia 2 de setembro de 31, sem alternativa melhor, Antônio tentou a última cartada. [música] Romper o cerco com pouco mais de 300 navios e quase 25.000 1 soldados e cavalaria a bordo. A gripa o esperava com cerca de 400 galés, formando uma linha de combate na saída do golfo. A batalha de Ásio começava e seria o confronto decisivo da história do mundo antigo.
No papel, Antônio tinha uma vantagem. Seus navios orientais eram maiores e mais pesados que as embarcações italianas de Otaviano. Torres mais altas, mais arqueiros, mais catapultas. Mas tamanho não é tudo em combate naval. Os navios menores de Otaviano eram muito mais ágeis. Conseguiam dançar em volta das embarcações gigantes de Antônio sem entrar no raio de fogo delas.
Davam picadas rápidas, recuavam, voltavam. E então a ironia da história. Os navios de Antônio ficaram presos na chamada água morta, um fenômeno marinho no qual embarcações se arrastam em baixa velocidade por causa de variações de salinidade da água. Basicamente, os grandes navios orientais entraram numa zona do mar, onde o próprio oceano os travou.
O poderio naval que deveria decidir o destino do Mediterrâneo estava literalmente empacado. A frota de Antônio entrou em colapso rápido, uma combinação de água morta, vento ruim, comunicação travada entre os comandantes orientais [música] e a agilidade dos navios menores de Agripa fazendo o trabalho.
Logo as galés italianas conseguiram chegar perto o suficiente para começar a incendiar os navios maiores de Antônio. Quando a noite caiu sobre Áxio, a frota oriental estava praticamente destruída, queimando nas águas do Golfo de Ambrácia, que aí veio o detalhe que selou a história. Cleópatra, vendo o massacre e a derrota eminente, ordenou que todos os navios egípcios fugissem.
Antônio, e isso é o que entrou pra história, fez algo impensável para um general romano. Abandonou a própria frota no meio da batalha, pegou um navio rápido e correu atrás dela. O comandante deixou os homens lutando enquanto fugia atrás da rainha. Para um general romano, era pior do que perder. [música] Era deshonrar três séculos de tradição militar de uma vez só.
E foi exatamente essa cena que Otaviano usou pelo resto da vida [música] para justificar tudo que veio depois. Antônio e Cleópatra conseguiram chegar de volta ao Egito. Otaviano [música] e Agripa foram atrás sem pressa, pois eles não tinham mais para onde fugir. Em primeiro de agosto do ano 30 [música] antes de Cristo, depois de mais uma derrota nos arredores de Alexandria, Marco Antônio fez aquilo que generais romanos derrotados costumavam fazer. tirou a própria vida.
Cleópatra seguiu o exemplo nove dias depois. Veneno, segundo as fontes mais confiáveis. [música] A famosa cena da picada de cobra é poesia posterior, provavelmente invenção romana para dar um final mais dramático. A verdade prática foi menos [música] cinematográfica e mais eficiente. E aqui Otaviano fez uma coisa que [música] talvez seja o lembrete mais frio de sua personalidade.
Cesarião, que era um primo de segundo grau, [música] filho de Cleópatra com seu tio avô, Júlio César, estava com 17 anos. Marco Antônio Antilo, filho de Antônio com a primeira esposa Fúvia, [música] tinha praticamente a mesma idade. Os dois eram tecnicamente herdeiros legítimos. Os dois podiam, no futuro, virar bandeiras para alguma [música] revolta contra Otaviano.
Ele mandou matar os dois. Como você lembra, Otaviano tinha exatamente essa idade quando começou a própria ascensão política depois do assassinato de César. Ele sabia, melhor do que ninguém, que com 17 anos um aristocrata romano já podia derrubar impérios. Otaviano não correu o risco. Para ele, ser jovem tinha deixado de ser desculpa [música] anos antes, quando ele mesmo virou cônsul aos 19.
Cesarião e Antilo foram rapidamente executados. O Egito, que era estado cliente de Roma há gerações, [música] foi formalmente anexado e virou província. Otaviano pessoalmente assumiu o controle direto da região e não era detalhe administrativo. O Egito [música] era a civilização mais rica do mundo conhecido.
Quem controlava o Egito controlava o trigo e quem controlava o trigo controlava a Roma. Em poucos meses, Otaviano tinha ouro, grãos, exércitos e nenhum rival vivo. [música] Era oficialmente o único homem em pé. Mas aqui veio o teste mais difícil. Porque o que vinha a seguir era exatamente o problema que tinha matado Júlio César. O tio avô tinha cometido o erro que [música] todo ditador inexperiente comete.
Agarrou o poder e segurou com força demais. Reivindicou poderes [música] ditatoriais permanentes, ignorou o Senado, deu de ombros pra tradição [música] republicana. Resultado, 23 punhaladas no chão do Senado. [música] Otaviano tinha visto tudo, aprendido tudo e não ia repetir. A jogada dele foi mais inteligente e, francamente, mais astuta do que qualquer coisa que César [música] tinha tentado.
Otaviano percebeu uma coisa que poucos políticos da história entendem. Você não precisa abolir as instituições para controlar elas. >> [música] >> Basta esvaziar elas por dentro, mantendo a fachada intacta. Então ele fez exatamente isso. Voltou para Roma e, em vez de se proclamar rei ou ditador vitalício, começou a se acomodar nas instituições [música] existentes uma por uma.
Se nomeou cósul para o ano e foi mantendo o título ano após ano até o final da década. Por fora era só um magistrado eleito da [música] República, como tantos antes dele. Por dentro, controlava as legiões, controlava os cofres e controlava o Senado pelo simples método de ter pago a maioria dos [música] senadores em algum momento dos últimos 10 anos.
Em paralelo, fechou um acordo com o Senado para dividir as províncias do império. Algumas seriam administradas por magistrados senatoriais. [música] A velha aristocracia continuava participando do governo. Outras seriam administradas [música] por homens nomeados diretamente por ele. Resultado prático: o Senado se sentia respeitado, [música] a aristocracia se sentia incluída e Otaviano controlava todas as províncias estratégicas [música] com tropas dentro.
Era a fórmula que César nunca tinha entendido. Governar com o consentimento aparente de quem [música] você está na verdade dominando. Mas o momento que oficialmente fundou aquilo que conhecemos hoje como Império Romano veio em janeiro do ano 27. O Senado, agradecido ou bem adestrado, dependendo de como você lê, [música] concedeu a Otaviano dois títulos novos.
O primeiro foi prínceps, significa [música] primeiro ou principal dentro de um grupo. Soa modesto e era a intenção. Otaviano agora era oficialmente [música] o primeiro cidadão de Roma. Não rei, não imperador, apenas o primeiro entre iguais, o cidadão de Roma. O segundo título foi mais grandioso, [música] Augusto.
Algo entre ilustre, sagrado e reverenciado. [música] Era o tipo de palavra que se usava para deuses e templos, não para políticos. E Otaviano adotou esse como próprio [música] nome. A partir daquele ano, ele deixava de ser Otaviano e passava a ser oficialmente César Augusto. O nome herdado do tio avô, agora [música] carregado por um título quase divino.
E para fechar o pacote, ele também adotou o termo imperator, [música] palavra latina que originalmente significava comandante militar, mas que com o tempo iria evoluir justamente por causa dele [música] para significar imperador. Janeiro do ano 27 a de. Crist. Esta data, mesmo sem fanfarra oficial, é geralmente entendida pelos historiadores como o fim da República Romana e o começo do Império Romano, um império que duraria quase exatamente 500 anos depois disso.
E o detalhe mais diferenciado dessa transição aconteceu sem coroação, sem golpe, [música] sem proclamação imperial. Tecnicamente, Roma continuava sendo uma república. [música] Os cônsules continuavam sendo eleitos. O Senado continuava se reunindo. Tudo parecia normal, só que tudo [música] já era diferente. E ninguém, exceto talvez o próprio Augusto, tinha a coragem de dizer isso em voz alta.
Com o trono asfaltado, Augusto fez o que líderes romanos sempre faziam quando se sentiam confortáveis. começou a expandir. A Galácia, [música] na atual Turquia central, virou província romana no ano 25, [música] depois que o rei local Amintas foi morto. As tribos do norte da Espânia, que tinham resistido aos romanos por dois séculos inteiros, [música] foram finalmente esmagadas.
E quando a Espânia foi totalmente conquistada por volta do ano XIX, os romanos descobriram lá depósitos colossais de ouro, um achado que encheu os cofres [música] imperiais e fez Augusto e a aristocracia romana absurdamente mais ricos [música] do que já eram. A Judeia, sob o controle do reino de Herodes, entrou definitivamente na órbita romana no final da década de 20.
E aqui vai um detalhe para quem [música] está fazendo as contas. Quando Cristo nascer dali a alguns anos, vai nascer sob o reinado deste mesmo Augusto num território que ele acabou de incorporar ao sistema imperial. Talvez a melhor das vitórias, pelo menos pela propaganda, [música] tenha vindo no ano 20 antes de Cristo. Augusto fechou um acordo com o império Parta, [música] aquele mesmo império que tinha despejado o ouro derretido goela abaixo do Craço décadas antes.
Os partas concordaram em devolver os estandartes de batalha [música] das legiões romanas perdidas em carras. Pode parecer detalhe, mas não era. Aqueles estandartes eram símbolos sagrados para as legiões romanas. >> [música] >> Tê-los nas mãos do inimigo durante 33 anos era uma humilhação nacional. Recuperá-lo sem disparar uma flecha foi vendido como vitória militar.
E Augusto soube usar isso como queria. Mas nem tudo era ouro nessas conquistas. Em meados da década, Augusto adoeceu gravemente. Ninguém sabe exatamente o quê. Tudo que se sabe é que durante semanas Roma achou que ele ia morrer. E aí veio um problema que Augusto nunca tinha pensado direito, sucessão. Ele tinha gastado a vida inteira, garantindo que ninguém pudesse desafiá-lo.
Mas quem tomaria o lugar dele se ele morresse? Então ele improvisou rápido. Marco Agripa, aquele comandante militar que vinha vencendo as guerras há anos, sucederia militarmente e seu jovem sobrinho Marcelo seria preparado [música] para suceder politicamente no longo prazo. Augusto se recuperou, mas o susto deixou marcas.
Pela primeira vez, ele percebeu que aquele sistema todo que tinha construído dependia diretamente dele continuar vivo. Era um império personalista travestido [música] de república. Sem o Augusto Vivo, o sistema não rodava sozinho. Então, no ano 23, ele fez ajustes constitucionais importantes. Devolveu o cargo de cônsul, aplaudindo o Senado e fingindo que estava restaurando a velha Ordem Republicana.
[música] Em troca, recebeu dois novos títulos vitalícios: Tribuno Permanente e [música] Poderes de Sensor. Tribuno, o cargo que tradicionalmente protegia os direitos do povo contra a aristocracia, [música] agora dele, sensor, o cargo que decidia quem podia ou não ser senador, agora [música] dele.
Era a mesma jogada de antes, com formato novo, cargos diferentes, controle igual. O senado se sentia satisfeito porque ele tinha devolvido o consulado. Mal percebeu que tinha acabado de dar para ele dois cargos ainda mais poderosos, com nomes mais bonitos. Houve resistência. Houve uma conspiração obscura comandada por um certo fâo sépio, foi descoberta no ano 21.
foi esmagada rapidamente e a partir dali Augusto consolidou o poder definitivamente. A oposição praticamente desapareceu como força organizada, mas administrar Roma exigia mais do que controlar o Senado. A cidade lá pelo final do reinado dele, tinha mais de 1 milhão de habitantes. Era a maior metrópole do mundo e funcionava como muitas mega cidades modernas pessimamente.
Roma era uma cidade que pegava fogo praticamente todo mês. Construções de madeira em ruas estreitas, sem nenhuma força organizada para apagar incêndios. Era uma cidade [música] onde agressões violentas eram tão comuns que quase ninguém andava de noite sem guarda-costas. Era cheia de doenças, ratos, pobreza extrema.
Augusto resolveu meter a mão na massa. Criou a primeira força policial profissional da história romana e o primeiro corpo de bombeiros organizado da cidade. Eles ficaram conhecidos como vigíles. Patrulhavam as ruas, apagavam incêndios, mantinham alguma ordem. Pode parecer básico, mas pra época era revolucionário. Roma virou um lugar minimamente habitável pela primeira vez em séculos.
em paralelo, expandiu [música] a guarda pessoal dele, que tinha começado pequena no início da carreira, para uma força de elite chamada Guarda Pretoriana. Eles deviam lealdade direta ao imperador, [música] não ao Senado, não a generais e ficavam responsáveis pela proteção de Roma e da Itália central.
Isso vai virar uma instituição perigosa nos séculos seguintes, porque uma força armada que serve só ao imperador acaba descobrindo que ela mesma pode escolher imperadores. Mas isso é tema de outra biografia. Para ele, naquele momento, era só segurança própria. César Augusto e o Senado estabeleceram um sistema administrativo [música] que duraria por séculos.
Províncias senatoriais, administradas pelos velhos aristocratas, províncias [música] imperiais administradas por homens nomeados diretamente por ele. Todas as províncias com tropas militares importantes ficaram claro sob controle imperial, incluindo o Egito, que logicamente recebeu tratamento especial. Por causa da riqueza absurda da região, Augusto não confiou no Senado, nem em nenhum aristocrata de elite para administrar.
Ele colocou um prefeito da classe Equestre abaixo da aristocracia senatorial, diretamente respondendo a ele, porque aparentemente cabides de emprego já existiam 2000 anos antes do termo ser inventado e também construiu estradas, muitas estradas, junto com um sistema de estações de retransmissão com cavalos frescos posicionados em distâncias regulares para que mensagens pudessem viajar à velocidade máxima entre Roma >> [música] >> e qualquer canto do império.
A coisa funcionava tão bem que 15 séculos depois, o rei Luís 14 da França ainda não conseguia mandar um mensageiro de Paris a Roma mais rápido do que Augusto conseguia mandar de Roma a qualquer canto do império. Pensa nisso. A Europa não bateu o sistema postal de Augusto até o século XIX com a chegada das ferrovias.
Enquanto o império estava sendo costurado por estradas, Roma estava sendo costurada por [música] palavras. Reformou também o sistema de impostos. Por muito tempo, Roma se sustentava pilhando os territórios conquistados. Mas essa é uma estratégia que funciona até você parar de conquistar. Augusto criou um sistema de tributação fixa de terras e comércio com receita estável, previsível e crescente.
Bem-vindo à nossa [música] realidade, governantes mais ricos e população mais pobre. O reinado de Augusto é considerado a era de ouro da literatura em latim. Não por acaso. Augusto entendia uma coisa que César nunca tinha entendido. O poder também precisa de poetas. Generais conquistam terra. Poetas conquistam memória e memória dura mais.
Horácio publicou suas odes no início e meio do reinado dele. O vídeo compôs as metamorfoses, a arte de amar e os fastos no final. Tito Lívio passou 30 anos escrevendo a história de Roma desde a fundação até Augusto, uma obra colossal chamada Desde a fundação da cidade. E tinha Virgílio, o maior poeta de Roma. escreveu a Eneida, épico nacional sobre Eneias, herói troiano fugitivo que teria [música] fundado, segundo a lenda, a linhagem que deu origem a Roma.
Coincidentemente, Augusto se reivindicava descendente direto desse Eneias mítico, o que é uma coincidência literária bastante suspeita quando o imperador costuma ser generoso com o poeta. Boa parte desses gênios foi sustentada por um homem chamado Caio Messenas, amigo próximo de Augusto, que funcionava como ministro não oficial da cultura.
O nome dele virou substantivo comum e até hoje chamamos de mecenas, qualquer pessoa que financia artistas. Mas a relação entre poder e poesia [música] tinha limites e o vídeo descobriu isso da pior maneira possível. foi exilado por Augusto paraa cidade de Tomes, na atual Romênia, no ano 8 depois de [música] Cristo. Os motivos exatos do exílio nunca ficaram claros.
Provavelmente envolviam algum escândalo relacionado à poesia amorosa dele e a alguma figura próxima da família imperial. O vídeo nunca retornou e morreu por lá mesmo. Augusto também transformou fisicamente a cidade. Construiu o fórum de Augusto com um templo a Marte Vingador. Construiu o Arco do Triunfo de Augusto.
Construiu o mausoléu de Augusto às margens do Tibre. O pórtico de Otávia, que foi construído em homenagem à irmã, aquela mesma Otávia humilhada por Marco Antônio. E as termas de Agripa, primeiras termas públicas da cidade, vieram pelas mãos do velho amigo militar. Como dizia o próprio Augusto no fim da vida, em uma frase que ficou famosa e sintetiza todo o reinado, encontrei Roma de tijolo e deixo Roma de mármore, mas toda essa era de ouro algustana, os poetas, os monumentos, os mármores, era brilhante, mas não era inocente. Quando Messenas pagava
Virgílio para escrever sobre a grandeza de Roma, não estava fazendo caridade, estava fazendo propaganda. Moedas com o rosto de Augusto circulavam até os cantos mais remotos do império. Estátuas dele apareciam em cidades que ele nunca pisou. Monumentos celebravam vitórias que às vezes tinham sido mais diplomáticas do que militares.
Era uma máquina de imagem funcionando em escala [música] continental. E Augusto não parou de acumular poder. Tinha deixado o cargo de cônsul, sim. Mas no ano 19 antes de. Cristo, o Senado concedeu a ele o direito de usar as insígnias consulares em público. Basicamente, não tem o cargo, mas pode se vestir como se tivesse.
Nos debates do Senado, sua cadeira ficava entre os dois cônsules do ano. A mensagem era clara, sem precisar de palavras. Quando o velho lépido finalmente morreu no ano 12 antes de Cristo, depois de décadas aposentado no Cabo Circeu sem incomodar ninguém, Augusto absorveu o título de pontífice máximo que ele carregava.
Agora era, além de tudo, o chefe religioso supremo de Roma. E o título final veio em fevereiro do ano 2 antes de Cristo. Páer Patriai, que significava pai da pátria. Era o coroamento de três décadas de concentração de poder. Primeiro cidadão, comandante supremo, chefe religioso e pai simbólico [música] da nação. Tudo embrulhado numa única pessoa que oficialmente ainda não era imperador.
Tecnicamente ele era só um cidadão romano comum com muitos títulos. Mas por trás dessa fachada impecável, havia um problema que Augusto nunca conseguiu resolver direito. E era ironicamente o mesmo problema que tinha destruído a geração do pai adotivo dele. Sucessão. Augusto casou três vezes. Os dois primeiros casamentos foram descartáveis.
Arranjos políticos da fase turbulenta pós- assassinato de César. O primeiro com Cláudia durou dois anos e existiu basicamente para cimentar alianças durante o segundo triunfirato. O segundo com escribônia durou o mesmo tempo e produziu a única filha biológica dele, Júlia. Augusto se divorciou de escribônia no mesmo dia em que ela deu à luz.
No mesmo dia, a justificativa oficial foi adultério. A justificativa real era mais simples. Ele tinha conhecido outra mulher e se apaixonado. O nome dela era Lívia Druzila. Casada na época com um senador romano, mãe de dois filhos. Lívia se divorciou rapidamente e casou com Augusto no ano 37 antes de Cristo.
Eles ficariam juntos pelos 50 anos seguintes até a morte de Augusto, um dos casamentos mais longos e mais estáveis da história imperial romana. O problema nunca tiveram filhos juntos. Os motivos são desconhecidos. Ambos tinham filhos de casamentos anteriores. Então, fertilidade não era a questão. Mas o fato é que Augusto não produziu um herdeiro masculino direto e isso transformou a questão da sucessão num drama familiar que durou décadas.
A primeira escolha de Augusto foi Marco Agripa, o velho companheiro de guerra, o pink militar, o cara que tinha vencido Axio para ele. Augusto casou a própria filha Júlia com a gripa e a união produziu cinco filhos. Parecia resolvido, mas a gripa nasceu no mesmo ano que Augusto e morreu no ano 12 antes [música] de Cristo, quase 30 anos antes do imperador.
O plano A foi pro túmulo junto com ele. Augusto então voltou os olhos pros netos. Caio César e Lúcio César, filhos de Júlia e Agripa. Começou a prepará-los como herdeiros. Eram jovens, saudáveis, tinham o sangue certo e morreram os dois. Lúcio morreu no ano 2 depois de Cristo. Caio morreu no ano 4. Em 18 meses, os dois netos que Augusto tinha preparado durante anos [música] simplesmente desapareceram sob circunstâncias que ninguém nunca explicou direito.
Os rumores em Roma eram venenosos, literalmente. Muita gente suspeitava que Lívia, a esposa, [música] tinha envenenado os dois meninos para garantir que o próximo na fila fosse Tibério, filho dela do primeiro casamento. Se ela realmente envenenou os netos de Augusto, nunca saberemos. Mas o fato de que Roma [música] inteira acreditava nisso diz alguma coisa sobre o tipo de família que morava no Palatino.
Ainda restava um neto biológico, a gripa póstumo, o filho mais novo de Júlia e Agripa. Mas esse foi banido do império no ano 6 [música] depois decoist por conduta excessivamente brutal e violenta. Tradução provável: [música] era instável demais para ser confiável. ou inconveniente demais para ser tolerado. O resultado foi o mesmo, exilado.
E assim, por eliminação, não por mérito, não por escolha entusiasmada, o herdeiro que restou foi Tibério. Em Teado de Augusto, filho de Lívia e protagonista da nossa próxima biografia, [música] Tibério era um homem que ninguém descreveria como carismático, mas era o último em pé. E em Roma, ser o último em pé [música] sempre foi o suficiente.
Enquanto a questão familiar se arrastava, as fronteiras do império continuavam se movendo. A segunda metade do reinado viu Augusto consolidar o corredor terrestre entre as partes ocidental e oriental do império na Europa. A região dos Balcans, [música] Panônia e Líria, Mésia, áreas que hoje correspondem à Croácia, Bósnia, Albânia, Kossovo e partes da Sérvia, foi trazida para dentro do domínio romano.
Uma revolta gigantesca, a grande revolta Ilíria, [música] explodiu no ano 6 depois de Cristo e levou 3 anos para ser esmagada. Mas quando acabou, [música] os territórios romanos formavam uma cadeia da costa atlântica da Espanha [música] até a Turquia. A Judeia, que tinha sido estado cliente por décadas sob o controle do reino de Herodes, foi formalmente anexada e transformada em província no mesmo ano [música] e Augusto começou a reduzir o tamanho do exército.
As legiões, que tinham [música] passado de 50 durante as guerras civis foram cortadas para um efetivo permanente de 28. A ideia era clara. O tempo de conquista tinha acabado, o tempo de consolidação tinha chegado, exceto num lugar, a Germânia. [música] César tinha conquistado a Galha inteira em menos de 10 anos. Augusto olhou pro mapa, viu as terras germânicas além do Reno [música] e pensou: “Se o tio avô fez com a Gália, eu faço com a Germânia”.
As legiões romanas, operando a partir de Colônia, a cidade que até hoje carrega o nome romano, começaram a avançar para leste. O progresso foi tão rápido que pelo ano 7 antes de Cristo, as armas romanas já tinham chegado ao rio Elba, [música] no leste da Alemanha. Uma nova província chamada Germânia antiga foi estabelecida.
Parecia fácil demais, porque era em segredo, [música] as tribos germânicas estavam se organizando e tinham um líder que conhecia os romanos por dentro, Armínio, um germano que tinha servido como aliado dos romanos e sabia exatamente como as legiões operavam. No ano 9 depois de Cristo, o general romano Públio Quintilho Varo marchou com três legiões pra região da Saxônia.
Armínio o guiou pessoalmente para dentro de uma emboscada numa floresta densa que ficou conhecida como a floresta de Teutuburgo. 15.000 homens, [música] praticamente todos mortos. Foi uma das piores derrotas da história militar romana e aconteceu nos últimos anos de vida de Augusto. [música] Suetônio conta que ao receber a notícia, Augusto bateu a cabeça contra a parede e gritou para Quintilho devolver as legiões.
Não devolveu. A Germânia nunca mais seria conquistada. O rio Reno virou a fronteira definitiva do norte do império. E aquela derrota, depois de [música] décadas de vitórias, foi a última grande marca no reinado de um homem que tinha passado a vida inteira tentando controlar tudo. [música] César Augusto morreu com quase 80 anos no dia 19 de agosto do ano 14 depois de Cristo.
Agosto, o mês que leva o nome dele, assim como julho, leva o nome do tio avô. A saúde vinha falhando há tempos. Houve rumores de que Lívia teria apressado a morte para garantir que Tibério assumisse sem complicações, [música] mas provavelmente não passam de fofoca palatina. Um velho de quase 80 anos no mundo antigo não precisava de ajuda para morrer.
[música] Tibério assumiu não porque fosse brilhante, não porque fosse amado, mas porque tinha sobrevivido a todos os outros candidatos. A ironia [música] de um império construído pelo político mais astuto da história, ser herdado pelo último sobrevivente disponível, é difícil de ignorar. [música] E os sucessores imediatos de Augusto fizeram questão de mostrar como era difícil substituí-lo.
Tibério governou distante, desinteressado, delegando para intermediários duvidosos. Calígula, que [música] veio depois, é geralmente lembrado por sua tirania, crueldade e instabilidade. O bisneto de Augusto provou que parentesco nobre não garante sanidade. Cláudio, que veio a seguir, [música] era na verdade o mais competente do grupo.
Reformou o sistema jurídico, construiu infraestrutura pelo império, mas como era manco e gago, sempre sofreu bullying da história. Roma aparentemente preferiu generais bonitos [música] a administradores competentes. E depois veio Nero, o último da dinastia Júlio Claudiana, o homem que supostamente mandou matar a mãe e tocou Lira enquanto Roma queimava.
Seu reinado terminou em guerra civil e no fim da linhagem que Augusto tinha construído com tanta paciência. Tibério, Calígula e Nero, todos os três com biografias próprias aqui no canal. cada um do seu jeito. Todos serviram como demonstração involuntária de quão difícil tinha sido o que Augusto realizou [música] e de quão frágil era o sistema que ele deixou.
Porque no fim das contas, César Augusto é um paradoxo que 2000 anos de historiografia não resolveram. Por um lado, ele acabou com a República Romana, destruiu as instituições mais democráticas do Estado, concentrou todo o poder em si mesmo e o disfarçou com títulos elegantes. Matou adversários, [música] proscreveu centenas de pessoas, executou adolescentes que podiam ameaçá-lo.
Tácito, o historiador romano, não teve dúvida. Augusto subverteu a vontade do povo [música] e fez de todos eles escravos. Por outro lado, ele pegou uma república que estava se autodestruindo, [música] décadas de guerras civis, generais se matando pelo poder, o Senado incapaz de governar e deu a ela estabilidade.
formou a administração, [música] profissionalizou o exército, criou infraestrutura, incentivou a cultura, definiu fronteiras que faziam sentido geográfico e militar e inaugurou a Pax Romana, dois séculos de paz relativa para os 50 a 70 milhões de pessoas que viviam sob o domínio de Roma. É muito distante do caos em que Otaviano nasceu.
Então, o que ele era? o tirano que matou a república ou o estadista que salvou Roma de si mesma. A resposta provavelmente é que ele era as duas coisas ao mesmo tempo. O homem implacável que destruiu a República moribunda e o arquiteto que construiu algo mais durável no lugar dela. Porque a verdade sobre Augusto é a mesma verdade sobre poder em qualquer época.
Raramente vem limpo. E se você chegou até aqui, muito obrigado pela sua companhia. Me conta nos comentários a próxima biografia que você quer ver por aqui. E não esqueça de se inscrever no canal para mais conteúdos como esse. O menino Franzino, órfão [música] de pai, criado pela avó, rejeitado pelo padrasto, o moleque que ninguém apostaria nada, governou Roma por mais de 40 anos.
transformou um amontoado de províncias em guerra num império coeso. Encontrou uma cidade de tijolo [música] e deixou uma de mármore e morreu na cama de velice, cercado pela família, num mundo onde quase todos os seus antecessores poderosos morreram de punhalada, veneno ou espada. [música] Isso por si só, talvez seja a maior prova do que ele realizou.
Porque reis vêm e vão. Generais [música] são esquecidos, senados viram pó. Mas o sistema que aquele garoto do Palatino inventou sobreviveu por 500 anos depois dele e o modelo de governo que ele criou, de uma forma ou de outra, nunca deixou de ser copiado. >> [música]
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