Henrique VII mandou decapar a primeira esposa, mandou decapitar a segunda, divorciou a quarta, mandou decapitar a quinta e abandonou a sexta. Mas a terceira, Joana Simor, ele chorou. Chorou de verdade. Vestiu preto por três meses. Ele que nunca vestia luto por ninguém, mandou preparar um lugar ao lado dela na cripta real.
E quando morreu 12 anos depois, pediu para ser enterrado junto dela, não junto a nenhuma das outras, junto a Joana. Mas por quê? O que essa mulher fez de tão diferente? O que ela tinha que as outras não tinham? A resposta é simples e brutal. Ela deu a Henrique o que ele mais queria no mundo, um filho, um herdeiro homem, o futuro Eduardo VI e pagou com a [música] própria vida.
12 dias depois do parto, Joana Simor estava morta. Esta é a história real dela, reconstruída com inteligência artificial a partir de documentos históricos originais, cartas da corte Tudor, registros médicos e relatos de testemunhas que estavam presentes nos últimos momentos da rainha que Henrique nunca esqueceu.
Joana nasceu por volta de 1508 no castelo de Wofhall em Wilshire, no interior da Inglaterra. A data exata é incerta. Porque naquela época não registravam nascimentos de mulheres com o mesmo cuidado que registravam [música] os de homens. Ela simplesmente apareceu no mundo e ninguém achou importante anotar o dia.
E por muito tempo ninguém esperava nada dela. Era filha de Sir John Seor e Marjery Wentworth, família da pequena nobreza rural. Não eram ricos, não eram poderosos, não tinham sangue real. Osor eram o tipo de família que servia a corte, não que mandava [música] nela. Joana cresceu aprendendo o que toda mulher nobre daquela época aprendia: bordar, administrar uma casa e manter a boca fechada.
Não era educada como Ana Bolena, que falava francês fluente e debatia teologia com bispos. Não tinha a beleza de Catarina Howard, que fazia homens virarem a cabeça quando entrava num salão. Testemunhas [música] descreviam Joana como pálida, de rosto comprido, nariz afinado. Um embaixador imperial escreveu que ninguém a chamaria de atraente.
Outro diplomata foi mais cruel. Disse que era mais branca que um fantasma e que não entendia o que o rei via nela. O que o rei via nela era exatamente isso. Nada que chamasse atenção, nada que ameaçasse, nada que provocasse. Depois de anos com Ana Bolena, que transformava cada jantar em debate e cada discordância em guerra, Henrique [música] queria paz.
E Joana era a definição viva de paz. Mas Joana tinha algo que nenhuma das outras esposas de Henrique tinha. Silêncio. Enquanto Ana Bolena era espirituosa, provocadora, inteligente e confrontadora, Joana era o exato oposto. Ela não reagia, não confrontava, sabia quando calar. Era exatamente o tipo de mulher que Henrique VI queria depois do furacão, que foi Ana Bolena.
Porque contrariar Henrique tinha um preço e Joana sabia exatamente qual era esse preço. E foi por isso que ela sobreviveu, pelo menos por um tempo. Mas isso ainda ia piorar e muito. Joana entrou na corte como dama de companhia. Primeiro serviu Catarina de Aragão, a primeira esposa de Henrique. Estava ali quando Catarina foi informada de que o casamento seria anulado.
[música] Estava ali quando Catarina chorou, quando Catarina implorou, quando Catarina foi mandada embora do palácio para nunca mais voltar. Depois serviu Ana Bolena, a segunda esposa. Viu Ana no auge do poder, rindo nos corredores, desafiando bispos. sentada no trono e viu Ana na queda, as acusações, os sussurros, os olhares que mudaram de admiração para desprezo de um dia pro outro.
Viu Ana ser levada paraa torre e viu a corte inteira fingir que nunca a apoiou. Joana viu tudo, cada detalhe, cada erro, cada momento em que uma rainha cruzou a linha e pagou com a vida e aprendeu. [música] Esse foi o treinamento dela, não em livros, em cadáveres. Quando chegou a vez dela, não recusou. Ninguém recusava o rei.
[música] Mas Joana sabia exatamente o que fazer para sobreviver. O problema é que ela não contava com o inimigo que ninguém consegue controlar, o próprio corpo. O momento exato em que Henrique notou Joana é [música] debatido, mas a maioria dos historiadores concorda que foi no final de 1535, quando o casamento com Ana Bolena já estava desmoronando.
Ana não tinha dado um herdeiro masculino. Teve uma filha, a futura Isabel, mas Henrique queria um filho homem. Ana sofreu pelo menos dois abortos e Henrique, como sempre, já estava olhando para o lado. Joana era o lado. O que aconteceu a seguir revela muito sobre o caráter dela ou sobre a inteligência dela.
Henrique mandou uma carta com uma bolsa cheia de moedas de ouro para Joana. Era o sinal clássico. O rei queria ela como amante. Qualquer outra mulher da corte teria aceitado. Recusar o rei era perigoso. Joana devolveu a bolsa sem abrir, caiu de joelhos, beijou a carta e disse: “Conforme relatos que circularam na corte, o maior tesouro que tenho é minha honra.
Prefiro morrer mil mortes a perdê-la. Se o rei deseja me presentear, que seja quando Deus me enviar um bom casamento. Brilhante, porque Joana tinha visto Ana Bolena usar a mesma estratégia anos antes. Ana recusou ser amante e disse que só se entregaria como esposa. Funcionou. Henrique divorciou Catarina e casou com Ana.
Joana copiou a jogada, mas enquanto Ana era barulhenta e confrontadora, Joana apenas disse não com educação e deixou Henrique enlouquecer de desejo. O rei mordeu a isca, só que ninguém imaginava o que viria depois. Para casar com Joana, Henrique precisava se livrar de Ana Bolena e ninguém ousava contrariar. Ele se livrou do jeito mais brutal possível.
Em maio de 1536, Ana Bolena foi presa na Torre de Londres, acusada de adultério com cinco homens, incluindo o próprio irmão. Insesto, traição contra a coroa. As acusações eram quase certamente fabricadas. Não importava. Henrique queria se livrar dela e Thomas Cromwell providenciou as provas necessárias. O julgamento durou dois dias.
Ana se defendeu com uma eloquência que impressionou até os juízes que já tinham decidido condená-la. Não adiantou. A sentença foi unânime, culpada. Morte por decapitação. No dia 19 de maio, um espadaxim francês trazido especialmente de Calê, cortou a cabeça de Ana Bolena com um único golpe na torre de Londres. Dizem que ela escolheu a espada em vez do machado porque era mais rápido e que fez uma piada antes de morrer, dizendo que o carrasco não teria dificuldade, [música] porque ela tinha um pescoço muito fino.
Joana estava na corte durante todo o processo. Sabia de cada acusação. Não há registro de que ela tenha protestado, chorado ou reagido de qualquer forma. O silêncio dela era tão completo que é impossível saber se era indiferença, medo ou estratégia. No dia seguinte à execução de Ana Bolena, Henrique e Joana ficaram oficialmente noivos 24 horas.
A cabeça de Ana mal tinha esfriado e o rei já [música] estava planejando o próximo casamento. 10 dias depois, no dia 30 de maio de [música] 1536, casaram-se numa cerimônia privada. No palácio de White Hall. O vestido de noiva de Joana era todo branco e bordado com joias. Simples comparado ao Diana Bolena, que tinha sido uma extravagância de ouro e pedrarias, [música] mas era exatamente o que Henrique queria.
Modéstia, simplicidade, [música] o oposto de tudo que Ana representava. Uma curiosidade perturbadora. O lema pessoal que Joana escolheu [música] como rainha foi Bound to Obey and Serve em português, obrigada a obedecer e servir. Nenhuma outra rainha da Inglaterra tinha escolhido um lema tão submisso.
Era uma declaração pública de que ela sabia qual era o seu lugar e que não cometeria [música] os mesmos erros de quem veio antes. E durante um momento, tudo pareceu calmo. Pela primeira vez em anos, não havia gritos nos corredores de White Hall, não havia intrigas, não havia confrontos. Joana fez exatamente o que prometeu.
Foi silenciosa, obediente e devota. Os cortesãos respiraram aliviados. O embaixador Chapuiz, que representava o imperador Carlos V, escreveu que Joana era pacífica e que o rei parecia mais tranquilo do que em anos. Henrique estava feliz, mas não por amor. Estava feliz porque finalmente tinha uma esposa que não o desafiava e não criava problemas.
Uma esposa que sabia quando calar. Mas Joana cometeu um erro, um único erro, e quase custou tudo. Em 1536, Henrique estava destruindo os mosteiros da Inglaterra, confiscando terras, derretendo o ouro dos altares, expulsando monges. No norte do país, os católicos se revoltaram numa rebelião chamada peregrinação da graça. Milhares marcharam contra o rei, pedindo que os mosteiros fossem poupados.
Joana, que era profundamente religiosa, se ajoelhou diante de Henrique e implorou que ele tivesse misericórdia, que poupasse os mosteiros, que ouvisse o povo. Henrique olhou para ela com uma frieza que congelou todo o salão e disse na frente de toda a corte que ela deveria lembrar que a última rainha que se meteu em assuntos políticos tinha perdido a cabeça.
Bolena tinha sido decaptada fazia menos de se meses. Joana nunca mais abriu a boca sobre política, nunca mais pediu nada. O aviso foi claro, silêncio ou morte. E Joana escolheu o silêncio. Só faltava uma coisa, o herdeiro. E aqui começa a contagem regressiva, porque o pior ainda estava por vir.
No início de 1537, Joana engravidou. A notícia se espalhou pela corte como fogo. Henrique estava eufórico. Finalmente, depois de mais de 20 anos tentando, de dois divórcios, de uma decapitação e de uma ruptura com a Igreja Católica, o herdeiro [música] masculino estava a caminho. A gravidez de Joana foi tratada como assunto de estado.
Médicos acompanhavam cada sintoma. Astrólogos faziam previsões, padres rezavam, toda a Inglaterra esperava. Joana foi levada para o castelo de Hampton Court para o parto. Era tradição que as rainhas ficassem em reclusão nas últimas semanas num ritual chamado confinamento. A partir de determinada data, a rainha não podia mais sair, não podia mais ver o rei, não podia mais participar de eventos, ficava trancada num quarto com as parteiras e damas de companhia esperando.
As janelas do quarto eram cobertas com tapeçarias pesadas para bloquear a luz. Apenas uma janela permanecia parcialmente aberta. A luz era mínima, o ar era abafado. Acreditava-se que a escuridão e o silêncio ajudavam no parto. Na prática, criavam um ambiente perfeito para proliferação de doenças. O trabalho de parto começou no dia 9 de outubro de 1537 e durou 3 dias, três dias de dor.
As parteiras faziam o que podiam, mas a medicina da época era primitiva. Não havia anestesia, não havia cirurgia segura, não havia nada além de orações e ervas. Na noite do dia 11 de outubro, Joana ficou tão fraca que os médicos começaram a temer o pior. Houve discussão sobre se deveriam tentar salvar a mãe ou o bebê.
Quando o parto complicava, [limpando a garganta] alguém precisava morrer. E quase sempre era a mãe, especialmente quando o bebê era um príncipe. Depois de três dias, o corpo dela já não respondia, mas o destino resolveu sozinho. Na madrugada do dia 12 de outubro, o bebê nasceu, um menino, Eduardo, o futuro Eduardo VI da Inglaterra.
O herdeiro nasceu, mas o preço já estava cobrado. O mensageiro que levou a notícia a Henrique cavalgou pela noite. Quando o rei ouviu que era um menino, caiu de joelhos, chorou de alegria, abraçou todos que estavam ao redor, mandou servir vinho para toda a corte. Os sinos de Londres tocaram por horas.
Fogueiras foram acesas em toda a cidade. O vinho correu nas fontes públicas. Procissões encheram as ruas, canhões dispararam salvas do rio Tamisa. A Inglaterra tinha um herdeiro masculino depois de quase 30 anos de crise dinástica. Por esse menino, [música] Henrique tinha rompido com o Papa, criado uma nova igreja, executado centenas de pessoas, destruído mosteiros e arruinado duas esposas.
Agora, finalmente, tudo parecia ter valido a pena. E Joana. Joana estava viva, exausta, mas viva. Nos primeiros dias, tudo parecia bem. Joana participou do batismo de Eduardo três dias depois do nascimento. Ficou sentada numa cadeira acolchoada, coberta com mantas de pele, pálida, mas presente. Recebeu os cumprimentos dos cortesãos, sorriu.
Ninguém percebeu que algo estava terrivelmente errado, mas algo não estava certo. Joana não se recuperava como deveria. Estava fraca demais, pálida demais. Os médicos atribuíram ao esforço dos três dias de parto. Disseram que ela precisava de repouso. Ninguém se alarmou. Deveriam ter se alarmado. No dia 15 de outubro, Joana começou a ter febre.
Os médicos da corte examinaram e diagnosticaram febre puerperal, infecção pós-parto. Na época era praticamente uma sentença de morte. Ninguém sabia o que eram bactérias. Ninguém lavava as mãos antes de fazer um parto. Não existia [música] antibiótico, não existia tratamento eficaz. Só restava esperar e rezar. A febre subiu e não desceu.
Joana entrou em delírio. Tremia sem controle. Suava até encharcar os lençóis. Segundo relatos das damas de companhia que cuidavam dela, Joana alternava entre momentos de lucidez quando perguntava pelo bebê. e momentos de confusão quando não reconhecia ninguém ao redor. Henrique foi informado e aqui vem o detalhe que diz tudo sobre ele.
Não foi visitá-la, não nas primeiras horas. Mandou perguntar pelos médicos como ela estava. Mandou rezar por ela, mas não foi ao quarto. O rei tinha medo de doenças, medo patológico. Esse era o mesmo homem que mandava executar amigos de décadas sem piscar. Mas diante de uma febre fugia. Henrique manteve distância. O mesmo homem que cortou a cabeça de duas esposas sem pestanejar coragem de segurar a mão da esposa que estava morrendo.
Quando finalmente foi vê-la, já era tarde e naquele momento já não havia mais nada a ser feito. Joana Seor morreu na madrugada do dia 24 de outubro de 1537. 12 dias depois do parto. Tinha aproximadamente 29 anos. E foi aí que tudo desmoronou. Os sinos que tinham tocado de alegria [música] 12 dias antes, agora tocavam de luto. As fogueiras que celebraram o nascimento do príncipe se apagaram.
E Henrique, o homem que nunca demonstrava fraqueza, desmoronou, vestiu preto, trancou-se nos aposentos. Segundo Thomas Cromwell, o ministro mais próximo do rei, Henrique não quis ver ninguém por dias, não comia, não despachava. Os cortesãos que o viram descreveram um homem irreconhecível. Um relato da época diz que Henrique ficou sentado numa cadeira no escuro, sem falar, sem se mover, enquanto velas se consumiam ao redor.
Os conselheiros tentavam discutir assuntos de estado e ele os mandava embora com um gesto da mão. O embaixador francês escreveu a sua corte que o rei da Inglaterra parecia ter envelhecido 10 anos em uma semana. E Henrique fez algo que nunca tinha feito antes e nunca faria de novo. Manteve o luto por trs meses inteiros, trs meses sem festas, sem banquetes, sem olhar para nenhuma outra mulher.
Num homem que costumava trocar de interesse amoroso na velocidade com que trocava de cavalo, 3 meses de luto era algo que ninguém na corte conseguia explicar. E aí está a ironia que ninguém menciona. Henrique não chorou por Catarina de Aragão, que foi esposa dele por 24 anos. Não chorou por Ana Bolena, que ele perseguiu durante 7 anos antes de conquistar.
chorou por Joana Simor, que foi esposa dele por apenas 17 meses, mas não foi por amor, ou pelo menos não foi só por amor. Henrique chorou porque Joana fez o que ele mais queria no mundo e morreu por isso. Ela cumpriu a missão, entregou o herdeiro e partiu antes que ele pudesse se cansar dela, antes que ele pudesse encontrar defeitos, antes que ela pudesse decepcionar.
Joana morreu perfeita aos olhos dele e é muito mais fácil amar alguém que morreu perfeita do que alguém que está viva e comete erros. O funeral de Joana foi o maior que a Cortor já tinha visto para uma rainha. O corpo foi embalsamado e vestido com um manto de ouro. Ficou em estado na capela real de Hampton Court, enquanto velas ardiam dia e noite ao redor do caixão.
Missas eram celebradas de hora em hora. Maria, a filha mais velha de Henrique, a futura Maria sanguinária, serviu como principal emlutada. É um detalhe significativo. Maria era filha de Catarina de Aragão, a esposa que Henrique humilhou e descartou, e agora estava ali liderando o funeral da mulher que ocupou o lugar da mãe dela.
A história do Studor é feita dessas [música] ironias cruéis. Ana Bolena não tinha tido esse privilégio. Catarina de Aragão [música] também não. Nenhuma rainha da Inglaterra foi planteada assim. Joana foi sepultada na capela de São Jorge, no castelo de Windsor. Henrique mandou construir uma tumba elaborada e deu a ordem que ninguém mais recebeu.
Quando ele morresse, queria ser colocado ao lado dela. E foi. 12 anos depois, em janeiro de 1547, Henrique VI morreu, obeso, doente, com uma úlcera na perna que nunca curou, e foi enterrado ao lado de Joana Simor, não ao lado de Catarina de Aragão, com quem viveu 24 anos. Não ao lado de Ana Bolena, pela qual rompeu com Roma. ao lado [música] de Joana, a esposa de 17 meses.
O filho deles, Eduardo VI, se tornou rei aos 9 anos. Era uma criança inteligente, séria, devotamente protestante, mas o corpo era fraco, sempre foi. Tuberculose, provavelmente [música] herdada ou desenvolvida cedo. Eduardo morreu com 15 anos. Nunca conheceu a mãe, não sabia o som da voz dela, não sabia como era o sorriso dela. Tudo que ele sabia sobre Joana Simor era o que os cortesãos contavam, que ela era boa, que era devota, que morreu para ele nascer.
Eduardo cresceu com o peso de saber que a mãe pagou com a vida para ele existir e esse peso o acompanhou até a morte. Há um detalhe sobre Eduardo que poucos contam. Quando era criança, mandou pintar um retrato da família real. No retrato, Joana Simor aparece ao lado de Henrique como se estivesse viva.
Era a mãe que ele nunca teve, reconstruída em tinta e tela para ocupar o vazio que ela deixou. Eduardo olhava para esse retrato, falava sobre a mãe com reverência e quando escrevia cartas oficiais, às vezes assinava mencionando que era filho de Joana, como se o nome dela fosse mais importante que qualquer título.
Mas o corpo de Eduardo nunca aguentou. Tocia sangue, perdia peso. Os médicos tentaram de tudo. Sangrias, cataplasmas, poções de ervas. Nada funcionou. No verão de 1553, Eduardo estava tão fraco que mal conseguia se sentar. Morreu em julho, provavelmente de tuberculose, magro como um esqueleto, cercado por conselheiros que já disputavam quem ficaria com o trono.
Foi criado por tutores e conselheiros que usaram ele como peça política. O herdeiro pelo qual Joana morreu, pelo qual Henrique destruiu um país inteiro, não chegou à idade adulta. A dinastia que custou a vida dela durou apenas 6 anos. Depois de Eduardo, o trono [música] foi para Maria, a filha de Catarina de Aragão.
Maria reinou por 5 anos, queimou 300 protestantes na fogueira e ganhou [música] o apelido de Blood Mary. Morreu sem herdeiros. >> [roncando] >> E depois dela, o trono foi para Isabel, a filha de Ana Bolena, a filha da mulher que Henrique decaptou, a filha que ele declarou bastarda, a filha que ele tentou apagar da linha de sucessão.
Isabel [música] I reinou por 45 anos, derrotou a armada espanhola, transformou a Inglaterra numa potência mundial, é considerada [música] uma das maiores monarcas da história. e era filha de Ana Bolena, não de Joana Simur. As filhas das esposas que Henrique descartou e humilhou foram as que realmente governaram a Inglaterra, não o filho pelo qual ele destruiu tudo.
E essa é a ironia final da história de Joanna Seor. Ela fez tudo certo. Cada movimento calculado, cada palavra medida, cada silêncio estratégico, recusou ser amante. esperou o casamento, deu o herdeiro, não desafiou o rei, não criou intrigas, fez exatamente o que a Inglaterra esperava de uma rainha e morreu por isso.
As esposas que Henrique matou, pelo menos a história lembra o nome delas com fogo. Ana Bolena é imortal, Catarina Howard é trágica. Mas Joana, Joana é a nota de rodapé, a esposa que funcionou. Aqui não deu problema. Aqui morreu na hora certa. E talvez por isso Henrique tenha chorado, não porque a amava mais, mas porque ela era a única que ele não destruiu com as próprias mãos.
Joana foi destruída pelo parto, pela biologia, pelo preço de ser mulher numa época em que o corpo feminino era apenas uma ferramenta para produzir herdeiros. Henrique chorou por Joana porque ela foi a única culpa que ele não conseguiu evitar. Joana Seimor não venceu. Ela só morreu antes de perder.
No fim, o rei que nunca chorava chorou. Mas já era tarde. Histórias como essa quase nunca são contadas e talvez seja por isso que continuam acontecendo. E fica por aqui, porque a próxima esposa de Henrique, que vou te apresentar foi a única que sobreviveu ao casamento e saiu ganhando. O que ela fez para escapar com vida foi a jogada mais inteligente que alguém já fez na cor de Tudor.