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O DIÁRIO DA MORTE: ÁUDIO CHOCANTE MOSTRA O ASSASSINATO DE JOSE E O PLANO DE UM EX-VEREADOR PARA EXTERMINAR PROVAS DE CORRUPÇÃO!

O DIÁRIO DA MORTE: ÁUDIO CHOCANTE MOSTRA O ASSASSINATO DE JOSE E O PLANO DE UM EX-VEREADOR PARA EXTERMINAR PROVAS DE CORRUPÇÃO!

Em fevereiro de 2025, a pequena e pacata cidade de Piên, no Paraná, foi palco de um evento que rompeu a tranquilidade de seus cerca de 14 mil habitantes e deixou uma marca indelével na história criminal do Brasil. O que deveria ser um dia comum na vida de Jose Solange Poox terminou de forma brutal e trágica em sua própria residência, uma chácara no bairro de Gramados. O crime, que inicialmente parecia um mistério isolado, revelou uma teia de traições, segredos obscuros e uma frieza que desafia a compreensão humana.

Jose, como era carinhosamente chamada por todos que a conheciam, era o retrato da simplicidade e da dedicação. Mulher discreta, sempre pronta a ajudar, ela dedicou mais de 30 anos de sua vida ao seu marido, Leonides March. Leonides, um político influente e de carreira na região, ocupou cargos de relevância, incluindo a presidência da Câmara de Vereadores, e gozava de uma reputação construída ao longo de anos na política local. Para Jose, seu mundo girava em torno do cuidado com o lar e, principalmente, com a saúde de seu marido, a quem ela auxiliava em um tratamento médico contínuo que exigia cuidados diários e atenção constante.

No entanto, por trás das portas daquela chácara, uma realidade sombria estava prestes a emergir. Vizinhos, que por vezes preferiram o silêncio seguindo a máxima de que em “briga de marido e mulher não se mete a colher”, acabaram por presenciar o fim de uma história que durou três décadas. Sons secos e gritos de socorro ecoaram no início daquela tarde de terça-feira, culminando em um silêncio absoluto que selou o destino de Jose.

A investigação policial, desencadeada pelo comportamento suspeito de Leonides e pela descoberta do corpo de Jose, revelou que o crime não foi um ato impulsivo, mas uma trama macabra. Leonides, na tentativa de criar um álibi, chegou à Câmara Municipal pouco depois do ocorrido, agindo de forma nervosa e tentando induzir os funcionários a acreditarem que sua esposa estava sozinha com um pedreiro que prestava serviços na propriedade. O pedreiro, Luan Fabiano Bachel, também conhecido da família, foi apontado como o autor do crime em uma narrativa que visava excluir a participação do marido.

Contudo, a perícia e a coleta de imagens de câmeras de segurança rapidamente desmontaram essa versão. Ficou provado que Leonides estava, de fato, na chácara no momento do crime. Mais do que isso, a revelação de um áudio forjado entre Leonides e Luan, onde este último tentava assumir a culpa sozinho — alegando uma briga sob efeito de substâncias e uma reação de defesa — deixou clara a conspiração. O áudio, uma tentativa grosseira de salvar o político, foi um dos pilares que levaram a polícia a confirmar a colaboração entre os dois.

O que se seguiu no desenrolar das investigações foi um mergulho em um passado obscuro. Luan Fabiano Bachel, o pedreiro apontado como cúmplice, já possuía um histórico preocupante de violência, incluindo um caso grave contra um animal em 2023, que nunca foi devidamente punido, apesar da denúncia. O descaso da justiça com esse sinal de alerta é, para muitos, o fator que permitiu que o perigo escalasse para a violência fatal contra uma mulher.

O julgamento, ocorrido em setembro de 2025, foi um divisor de águas. Realizado em Rio Negro, para garantir a imparcialidade frente à notoriedade do caso em Piên, o Tribunal do Júri ouviu versões que surpreenderam a todos. Leonides e Luan, em uma manobra desesperada da defesa, admitiram um relacionamento amoroso entre os dois, alegando que o crime teria sido passional — que Jose teria descoberto o “ato” e tentado agredi-los, tornando o homicídio uma “defesa”. A promotoria, contudo, com firmeza e maestria, desmontou essa tese, apresentando provas de que o crime foi premeditado, com motivações que incluíam o desejo de afastar Jose e, possivelmente, obter benefícios financeiros de um seguro de vida contratado pouco antes do crime.

A sentença final foi um grito de justiça. Leonides March foi condenado a 40 anos de reclusão em regime fechado, a pena máxima para o crime, enquanto Luan Fabiano Bachel recebeu uma condenação de 33 anos e 4 meses. O reconhecimento de que o crime foi um feminicídio, planejado e executado em conjunto, marcou este caso como um precedente histórico no Brasil. Foi a primeira condenação por feminicídio no estado do Paraná e a segunda em todo o território nacional, elevando o caso ao patamar de um marco na luta contra a violência doméstica e a proteção da mulher.

A tragédia de Jose é um lembrete doloroso do quanto, muitas vezes, desconhecemos aqueles com quem compartilhamos a vida. Sua dedicação incondicional, que a manteve ao lado do marido mesmo em seus momentos de maior dificuldade — incluindo períodos em que Leonides enfrentou processos judiciais por outros crimes graves, dos quais foi posteriormente absolvido — foi recompensada com a traição definitiva.

O caso não apenas trouxe à tona a face mais cruel da violência, mas também provocou um debate necessário sobre a influência e o poder na justiça. A trajetória de Leonides, de um político proeminente a um condenado por feminicídio, expõe uma falha estrutural no tecido social, onde a impunidade, muitas vezes, é sustentada pelo prestígio e pela manipulação.

Hoje, a memória de Jose Solange Poox permanece viva não apenas como a de uma mulher que foi vítima de um complô covarde, mas como um símbolo de uma luta por justiça que, embora tardia, mostrou que a verdade tem o poder de emergir, mesmo nas sombras mais profundas. A condenação serve como um conforto amargo para seus familiares e para a sociedade de Piên, que clama por tempos onde o respeito e a proteção à vida sejam inegociáveis.

Que a história de Jose sirva como um alerta constante. A violência de gênero não escolhe classe social, reputação ou poder político. Ela se esconde nos detalhes, na negligência e na arrogância de quem acredita estar acima das leis e da ética. Que, através da punição severa aplicada aos responsáveis, este caso possa inspirar uma sociedade mais vigilante, protetora e, sobretudo, consciente de que silenciar diante do abuso é, muitas vezes, ser cúmplice de um futuro que nunca deveria ter acontecido.

A justiça brasileira, ao condenar exemplarmente os envolvidos neste caso, reafirmou seu papel na proteção da dignidade humana. A dor da família Poox e a comoção de toda a cidade de Piên são o eco de uma sociedade que não tolera mais a barbárie. Que a vida de Jose seja lembrada com a luz que ela espalhava, e que sua história, embora trágica, continue a iluminar os caminhos para um futuro onde a violência contra a mulher não seja mais uma constante em nossas vidas.