Matar por “misericórdia”? O motivo macabro que chocou o tribunal no caso Robert Lyon!

Duas semanas depois de ajudar a carregar o caixão do melhor amigo, um homem recebeu uma mensagem de voz. Ele apertou o play ali sem dar muita bola e do outro lado ele ouviu a voz de um sujeito. A voz era de quem tava quase pedindo perdão antes mesmo de explicar o porquê.
O homem na gravação dizia que se sentia dormente, que Deus tinha esmagado ele, que finalmente Deus tinha conseguido a atenção dele. Ele implorava para marcar um encontro cara a cara, porque precisava pedir perdão. O amigo desse cara que recebeu a mensagem tinha morrido a tiros há pouco tempo. Então, foi isso que logo ele pensou nesse momento aí.
Afinal de contas, qual seria outra razão para esse sujeito ligar assim, mandar uma mensagem, melhor dizendo, do nada, duas semanas depois da morte desse outro amigo dele, implorando perdão, o negócio não tinha nada a ver com ele. Pelo menos era o que a polícia dizia, porque a investigação estava convencida de que era assalto aquilo.
Um ladrão qualquer que entrou, atirou, covardemente, sumiu. Eu sou Marcos Campos e essa é a história de um homem que foi executado num galpão vazio, onde ele trabalhava, ele ia muito de vez em quando lá. Um caso que a polícia quase arquivou, mas que se tornou uma das condenações depois mais faladas daquele local.
Então vamos juntos hoje investigar tudo isso nos detalhes, essa mensagem estranha aí, o motivo de a polícia ter achado assim que era realmente um furto aleatório ali seguido, um latrocínio, não é? e todos os outros detalhes desse emaranhado, dessa corrente criminal. Fechados? Vamos aos fatos. Tudo aconteceu em 17 de agosto de 2014.
O homem que morreu se chamava Robert Lyon, mas todo mundo conhecia ele como Hobby. Ele tinha 38 anos, era pai de dois filhos pequenos e ele trabalhava para uma das maiores ferrovias do país. Naquele dia, ele tinha sido escalado para trabalhar em um pátio que ficava bem longe, há horas de carro da casa dele, num canto bem isolado lá, onde quase ele nunca tinha colocado os pés.
Era um daqueles lugares meio desertos, sabe? sem movimento, onde o funcionário que tá escalado lá fazendo aquele turno, passa o dia inteiro praticamente sem cruzar com uma alma viva. E era exatamente isso que estava acontecendo naquele dia. O Rob estava lá sozinho dentro daquele galpão. Em algum momento então daquele expediente, alguém entrou no galpão e esse alguém disparou dois tiros.
Um pegou no peito do Rob do lado direito e depois esse assassino aí revirou tudo ali a cena, espalhou as coisas nitidamente querendo fazer parecer que era um roubo, sabe? E para fechar ele deu um último tiro no rosto do hobby para ter certeza de que ele não ia sobreviver e depois simplesmente foi embora. Assassino bem sangue frio, não é? Então foi um colega de trabalho depois que chegou lá que encontrou o corpo do Robo.
Esse colega aí ligou pra emergência. Dava até para sentir o desespero na voz dele, dizendo: “Ó meu Deus!” E repetindo que o amigo tava caído ali, sangrando pela cabeça. E aí começa o problema que ia atormentar os investigadores pelos meses seguintes. Eu não sei se ia atormentar muito não, viu? Não fosse uns acasos da vida aí.
Mas vejam só, porque a primeira pergunta de qualquer caso assim é a mais simples do mundo, não é? Quem ia querer o Rob morto? Só que no caso do Robby, a resposta era um vazio. Os detetives conversaram com os colegas de trabalho dele e a descrição era sempre a mesma. O Rober não tinha desafetos, não devia dinheiro a ninguém, nem andava aí com gente errada, sabe? Era o oposto disso.
Ele era o cara ali que aparecia sempre em primeiro lugar na listinha, por exemplo, quando os vizinhos iam fazer um churrasco. Era a pessoa que parava o que estava fazendo ali para ajudar o colega. Não tinha inimigo, não tinha dívida. nem muito menos um fio solto assim que apontasse para qualquer razão aparente. Então a explicação que sobrou foi a mais cômoda, né? A que se encaixava ali naquele ambiente, o assalto seguido de morte.
A cena tinha tudo, né? Para isso, tinha sido montada para contar essa história e ela encaixava perfeitamente porque era a única que não exigia que alguém odiasse o Roby. Um estranho, um crime de oportunidade, pura falta de sorte do pobre Roby, não é? Mas vai vendo como o assassino colocou bem ali as cartas dele na mesa, viu? Ele não matou só o homem, ele plantou uma narrativa inteira pra polícia poder perseguir outra pessoa no lugar dele.
E por um tempo a isca funcionou. E para tentar furar esse vazio aí, digamos, os investigadores foram atrás das câmeras ali da região, de qualquer canto ali perto do pátio. Numa filmagem, um homem desconhecido passa ali andando pela área, meio mancando, um jeito esquisito de pisar. Os detetives foram caçando também a identidade de cada motorista que tinha passado por ali naquele dia, um por um.
E eles conseguiram ir nomeando esses motoristas aí através dos registros dos carros. E eles nomearam praticamente todos que eles viram, quase todos, porque sobrou uma exceção. Um sujeito que estava numa moto, esse eles não conseguiram identificar de jeito nenhum. Era um motoqueiro fantasma praticamente que tinha passado ali na hora mais ou menos exata, né, em que aconteceu o latrocínio.
Um cara sem nome, sem rosto até então. E foi aí que a investigação meio que travou. Tinha um homem ali esquisito mancando, que apareceu numa câmera, depois um motoqueiro que eles não conseguiam saber quem é, uma vítima sem inimigos e uma cena que parecia salto. Parecia realmente uma uma situação empacada, mas para quem manja de investigação, tem um caminho [música] a ser seguido que eles até agora não seguiram.
Alguém arrisca um palpite aí? Pois é, conhecer a vida pessoal do Roby, o que ele fazia em casa, porque a chave de tudo nesse [música] tipo de circunstância às vezes tá aí, não é? Robado com uma mulher chamada Sabrina. Os dois moravam numa comunidade planejada ali no alto deserto da Califórnia. Um lugar super bem construído em volta de um lago artificial, [música] vendido ali em folhetos de corretores de móveis, sabe? como cantinho perfeito para viver e criar os filhos longe do caos da cidade grande.
Casinhas alinhadas, churrasco no quintal, criançada brincando até tarde. E dentro daquele cenário ali de propaganda, o Rob e a Sabrina eram o casal que os outros usavam como referência. Tinham até um nome para um grupo que eles criaram lá, que eles se chamavam de Alcateia. Os amigos juravam que os dois nunca brigavam, que viviam grudados e eram ali um exemplo de relacionamento que dava certo, né, e todo mundo via, mas sempre tem um retrato de revista escondia, na verdade uma engrenagem que os vizinhos não conheciam. Lá em 2008, o casal tinha
tomado uma decisão particular e peculiar, eu diria, abrir o casamento. Isso mesmo. Eles passaram então a sair com outros casais, a fazer viagens só de adultos, a beber pesado nas festas, às vezes recebendo outros casais dentro de casa mesmo. Para eles, naquele momento ali, era só uma questão ali de dar uma pimentada na vida dois, sabe? na rotina que já tinha caído ali num, sei lá, numa espécie de situação amortecida, sabe? Acho que todo mundo entendeu, não é? Só que com o tempo, segundo a irmã da Sabrina ia dizer depois, ela acabou se
cansando dessa vida. Daí cansou da bebedeira, não parava e começou a querer um outro rumo pra vida dela. Ela quis voltar pra igreja que frequentava, enfim, trocar essas festas aí pelo banco lá da paróquia no domingo. Porém, o Roby ainda não queria isso. Ele tava lá bem confortável, do jeito que as coisas estavam e não queria mudar de vida, o estilo de vida, não é? E a irmã contou também que nessa fase a Sabrina bebia tanto o tempo todo que vivia meio anestesiada, sabe? ausente da própria vida. Era uma mulher tentando sair de um
lugar que nitidamente estava ficando complicado e não tava conseguindo arrastar o marido junto com ela, né? E nesse ponto da história, se a gente fosse da investigação oficial, eu diria pra gente anotar agora algumas coisas, não é? Partindo do pressuposto que a gente teria essa informação aí, né? Não é dito, mas talvez a irmã soubesse disso desde o início.
Enfim, suponhamos que a irmã soubesse, a gente conseguiu ali entrevistar ela e pegou essa informação de uma esposa devastada, já de saco cheio desse estilo de vida aí e querendo, sei lá, mudar o rumo, né, e trazer o marido junto com ela. E o marido tava inocente, não queria, queria continuar aí do jeitão que ele tava para ele tava bom, né? Também eu olharia pela ótica de que talvez o casamento não fizesse mais tanto sentido assim [música] pra Sabrina.
Por quê? Quando o Rob morreu, foi exatamente essa mulher totalmente frágil, religiosa, perdida, que a comunidade inteira correu para amparar. O que dá a entender é que ninguém sabia de como eles estavam levando a vida deles ali, né, entre quatro paredes, etc e tal. Tô dizendo isso, que ela aparentava essa fragilidade porque todo mundo abraçou, né? Os amigos, enfim, se revesavam ali levando comida na casa todo dia depois do falecimento do Rob.
Faziam vaquinha para ajudar a família, cuidavam das crianças e ninguém sã consciência olhava para aquela viúva ali, totalmente despedaçada, quebrada, e pensava em outra coisa que não fosse, né, proteger aquela mulher enlutada. Mas calma que é cedo para decisões precipitadas, porque eu sei exatamente o que você tá pensando agora.
Foi no meio desse luto aí que o telefone do Jason, um amigo do Rob, tocou. Lembra daquele homem que abriu o episódio que [música] depois de duas semanas carregando o caixão do Rob, recebeu uma mensagem estranha ali? Pois é, esse amigo do Rob a Jason era um bombeiro. E quando ele parou para pensar, né, quem tinha deixado aquela mensagem para ele e porque cargas d’água alguém pediria perdão daquele jeito por uma morte que até então tava todo mundo achando que era realmente um latrocínio.
E aí quando ele começou a ligar os pontos, ele lembrou de um amigo dele lá, porque até então, nessa mensagem aí o cara não tinha se identificado. E aí ele lembrou de um rapaz mais novo que já tinha feito parte ali do círculo de amizade dele, da profissão inclusive, porque era um rapaz bombeiro também que tinha treinado com ele, enfim, já tinha convivido com ele em algum momento da vida.
E foi esse cara que veio na mente dele. Eu tenho certeza que você deve estar pensando, mas por que o Jason, né, esse amigo bombeiro do Rob aí lembrou desse outro rapazinho bombeiro também, não é? é que cerca de um ano antes da morte do Rob, esse mesmo rapaz tinha confessado uma coisa. Adivinha? Ele estava tendo um caso com a Sabrina, a esposa do pobre Roby.
E esse caso não ficou escondido só entre os dois amantes, não, tá? Em algum momento o próprio rapaz foi até o Rob e confessou tudo na cara dele. Então, é provável que o Rob deve ter comentado com Jason. O casamento balançou, a Sabrina prometeu encerrar tudo, mas bom, aguenta aí que eu já chego lá. Deixa eu te contar primeiro como esse rolinho entre os dois aí começou, tá? O bombeirinho aí e a Sabrina.
Um tempo antes de tudo acontecer, a Sabrina tinha arrumado um trabalho de meio período num atacadão, sabe aqueles supermercados enormes para comprar em quantidade? Pois é. E ela passava o expediente todo dela ali oferecendo amostras de produtos pros clientes que estavam circulando ali, passando pelos corredores.
Num dia qualquer, no mais por o acaso, passou um cliente e começou a puxar conversa com ela. Adivinhe? Um bombeiro bem mais novo do que ela, que pediu o número dela ali mesmo. E segundo ele, só foi cair a ficha de que ela era casada bem depois, tá? E o que colou os dois, digamos, não foi o sexo, nem uma aventura, foi a religião.
Os dois se diziam cristãos, devotos, viviam conversando sobre Deus, sobre fé, sobre propósito. E para uma mulher que, como a gente lembra, tava tentando largar aquela vida, né, de, enfim, sair com várias pessoas, etc., Apesar de tá casada, aquilo ali meio que caiu como uma luva para ela. Um rapaz mais novo, religioso, cheio das boas intenções.
Parecia exatamente o que ela queria, não é? Uma porta de saída para aquele casamento. Aí eu digo, era só terminar o casamento e ser feliz, não é? Bom, não foi o que aconteceu, não é? Ficaram casados e aí aquela coisa. E logo depois desse bombeiro aí contar pro Robu, o Rob apareceu morto. Semanas depois, esse mesmo rapaz liga implorando perdão pro Jason, né? Jason, o amigo do Rob, quando recebeu a ligação, começou a juntar os pauzinhos e aí ele falou assim: “Vou entregar essa gravação aqui pros detetives”.
Afinal de contas, eles estão correndo atrás do rabo, né, falando que foi latrocínio, nem quiseram dar uma olhada mais de perto na vida particular. Bom, ele entregou a gravação e aqui está um dos elos mais importantes dessa corrente, porque a partir dessa dica, os investigadores olharam para esse jovem aí mais de perto pela primeira vez, porque eles encontraram isso tudo começar a se encaixar.
Mas cara, eu fiquei assim, francamente, né? Precisar o amigo receber uma ligação ao acaso do cara todo arrependido ali, parecia que tava religioso mesmo, se arrependeu tal, uma polícia num olhar o histórico para ver se tem, né? né? Afinal de contas, o cara morrer lá no galpão onde ele trabalhava, assim meio do nada, sem histórico de roubo lá.
Estranho, né? Devia ter olhado mais de perto. Mas enfim, quando a investigação então foi olhar o rapaz, eles descobriram que ele tinha uma arma de grosso calibre parecida com a que matou o Roby e dirigia também uma motocicleta e amarra parecida com a do tal motoqueiro fantasma lá das câmeras, lembra? Aí nós tínhamos então o motoqueiro, a arma, parecia que as coisas estavam se fechando realmente não é? E tinha mais.
A família e os amigos da Sabrina começaram a reparar num comportamento estranho. Nas semanas depois do enterro do Roby, esse rapazinho aí tinha começado a aparecer na casa da viúva cada vez mais. Ele levava flores, cozinhava para ela, sempre tinha um jantarzinho ali pra viúva e pras crianças, tá? estava sempre lá na casa, sempre rondando, presente.
Pros detetives, a leitura finalmente ficava óbvia e até perturbadora, não é? Um amante que tinha confessado a paixão, que nunca largou a Sabrina e que agora com o marido morto, não tinha mais ninguém no caminho e ele começava a rondar a casa dela, levando flores. Era o retrato clássico, de repente, de [música] um amante obsecado que perdeu a cabeça para poder ficar com a mulher que ele amava.
Os detetives [música] puxaram os registros telefônicos dos dois e não era pouca coisa, foram milhares de ligações e mensagens entre a Sabrina e esse rapaz. E não era um contato [música] de quem terminou um caso como a Sabrina tinha prometido pro marido, tá? Era um contato de quem tava realmente apaixonadinho ali, tá? Então eles decidiram grampear os telefones.
E é nessas escutas que essa história aqui ganha um tom mais [música] complicado, porque os investigadores esperavam pegar os dois amantes, né, com a boca na botija. [música] Daí precisariam provar o nexo causal da história toda. Mas eles pegaram dois amantes que falavam de Deus o tempo inteiro e muito mais.
Só que o assunto religioso, de certo modo, parecia uma confissão. Uma dessas ligações, ele dizia que amava ela demais, chamava ela de minha menina. Em outras, os dois rezavam, sabe? se chamavam de pecadores, de gente suja, diziam que tinham sido egoístas, pediam perdão. Não fazia ali nenhuma frase ali que falasse assim: “Ah, a gente matou o Rob, mas, né, dava a entender.
” Tem até uma ligação que ele disse o seguinte: “Oi, Deus!” E seguiu dizendo que estava de joelhos por um motivo. E teve um momento que resume tudo isso, tá? Os dois compararam a própria história de amor com uma passagem da Bíblia, a história do rei Davi e da Batceba. E para quem não sabe, essa é a história de um rei que se apaixona pela mulher casada do outro homem e dá um jeito de mandar o marido dela pra morte certa para poder ficar com ela.
Os dois se enxergavam dentro dessa história aí. Bizarro, não é? Só que por mais insólito que fosse ouvir aquilo, tinha um problema técnico aí. Nada nas gravações, como eu disse, provava um plano de assassinato. Eles falavam de pecado, de culpa, de futuro juntos, mas não do crime em si. Por isso que eu disse nessas ligações uma quase confissão.
Os detetives tinham um retrato moral demolidor e prova concreta praticamente nenhuma. De novo, então, a mesma parede, suspeita de sobra e prova de menos. Então, o detetive responsável resolveu armar uma cilada. Ele procurou a Sabrina e plantou uma mentira. Ele disse com toda calma que a investigação tinha entrado num beco sem saída, que não tinha mais para onde ir.
A lógica, a cabeça dele era simples. Inocente não muda nada na rotina, né, a ouvir isso. Simplesmente segue o que tava fazendo. Talvez uma pessoa oculpada vai correr para avisar o cúmplice, né? Os caras esfriaram, tal. E foi o que aconteceu poucos minutos depois, a Sabrina ligou pro rapaz e não foi pelo telefone normal, ela usou um aparelho ali descartável, o que dá mais uma prova aí circunstancial de que não queria deixar rastro, não é? Ela ligou pro cara e disse aliviada que estava tudo bem, que não tinha pergunta nenhuma, que eles
fizeram ali mais comprometedora. Tudo tranquilo. Aí eu pergunto a vocês, uma viúva que acabou de perder o marido, afinal de contas, isso está acontecendo ali 15, 20 dias depois da morte do cara, vai ligar pro amante assim e dizer [música] que, ah, investigação não tem para onde ir, graças a Deus, meio esquisito, não é? Bom, apesar de esquisito, é circunstancial, eu devo dizer.
Só que apesar disso, 3s meses depois do crime, em 18 de novembro de 2014, os investigadores acharam que tinha o suficiente e prenderam os dois. E foi aqui que o nome do rapaz finalmente entrou nos autos Jonathan Hern. Quando entraram na casa dele, era quase um inventário de provas. a motocicleta, um capacete, uma bandana vermelha, uma mochila, tudo batendo com a descrição do homem misterioso filmado lá perto da cena do crime.
Tinha até uma sacola cheia de notas fiscais guardadas. Parecia finalmente o fim, o amante obsecado preso às provas na casa dele, caso fechado. Mas não foi assim, porque em relação à Sabrina, o promotor olhou pro material e concluiu que não dava. Tudo que ligava ela diretamente ao crime era circunstancial. as orações, telefones descartáveis, milhares de mensagens, nada daquilo.
Era a mesma coisa que provar que ela planejou matar o próprio marido. Então, ela foi solta e aí ela pegou os dois filhos e se pirulitou, mudou bem longe de onde ela morava para recomeçar a vida, né, longe da comunidade que agora tava olhando para ela meio, né, um olhar [música] torto assim, coxixando. Pros amigos do Rob era de enlouquecer essa situação, porque tava todo mundo sabendo e parecia que tinha sobrado tudo pro rapaz lá e que a viúva na cabeça dele certamente tinha alguma coisa a ver, ia simplesmente seguir a vida como se nada
tivesse acontecido. E assim o tempo passou, um ano, quase dois, e quanto mais o tempo passava, mais a história parecia fechada do jeito que todo mundo já tinha entendido. Um amante doente matou sozinho para ter a mulher para ele. Só que essa história do jeitinho que todo mundo acreditava estava completamente errada.
E quem ia provar isso era a última pessoa que se esperava. Lá no começo de 2017, pouco antes do próprio julgamento começar, o Hern, o atirarador, o amante preso, tomou uma decisão que virou a mesa, digamos. Ele decidiu falar tudo, fechou um acordo ali com a promotoria, se declarava culpado agora de uma acusação menor, homicídio culposo, em vez de doloso, né? E em troca ele ia contar tudo que sabia, testemunhar contra a Sabrina.
Para colaborar, ele pegaria uma pena bem mais leve do que ele pegaria sendo julgado como um assassino frio. E com esse acordo na mão, a história que todo mundo achava conhecer desabou, como eu disse, mais de 2 anos depois da morte do Rob. Sabrina, que tinha sido solta na primeira prisão por falta de provas, foi presa de novo, dessa vez com uma fiança fixada em 3 milhões de dólares.
Ela se declarou agora inocente de tudo. E o julgamento em 2017 escancarou o que de fato tinha acontecido naquele galão. Porque quando o amante subiu para depor, ele não descreveu o crime de um homem agindo sozinho por obsessão. Ele descreveu um plano frio a dois. E é agora que a viúva frágil, a mulher que a comunidade inteira abraçou naquele primeiro momento, apareceu debaixo de uma luz completamente diferente.
Segundo o amante, a Sabrina não foi coadivante. Ela foi quem entregou as duas peças que tornaram o assassinato possível. Primeiro, a planta do pátio ferroviário, para ele saber exatamente por onde entrar e como se mover lá dentro. Segundo, o horário de trabalho do Robby. Qual era o dia em que ele estaria escalado para aquele canto isolado ali? não é onde ele ficaria sozinho, vulnerável.
Claro que não foi acaso, não é? E quem sabia disso, quem tinha essa informação na palma da mão era a esposa do cara. E tem mais. O amante ainda contou que existiu uma primeira tentativa antes dessa, que nem chegou a sair do papel, mas a ideia era envenenar um pudim que o Rob gostava muito. Por algum motivo, esse plano aí não foi pra frente.
Então eles partiram pro plano da arma. Ele descreveu o dia do crime com frieza, tá? disse que pôs uma máscara, subiu na moto e foi até o trabalho do Rob. Parou ali na frente da porta do escritório, né, do galpão ali e rezou. O homem parou para rezar antes de entrar e matar o marido da amante dele. Depois deu o primeiro tiro, viu o Rob cair ali, montou toda aquela cena lá de assalto e antes de sair foi lá e tirou no rosto dele para ter certeza que, né, não ia ter testemunha.
E o motivo disso tudo, porque uma mulher mandaria matar o marido em vez de simplesmente se divorciar, uma vez que conheceu aí o bombeirinho lá naquele encontro no supermercado quando ela tava trabalhando, caramba, tava fim de sair do casamento, encontrou o cara, falou: “Ah, meu príncipe encantado”. Não era mais fácil largar, caramba.
Bom, segundo o H, a resposta estava justamente naquela igreja para onde ela tinha voltado. A Sabrina não achava que um divórcio fosse bem visto na comunidade religiosa dela. É uma doideira da nada, né? Aí, ah, a Sherlock aí ia fazer um plano perfeito para matar o marido, ninguém ia desconfiar. Então, ela teria dito que o Rob honestamente preferia estar morto também do que se divorciar.
Ela disse que eles conversaram e ele comentou que se perder ela, tipo, mataria ele, né? Então, ela achou que isso aí era tipo, ah, vou matar então de verdade. Na cabeça dessa mulher, matar virou assim, em analogia, um gesto de misericórdia até. E a mulher que se voltou para Deus para fugir de uma vida que, segundo ela, segundo consta, era de pecado, e acabou usando a própria fé como justificativa para encomendar a morte do marido.
Mas agora, galera, para ser justo, isso é muito importante pro caso, a defesa da Sabrina contou outra versão, tá? O Herne teria agido sozinho na versão da defesa dela, movido pela própria obsessão e estava mentindo no banco das testemunhas para salvar a própria pele. Aquela história, né, galera? Quando a casa cai, acaba tudo, acaba a paixão, acaba os planos, acaba tudo.
Afinal, ele só ganhava a pena reduzida se a história que ele tava contando ali convencesse a promotoria. Quem tem esse incentivo, né, tudo para apontar o dedo, não é a testemunha mais limpa do mundo. Vocês não concordam comigo, galera? Isso que eu disse, né, para ser justo, que eu preciso apresentar os dois pontos de vista. A própria Sabrina depois ali negou o plano, negou o envenenamento, negou ter passado a planta do local, o horário de trabalho do marido.
Disse inclusive que ela seria a última a querer o marido morto, porque do jeito que as coisas estavam, ela já tinha o melhor dos dois mundos, marido em casa e amante atencioso por fora. Sobre as gravações, ela explicou que contava tudo pro Hern porque ela confiava nele e porque ele tinha avisado ela sobre os perigos de um caso ser exposto sobre como a polícia pensa e trabalha.
Na versão dela, ela não coordenava crime nenhum nas escutas, só seguia o conselho de um homem em quem confiava. Ah, que fofo! Então, o Juri tinha que escolher entre duas histórias. De um lado, um atirador, confesso, dizendo que ela foi o cérebro de tudo, e do outro, uma viúva dizendo que era só mais uma vítima de um obsecado mentiroso.
Que lambança, hein? Mas uma pergunta me surgiu aqui. Quando Robu morto, essa mulher, pensando que ela tá falando a verdade, tá? com base aí na declaração dela, nunca desconfiou então do amante. Afinal de contas, se ela tá agora chamando o cara de obsecado, marido apareci morto, nunca desconfiou dele para avisar a polícia para dar uma olhada na cara de perto.
Estranho, no mínimo estranho. E o Júri não comprou a versão dela também. No fim de 2017, a Sabrina foi condenada na maior parte das acusações, homicídio primeiro grau, conspiração, solicitação de assassinato e acusação de ter sido cúmplice. Ela teve uma única acusação da qual foi absolvida.
Foi justamente aquele suposto plano do envenenamento. Pelo conjunto aí de tudo, ela pegou 25 anos à prisão perpétua, mais 16 meses. Na prática, quer dizer que ela pode ficar presa pelo resto da vida, ou pelo menos por 25 anos. Já o Hern, por causa do acordo que ele fez ali, levou a pena combinada do acordo, cerca de 25 anos e 4 meses pela acusação menor.
O homem que pôs a máscara rezou na porta do local do crime e deu um tiro no rosto da vítima para garantir que ele tinha morrido. Pegou uma pena aí que sei lá, vocês comentem aqui para mim o que vocês acham. Mas apesar de tudo isso, a Sabrina ainda tentou dar uma guinada no jogo aí, tá? Ela recorreu, pediu um novo julgamento, alegou que tinha sido mal defendida e que a testemunha chave tinha mentido, mas os tribunais não cederam.
2022, o tribunal de apelação manteve a condenação em todas as acusações. E olha só, né, galera, pensar que se não tivesse batido uma crise moral, digamos aí, no senhor Rne, o amante, talvez a morte do Brob tivesse continuado como foi planejado aí pelos criminosos, não é? uma encenação de latrocínio. E o mais insólito é que aquilo não foi um descuido, né, parte do plano, foi consciência mesmo.
Um homem que tinha posto uma máscara, rezado lá, como eu disse, do nada bateu uma crise de consciência ali e ligou pro melhor amigo do hobby, da vítima, para pedir perdão. O Rob tinha só 38 anos, era pai de dois filhos pequenos. Ele não tinha inimigo nenhum e isso era verdade até o fim, tá? O que ele tinha era uma esposa que na frente das pessoas era a viúva mais frágil do mundo, a mais que precisava de mais amparo e que longe dali de toda essa cena, tinha desenhado pro amante um mapa exato de onde e quando o marido estaria sozinho para morrer. Cara, que
caso bizarro, né, galera? Porque, tipo assim, a motivação aí é dar fim no cara mesmo, né? Não foi falado nada, não encontrei pelo menos se tinha alguma outra, algum outro benefício que eles receberiam, né, por conta disso. Eventualmente [música] tem, não é? Estados Unidos assim quando matam cônjuges sempre tem um seguro de vida aí.
Mas seja como for, se pensando que tudo isso que eles falaram é verdade, né, no quesito aí de que ah, eh, se divorciar vai ser mal visto pela comunidade. Ah, então o Rob vai aparecer morto aí do latrocínio. E no fundo, no fundo, dá a sensação que o cara realmente se arrependeu ali, né, pelo fato dele ter ligado pro amigo para se entregar praticamente. Não é insólito, galera.
Mas comenta aqui para mim o que vocês acharam desse episódio. Não esquece de se inscrever, confira seu sininho, se torne membro se puder me ajuda muito nas produções. Show. Um beijo do Ruivo.