Justiça após 23 Anos: Sérgio Nahas é Preso na Bahia pelo Assassinato da Estilista Fernanda Orfali
O Crime no Higienópolis: O Fim Trágico de um Sonho
A história de Fernanda Orfali e Sérgio Nahas começou como um conto de fadas da elite paulistana e terminou em um dos crimes mais emblemáticos do Brasil. No dia 13 de setembro de 2002, o apartamento do casal no nobre bairro de Higienópolis, em São Paulo, tornou-se o palco de uma tragédia. Fernanda, uma estilista promissora de 28 anos, estava casada há apenas seis meses quando descobriu que o marido, o empresário Sérgio Nahas, levava uma vida paralela sombria, envolvendo dependência química e inúmeras relações extraconjugais.
Naquela noite fatídica, o desespero de Fernanda ecoou em uma ligação para seu irmão, Júlio Orfali: “O que faço para sair daqui?”. Após confrontar Nahas sobre as traições que descobriu em sua agenda telefônica, iniciou-se uma discussão violenta. Fernanda buscou refúgio no closet do quarto do casal, tentando trancar a porta para se proteger. Sérgio, armado com uma pistola 380 sem registro, arrombou o local e disparou duas vezes. O primeiro tiro atingiu o peito de Fernanda, atravessando seu coração e causando morte imediata. O segundo projétil atravessou a janela, marcando o fim da discussão e o início de uma batalha jurídica que duraria quase um quarto de século.

A Versão do Réu vs. A Perícia Técnica
Logo após o crime, Sérgio Nahas tentou forjar uma narrativa de suicídio. Ele ligou calmamente para o cunhado e disse: “Agora pode vir buscar a sua irmã”. À polícia, alegou que Fernanda havia tirado a própria vida no closet. No entanto, o trabalho minucioso da perícia técnico-científica e do IML destruiu essa versão. A trajetória das balas, a ausência de resíduos de pólvora nas mãos de Fernanda e a descoberta de uma camisa de Sérgio com vestígios de disparos escondida debaixo da cama foram provas irrefutáveis de um homicídio doloso.
Apesar da gravidade, Nahas permaneceu apenas 37 dias detido inicialmente, conseguindo o direito de responder ao processo em liberdade. Durante os 16 anos seguintes, o caso arrastou-se nos tribunais, alimentado por inúmeros recursos da defesa e adiamentos estratégicos.
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O Longo Caminho da Impunidade à Condenação
Foi somente em 2018 que Sérgio Nahas enfrentou o Tribunal do Júri. Ele foi condenado por homicídio, mas a pena inicial de sete anos em regime semiaberto foi considerada branda pelo Ministério Público. Após novos recursos, em 2021, o Tribunal de Justiça de São Paulo aumentou a sentença para 8 anos e 2 meses em regime fechado.
Mesmo com a condenação, Nahas continuou em liberdade enquanto recorria às instâncias superiores, como o STJ e o STF. A decisão definitiva (trânsito em julgado) só ocorreu em maio de 2025. Quando o mandado de prisão foi finalmente expedido em junho daquele ano, Sérgio Nahas desapareceu, tornando-se um foragido internacional com seu nome incluído na lista da Interpol.
A Queda na Praia do Forte: Tecnologia e Ironia
O paradeiro de Sérgio Nahas foi um mistério por sete meses. Ele havia se estabelecido no litoral norte da Bahia, vivendo uma vida de luxo discreto em um condomínio de alto padrão na Praia do Forte, Mata de São João. No dia 17 de janeiro de 2026, a impunidade chegou ao fim. Nahas, agora com 61 anos, foi identificado por uma câmera de reconhecimento facial da Secretaria de Segurança Pública da Bahia enquanto circulava pela zona turística.
A ironia do destino é cruel: ele foi capturado no mesmo local onde, décadas antes, havia passado a lua de mel com Fernanda. No momento da prisão, ele utilizava um Audi de luxo e portava três celulares, cartões de crédito e medicamentos. Não houve resistência.
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O Desfecho de uma Luta de 23 Anos
Para a família Orfali, a prisão representa o fechamento de uma ferida aberta há 23 anos. Seus irmãos, que nunca desistiram de buscar justiça pela “chodó” da família, manifestaram um alívio profundo. Atualmente, Nahas aguarda transferência da Bahia para São Paulo, onde finalmente cumprirá sua pena em regime fechado.
A defesa ainda tenta reverter a prisão com pedidos de habeas corpus, citando a idade avançada e problemas de saúde do empresário, mas a justiça parece decidida a manter o veredito. O caso Sérgio Nahas e Fernanda Orfali permanece como um símbolo da morosidade da justiça brasileira, mas também da eficácia das novas tecnologias de segurança em combater a impunidade, mesmo décadas depois de um crime.